João Alves Filho: um sergipano visionário!

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Certa vez, em 17/07/2019, publiquei um texto no Facebook protestando contra irresponsáveis divulgações de notícias falsas nas redes sociais acerca da morte de João Alves Filho. À época, pedi respeito à sua história e a sua família. Hoje, infelizmente, escrevo diante dessa incontornável e triste realidade: a sua morte recente, aos 79 anos de idade, na noite do dia 24/11/2020, no Hospital Sírio Libanês, em Brasília.

Esperei, propositadamente, para escrever somente agora. Muitos o fizeram antes, rendendo-lhe justas homenagens, com registros biográficos, históricos e saudosos de reconhecimento do grande homem público que foi João Alves Filho. Afinal de contas, Dr. João merece as respeitosas homenagens por sua história.

O pesar da passagem do Dr. João, inevitavelmente, remete-nos à um sentimento de tristeza e de solidariedade à família enlutada, no entanto, ouso registrar que ele, enfim, descansou – é público que Dr. João atravessava uma difícil situação, por estar gravemente acometido pelo mal de Alzheimer. Para mim, era difícil imaginar um homem incansável como João Alves acometido pela neurodegeneração crônica que lhe provocou a perda gradativa da memória, da independência, de habilidades linguísticas e físico-motoras. Por isso, prefiro lembrar das famosas gargalhadas do “Negão”, do “João da Água”, do “João Chapéu de Couro”, apelidos carinhosos que lhes foram dados pelo povo sergipano.

Não compreendo os desígnios divinos, principalmente, aqueles que dizem respeito ao milagre da vida e a inexorável certeza da humanidade: a morte.

Nesse sentido, o merecido repouso eterno conquistado pelo Dr. João, após uma vida repleta de grandes lutas e glórias, vitórias e derrotas, deve ser, sobretudo, enaltecido com a nossa solidária empatia.

De logo, antes de registrar o meu atrevimento em fazer breve registro de um pequeno recorte da história desse notável homem público, distinto e comprometido, encaminho meus sentimentos à família enlutada, rogando a Deus que conforte os corações saudosos dos parentes e amigos. Que Deus o tenha em sua eterna misericórdia!

Embora não fosse dele próximo, tive a oportunidade de conhecer João Alves Filho, até mesmo pela suas relações de compadrio – João e Maria foram os padrinhos de pia batismal da minha irmã caçula, Tarlis Belém do Espírito Santo  – e também de confiança, que ele sempre manteve com o meu pai, Osvaldo do Espírito Santo, que sempre foi por ele lembrado e chamado a colaborar com a pasta da Fazenda em seus governos, seja como titular ou adjunto.

Filho do construtor e empresário João Alves e da senhora Maria de Lourdes Gomes, João Alves Filho nasceu em 03/07/1941, em Aracaju, no bairro Santo Antônio. Foi casado, por 56 anos, com a advogada e Senadora Maria do Carmo do Nascimento Alves. Deixou três filhos, Maria Cristina Alves, Ana Maria Alves e João Alves Neto, e quatro netos: Danilo, Alice Maria, Nina Rosa e Maria de Lourdes.

Além de vigoroso estudioso da vida e da problemática da causa nordestina, mais particularmente do maior dos bens do sertanejo: a água, o engenheiro civil João Alves distinguiu sua vida pelas realizações implementadas através de sua marcante trajetória política, cujo início se deu aos vinte anos de idade, no meio acadêmico, durante o curso de Engenharia Civil realizado na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, quando integrou a Juventude Universitária Católica (JUC) e foi redator do Jornal da Frente Única das Esquerdas.

Com o golpe civil-militar de 1964, João Alves deixou a redação do jornal e passou a exercer, em 1965, a engenharia junto ao seu pai na Construtora Alves, vindo depois a fundar a sua própria construtora, a Habitacional Construções.

Dez anos depois, em 1975, após impressionar políticos e empresários com suas visões e empreendedorismo demonstrados em suas palestras acerca do planejamento urbano, João Alves foi convidado a se filiar à Aliança Renovadora Nacional – ARENA, partido situacionista criado em 1965, pelo AI-2, e, com isso, deu o pontapé inicial à sua longeva e frutífera carreira pública ao assumir a prefeitura de Aracaju (1975/1979), por indicação do então governador José Rollemberg Leite, durante o governo militar do então presidente da república General Ernesto Geisel.

