Herr Jones.

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Não sei se era Herr Jones ou Herr Jonas. Era assim que Jonas da Silva Amaral Neto gostava de ser chamado por seus colegas, nos idos de 1963, quando juntos cursávamos o 1º científico do velho Colégio Estadual de Sergipe, o atual Colégio Estadual Atheneu Sergipense.

Jonas era um jovem alegre, sorridente e bom amigo. Pelo menos restara assim a sua lembrança; o sorriso farto, amplo, a exibir alva e saliente dentição.

Gostava de jogar futebol, como quase todos daquela turma. Até eu; um perna de pau!

O futebol, diga-se de passagem, desviou tanto os nossos estudos de Matemática que o resultado foi sinistro.

O próprio Jonas abandonou as ciências exatas e enveredou pelas áreas humanas. E daí aconteceu a nossa separação.

Enquanto eu insisti no Científico, Jonas ingressou no Curso Clássico, tendo sido membro ativo da Arcádia do Atheneu, cenáculo literário que eu nunca tivera a ousadia de imaginar adentrar.

Depois, enquanto eu me dirigia para a antiga Escola de Química, Herr Jones ingressaria na Faculdade de Direito, a Escola da Rua da Frente, bacharelando-se em Ciências Jurídicas, terminando por se destacar como advogado.

Enveredou também pela política, junto a muitos jovens apresentados pelo MDB de José Carlos Teixeira, que a todos bancava o microfone e o espaço no palanque.

Em 1972, elegeu-se Vereador de Aracaju, sendo reeleito em 1976. Haveria uma tentativa maior na eleição de 1974, quando alcançou a 1ª suplência do MDB à Câmara Federal.

Posteriormente, chegou a ser Deputado Estadual em 1978, mandato não mais renovado embora o tentasse em 1982 e 1986, quando definitivamente abandonou a política partidária, dela saindo digno e eficiente.

De Jonas Amaral, soube-o por reportagem da Infonet, ser um dos membros da Defensoria Pública Estadual onde está a deixar saudades.

Quanto a mim, é mais um amigo que segue, um sinal que devo me preparar também para a partida.

Fica, porém, a minha saudade de Herr Jones, que se foi sem me explicar porque nos tratávamos assim: Herr Jones e Herr Odilon, coisa de jovens; em muitos sonhos de esperança.

Descanse em paz, velho amigo! Foi um prazer conhecê-lo, Herr Jones!

Que seus familiares ao lembrar o sorriso ingênuo de Jonas da Silva Amaral Neto, o vejam como o espelho símbolo de sua alma. Deo gratias!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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