IV Visões do Mundo Contemporâneo: Combates pela História

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Prof.ª Dr.ª Andreza Maynard

Universidade Federal de Sergipe

Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)

 

Cartaz de divulgação do evento “IV Visões do Mundo Contemporâneo: Combates pela História”.

“Mundo, mundo, vasto mundo…” as palavras de Carlos Drummond de Andrade nos fazem pensar em amplas dimensões. Será possível apreender algo tão grande e perpetuamente escorregadio como é o mundo? Bom, essa é a tarefa dos historiadores. Refletimos sobre a realidade e compartilhamos nossos conhecimentos.

Isso irá acontecer durante a 4ª edição do “Visões do Mundo Contemporâneo: Combates pela História”, um evento científico, gratuito, organizado pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq), que ocorrerá virtualmente. No período de 13 a 15 de outubro, 241 historiadores de todo o país irão interagir em atividades síncronas e assíncronas. Mudamos o formato porque o mundo mudou.

Até 2019, tínhamos a impressão de que ocorreram muitas transformações no planeta; mas em 2020, experimentamos uma aceleração da velocidade dessas mudanças, sobretudo em função da pandemia do novo coronavírus, que nos obrigou ao distanciamento e impôs com toda força o uso generalizado da tecnologia digital.

Temos uma abundância de informações, que muitas vezes desorientam. O mundo de 2020 já não é o mesmo de 2019? Os historiadores se dedicam à compreensão do que já aconteceu, mesmo que num passado recente. Conhecer a realidade orienta e dá autonomia. Por isso, seguimos lutando, ou melhor, combatendo.

O subtítulo do evento, “Combates pela História”, é uma referência e homenagem ao conjunto de textos escritos pelo historiador francês Lucien Febvre, que juntamente com Marc Bloch fundou a Revista dos Annales, em 1929, dando início a um movimento de renovação historiográfica.  Mas o evento não é dedicado apenas a discutir Febvre ou os Annales.

Um julgamento precipitado sobre a imagem adotada pelo evento poderia dar a impressão de que nos deteremos num tema específico. Porém, a ideia de usar uma imagem produzida nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial surgiu como uma forma de sair do presenteísmo, mostrando algo que representasse as lutas em outros momentos da história. Alude ao fato de que as guerras e os combates não acontecem apenas na linha de frente dos campos de batalha. E há também um elemento importante de representatividade feminina, atual e necessária. Mas não abordaremos exclusivamente as mulheres ou as guerras.

Afinal, sobre o que é esse evento? Recorrendo a Febvre, eu poderia afirmar que iremos abordar “os homens e as coisas; em uma palavra o mundo”. Ou melhor, o mundo contemporâneo e os diferentes combates que os historiadores enfrentam. A programação está disponível para consulta no endereço eletrônico http://visoes.getempo.org/. Lá, é possível ter uma noção mais apurada a respeito dos assuntos que serão debatidos.

No dia 13/10, será realizada a palestra de abertura intitulada “O Ofício do(a) Historiador(a) Hoje”, com o professor Francisco Carlos Teixeira da Silva. No dia 14/10, teremos a mesa redonda “Desafios para a pesquisa histórica em meio à pandemia – arquivos digitais, história e tecnologia” e no dia 15/10, ocorrerá a mesa “O racismo e movimentos de resistência em perspectiva histórica”.

Outrossim, ocorrerão discussões em 8 Simpósios Temáticos acerca de temas variados como Cinema, Guerras, Imagem e Política, Educação, Covid-19 e Ensino Remoto, Ensino de História, Patrimônio Cultural e Intercâmbios Culturais. Os debates irão acontecer a partir dos 102 trabalhos aprovados. E, ainda, serão lançados os e-books “Segunda Guerra Mundial: apontamentos do tempo presente” e “Getempo, Vol. II: novas memórias de uma coluna na internet”, ambos publicados em 2020 pelo Grupo de Estudos do Tempo Presente e disponibilizados gratuitamente para download.

Iremos nos reunir porque, enquanto historiadores, precisamos pensar sobre a realidade, mas, verdade seja dita, existe outro motivo. Gostamos de História. E apesar de sermos ensinados a enxergar a emoção como uma fraqueza, mais uma vez, eu evoco Lucien Febvre. Ele não teve nenhum pudor ao anunciar no texto “Viver a História”: “Amo a história. Se não a amasse não seria historiador (…) Amo a história – e é por isso que estou feliz por vos falar, hoje, daquilo que amo”.

Tal declaração não tirou de Febvre os princípios lógicos, nem o eximiu de qualquer rigor metodológico; mas o tornou mais completo, mais humano. Somos seres dotados de razão e sensibilidade. Feita essa colocação, sinto-me à vontade para completar o “poema das sete faces” de Drummond: “Mundo, mundo, vasto mundo. Mais vasto é o meu coração”.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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