Sua primeira gestão na prefeitura de Aracaju foi corajosa, inovadora e arrojada com a realização de várias obras de infraestrutura que lhe renderam seu primeiro apelido político: “João, o tocador de obras”. A revolução urbana foi provocada por um choque de gestão, com abertura de 14 das principais avenidas que até hoje escoam o trânsito da capital, criação do Parque da Cidade (Parque Governador José Rollemberg Leite Neto); da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes; além do Sistema Integrado de Transporte de Aracaju; a construção do Bairro Coroa do Meio e da Ponte Godofredo Diniz, que liga o bairro ao centro da capital, obras de infraestrutura que o tornaram bastante popular.

Não obstante o sucesso na administração municipal, com o término do mandato, João Alves se afastou da política e retomou as atividades empresariais na sua construtora. Só veio a retornar à vida pública, quatro anos depois, quando foi convidado pelo governador Augusto Franco a se filiar ao recém fundado Partido Democrático Social (PDS), que sucedera a ARENA, após o fim do bipartidarismo da ditadura militar pela Lei 6.767 de 1979.

Posteriormente, após divergência interna, dissidentes do PDS fundariam o Partido da Frente Liberal – PFL, hoje Democratas – DEM. Já o próprio PDS foi rebatizado para a sigla PPR – Partido Progressista Renovador, que depois virou o PPB – Partido Progressista Brasileiro, e o atual PP – Partido Progressista.

Vale aqui abrir um breve parêntese para chamar atenção para um recorte que retrata um exemplo da curiosa história ideológica partidária brasileira: a antiga ARENA, partido de direita situacionista que dava sustentação ao regime militar, ironicamente, acabou por dar origem a um partido denominado frente liberal e outro autodenominado progressista…

Voltando ao tema, em 1982, na primeira eleição estadual direta, após aquela que elegeu João de Seixas Dória (1962), o engenheiro João Alves foi eleito Governador do Estado pela chapa governista, vencendo a oposição – então capitaneada pelo Senador Gilvan Rocha (PMDB), com larga vantagem (3/4 dos votos) – ao lado do vice-governador eleito Antônio Carlos Valadares e do senador eleito Albano Franco, que, por sua vez, venceu o advogado Evaldo Campos.

Nesse primeiro mandato, à frente do executivo estadual, o desenvolvimentista João Alves criou o Projeto Chapéu de Couro, implementando várias ações de combate à seca e à pobreza do sertanejo, levou água (construção de 5 adutoras), energia, estradas para regiões até então esquecidas, o que lhe rendeu mais dois apelidos populares: “João das Águas” e João Chapéu de Couro. Fundou também o Hospital de Urgência Governador João Alves Filho. Enfim, literalmente, João foi um divisor de águas na história desenvolvimentista de Sergipe.

Com o fim do mandato (1983/1987), João Alves foi nomeado ministro do interior pelo então presidente da república José Sarney (1987/1990), sucedendo no cargo o advogado e experiente político pernambucano Joaquim Francisco. Com o término do mandato presidencial, o ministério, criado em 1967, foi definitivamente extinto, tendo sido João Alves Filho o último dos ministros do interior do Brasil.

Reconhecido nacionalmente pelo trabalho desempenhado na pasta, João Alves investira muitos recursos em projetos para desenvolvimento da infraestrutura e combate à seca no Nordeste e nas regiões mais remotas do país.

Em 1990, foi novamente candidato e venceu as eleições para o governo do estado – a primeira com previsão legal de dois turnos – derrotando o sindicalista José Eduardo Dutra (PT), no primeiro turno, ao lado do vice-governador eleito José Carlos Teixeira, e do reeleito senador Albano Franco, e, com isso, acabou por suceder o seu sucessor no Palácio Olímpio Campos, o então governador Antônio Carlos Valadares.

Nesse mesmo pleito, em decorrência da excelente avaliação de sua atuação nos governos, estadual e federal, além da ampla margem de votos alcançada, João Alves conseguiu ainda impressionante façanha na eleição proporcional, a sua coligação partidária preencheu todas as cadeiras da Câmara dos Deputados, elegendo os oito deputados federais, e ainda elegeu 20 deputados estaduais das 24 cadeiras na Assembleia Legislativa.

