Iniciação

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Felipe, l6 anos de idade, aluno do segundo grau, livros na sacola, a mão direita, suando, segurava com todo cuidado, envolvida em um plástico, uma flor, uma rosa vermelha. Gastara o dinheiro da merenda e comprara aquela flor. Vinha caminhando, ansiando, pois descera do ônibus antes da escola, justamente para passar na casa das flores. Estava chegando perto da escola, na verdade, faltava apenas atravessar a rua e estaria na calçada do prédio.

Depois do portão aberto apenas passaria pela área para subir a escada que a levaria à sala da biblioteca, onde acertara encontrar-se com Adelaide, linda menina sua colega e a quem dedicava um amor silencioso. Mas não sabia se ela gostava mesmo dele. A escadaria possuía 16 degraus, já contara outras vezes, quando marcara outros encontros para declarações que nunca tivera coragem de dizer.O que pensaria Adelaide?O que lhe diria? Falaria que eram apenas amigos? Um a um, Felipe começou a subir os degraus, o coração cada vez batendo mais forte, tinha que controlar a mão para não apertar a flor e já ia se esquecendo a frase que diria. Como pensara?Quero lhe dar essa flor como prova do meu amor? Assim. E depois: quero namorar você?

Felipe vivia essa agonia cheia de prazer e angústia pela primeira vez na vida!Cadê aquela coragem imaginada, meu Deus! Os degraus terminaram, chegou lá em cima e bem à sua frente apareceu a porta da biblioteca, incrivelmente aberta.Certamente Adelaide estaria sentada em uma mesa perto da janela do lado direito, como era seu costume, com um livro aberto. Chegaria e lhe daria logo a flor? Meu Deus! Felipe vivia intensamente o seu primeiro momento maior de amor… Céus e terra parecem que vibravam envolvendo o jovem em uma aura de emoção nunca antes sentida.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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