Dentre as várias obras e realizações, em seu segundo mandato (1991/1994), João Alves Filho deu continuidade à sua política de combate à seca e a miséria, construiu e entregou a maior obra turística do Estado, a nossa bela Orla da Atalaia, e criou o Platô de Neópolis, grande área irrigada e estruturada para exploração agrícola e infraestrutura, recebendo o epíteto de “João do Povo”.

Como um fenômeno eleitoral, ao final do seu segundo mandato, João Alves apoiou a candidatura do Senador Albano Franco ao lado do vice José Carlos Machado (PFL) para o governo do Estado, e, no segundo turno das eleições de 1994, após Albano ficar atrás no placar do primeiro turno, João Alves “caiu em campo”, com isso, então, virou o jogo com a votação maciça do eleitorado do interior, derrotando a oposição capitaneada por Jackson Barreto (PDT), que havia vencido o primeiro turno. Com isso, Albano Franco renunciou a metade restante do seu mandato no senado, assumindo, em seu lugar, o suplente José Alves do Nascimento.

Ocorreu que, em 1998, João Alves pretendia retornar ao Olímpio Campos, mas não contava com a aprovação da emenda constitucional 16/1997, que passou a permitir a reeleição nos cargos executivos, após sua aprovação pela Câmara dos Deputados, presidida pelo Deputado Federal Michel Temer (PMDB-SP), e pelo Senado (62 x 14), este em sessão solene que não durou mais que nove minutos, presidida pelo Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA).

Com isso, travou-se uma batalha de titãs, Albano Franco (PSDB), acompanhado do vice Benedito Figueiredo (PMDB), seguindo o exemplo do seu líder nacional Fernando Henrique Cardoso, lançou-se à reeleição, enfrentando de um lado a candidatura de Antônio Carlos Valadares (PSB) e do seu vice José Eduardo Dutra (PT), e de outro, o ex-governador João Alves Filho (PFL) e o seu vice Francisco Rollemberg (PTN). A eleição foi ao segundo turno: Albano x João.

Diante disso, abertas as urnas, João Alves conheceu a sua primeira derrota eleitoral, após apertadíssima disputa em segundo turno, que lhe rendeu 45,61% dos votos, mas, por outro lado, foi eleita a sua esposa, Maria do Carmo (PFL), como Senadora da República, que derrotou Jackson Barreto (PMDB) e José Almeida Lima (PDT).

Em 2002, de volta, Dr. João (PFL) disputou novas eleições para o governo do estado, dessa vez numa chapa puro sangue, ao lado da vice Marília Mandarino (PFL), novamente contra o agora Senador José Eduardo Dutra (PT), saindo-se vitorioso nas urnas, nos dois turnos. Com a vitória, João Alves alcançou a façanha, até agora única, de governar o Estado de Sergipe por três vezes.

No terceiro mandato, João Alves não contava com alianças políticas nos executivos federal e municipal, então chefiados por Lula e Marcelo Déda, respectivamente, o que não lhe rendeu facilidades, mas a coragem, a criatividade, a determinação do “Negão”, fizeram com que ele superasse as dificuldades e o “João Coragem” construiu e entregou mais um cartão postal, a maior ponte urbana do Nordeste, a bela Ponte Construtor João Alves, ligando os municípios Aracaju-Barra dos Coqueiros por sobre o Rio Sergipe, o que encurtou as distâncias entre a capital e o litoral norte do estado, facilitando o escoamento de produtos pelo porto, também por ele construído em 1994, com isso, gerou integração e desenvolvimento turístico e urbanístico à novas regiões.

Em 2006, João Alves Filho voltou a disputar eleições para o governo estadual, buscando sua primeira reeleição, quando concorreu, num pleito extremamente polarizado, entre a esquerda e a direita, com outro fenômeno eleitoral, o então prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, advogado e político talentoso, dotado de invejável oratória, com destacada passagem no legislativo, estadual e federal, e que vinha de dois mandatos sucessivos à frente do executivo municipal, e tinha como candidato a vice o atual governador do estado Belivaldo Chagas (PSB).

O resultado das urnas trouxe a segunda derrota eleitoral da chapa encabeçada por João Alves e seu vice Fabiano Oliveira (PSDB), no primeiro turno. João Alves apareceu com 45,02% dos votos e o terceiro colocado o advogado e deputado federal João Fontes (PDT) com 2,12%, o que demonstra bem a forte polarização entre as candidaturas de João e Déda. Por outro lado, mais uma vez, João Alves logrou a recondução de sua esposa Maria do Carmo para o segundo mandato no Senado.

Em 2010, novamente, João Alves voltou a disputar as eleições estaduais, tendo Nilson Lima (PPS) como candidato a vice-governador, agora contra a reeleição do então governador Marcelo Déda (PT), que tinha como vice Jackson Barreto (PMDB), que se saíram vitoriosos.  Para o Senado, são eleitos Eduardo Amorim (PSC) e Valadares (PSB).

Com a reeleição de Marcelo Déda ao governo do estado, Dr. João (DEM) se voltou as eleições municipais e disputou, em 2012, a prefeitura de Aracaju, vencendo, no primeiro turno, com 52,72% dos votos, o candidato da situação Valadares Filho (PSB), este, à época, apoiado pelo então prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B), que havia herdado a prefeitura de Déda em 2006 e depois fora reeleito em 2008.

Nas eleições municipais de 2016, João tentou a reeleição, após uma gestão bem complicada em razão do seu já debilitado estado de saúde, mas acabou ficando de fora do segundo turno, que foi disputado entre Valadares Filho (PSB) e o então ex-prefeito Edvaldo Nogueira, com a vitória deste último. Ainda assim, deixou mais um cartão postal a obra de recuperação e embelezamento do calçadão da 13 de Julho.

De lá para cá, o estado de saúde do Dr. João se agravou diante do implacável avanço do mal de Alzheimer e, por isso, foi levado para Brasília para tratamento, mas o quadro do ex-governador só veio a se agravar, que aos poucos foi lhe roubando a memória privilegiada e lhe dando a invalidez progressiva até chegar a uma espécie de estado vegetativo, em casa, onde foi montada uma UTI domiciliar.

Em 18 de novembro de 2020, João sofreu uma parada cardíaca e foi internado em estado grave. Três dias depois recebeu o diagnóstico de Covid-19. Logo veio a triste notícia de seu quadro de saúde ser “clinicamente irreversível”, diante da paralisação das funções renais e respiração por meio de aparelhos.

Faleceu na noite de 24/11/2020, no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, tendo a família decidido cremar o corpo, o que foi realizado em 26/11/2020, na cidade Valparaíso de Goiás. As cinzas do ex-governador deverão chegar em Aracaju, na próxima segunda-feira (30/11/2020), que deverão seguir em cortejo do aeroporto de Aracaju.

Parafraseando a carta deixada por Getúlio Vargas, sem dúvida, João Alves Filho saiu da vida para entrar para história. Deixou um legado de obras estruturantes e fundamentais para o desenvolvimento da sua amada terra natal, com realizações que o colocam no pedestal de um dos maiores homens públicos de Sergipe.

Foi um político com P maiúsculo. Um engenheiro de mão cheia. Um empresário bem sucedido. Um administrador público nato. Um estudioso inquieto e curioso. Um trabalhador incansável e sempre de prontidão.

Conhecedor como poucos da problemática nordestina, a sua defesa intransigente do povo e da causa sertaneja é inspiradora e sua história deve ser contada com orgulho por nós sergipanos, independente de ideologias político-partidárias. A sua postura simples, mas decidida somada a sua coragem e determinação são exemplos que devem servir como bússola.

João era também um ávido e incansável leitor. Intelectualmente privilegiado, foi também escritor e membro da Academia Sergipana de Letras, legando-nos importantes obras. Seus livros foram: Nordeste, Região credora (1985); No outro lado do mundo (1988); Amazonas & Nordeste – Estratégias de desenvolvimento (1989); Conferências (1990); Pontos de Vista (1994); Nordeste – Estratégias para o sucesso (1997); Transposição das Águas do São Francisco – Agressão à Natureza x Solução Ecológica (2000); Matriz energética brasileira – Da crise à grande esperança (2003); Toda a Verdade sobre a transposição do Rio São Francisco (2008); Transposição do São Francisco – Uma Análise dos aspectos positivos e negativos do projeto que pretende transformar a Região Nordeste.

Nunca flertou com o Poder Legislativo, sem dúvida, poderia ter sido eleito deputado ou senador. Não o foi por opção, era um homem decidido, de ação e de execução, que sabia bem o que queria.

Foi também um homem de posição firme e de lado, fiel ao seu partido e sua corrente ideológica, que sempre foi de direita, foi uma liderança coerente na sua história política, o que, certamente, foi decisivo para conquistar o respeito e reconhecimento até mesmo dos seus mais ferrenhos adversários, o que me faz lembrar da cerimônia de posse do saudoso Governador Marcelo Déda, no Teatro Tobias Barreto, quando, dignamente, João Alves compareceu para lhe passar a faixa de governador, momento em que, com a euforia dos correligionários vitoriosos, ensaiou-se uma vaia, que foi abruptamente interrompida antes mesmo de ecoar pelo salão diante da rápida intervenção sagaz e humilde do governador eleito que pegou o microfone e disse, mais ou menos, assim: “compreendo a alegria de todos, diante da nossa gigantesca vitória, mas ela só foi gigante porque vencemos um grande homem: o Dr. João Alves Filho”. Imediatamente depois da fala de Marcelo Déda, o ruído das vaias foi substituído por uma forte salva de palmas.

Todos esses predicados não lhe tiraram o farto senso de humor característico. Nesse sentido, como não falar da sua marcante gargalhada espalhafatosa? Pois é, o negão, como se autodenominava, ainda detinha algo especial: o invejável carisma e simpatia, além da inquietude intelectual e do caráter visionário de sua personalidade.

Enfim, vai-se um grande homem, ficam seus grandes feitos.

Se cometeu erros? Claro que sim, afinal se trata de um ser humano, naturalmente falível, com seus defeitos, mas isso não apaga, desmerece ou diminui a grandiosidade e a importância de sua trajetória político-administrativa. Nesse quesito democrático, não há unanimidade e nem precisa existir. Que as suas falhas também nos sirvam de lição e advertência.

Particularmente, confesso-me um apaixonado por história. Muitos dizem que conhecer a história é importante para não repetir erros do passado e que à história cabe o julgamento dos homens públicos, então, atrevo-me a prever a absolvição por aclamação do Dr. João, que ele faça a passagem em paz e desfrute da merecida imortalidade.

Nesse contexto, o presente texto não tem jamais a pretensão de “endeusar o morto”, mas sim de contribuir modestamente com o conhecimento da história de vida de um homem que administrou o Estado de Sergipe por três vezes e a capital por outras duas oportunidades, para somente então poder reconhecer os seus méritos e legado, e, com isso, poder aprender com seus erros e acertos. Afinal, foram 45 anos dedicados a vida pública.

Não é preciso com ele concordar, nem é preciso seguir, sequer é preciso admirar, tampouco ter votado, mas é sim necessário conhecer para reconhecer que se tratou de um grande homem público repleto de grandes feitos que o conferem página cativa no livro da história sergipana.

Portanto, independente de lado, preferências político-partidárias ou ideológicas, o fato é que João Alves Filho venceu as dificuldades e até o preconceito e, com muito estudo e trabalho, escreveu seu nome na história e se ele na reta final de sua vida já não tinha lembrança do tanto que fez por seu estado e por seu povo, nós, sergipanos, nunca devemos esquecer de mais esse grande sergipano.

Ouso dizer que, mesmo tendo discordâncias e divergências, sem dúvidas, reconheço em João Alves Filho um grande estadista visionário e um dos maiores líderes políticos da história de Sergipe, que, incondicionalmente, amou a sua terra e o seu povo, a quem serviu com dedicação por toda a vida, entregando aquilo que melhor ele tinha para dar: a coragem para pensar Sergipe e trabalhar por ele.

Intriga-me, por não me parecer justo, como um homem forte e decidido pode, na reta final de sua longa estrada da vida, enfraquecer a ponto de perder aquela invejável capacidade mental e física de outrora, mas esta é a realidade da vida e da morte. Por isso, a imortalidade humana está presente na forma como percorremos a  estrada da vida, quais caminhos e atalhos escolhemos trilhar, entre passos, saltos e tropeços, da largada até a chegada.

Por fim, por justiça, rogo que a memória de João Alves Filho não seja esquecida e fique sempre bem guardada na memória do povo sergipano.

Aos familiares, esposa, filhos, netos, irmãos, notadamente a minha  professora dos bancos acadêmicos Marlene Calumby, aos amigos e admiradores minha solidariedade.

Viva João Alves Filho!

Aurélio Belém do Espírito Santo

Advogado

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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