Kit de Sobrevivência?

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Nós, seres racionais, temos por natureza a faculdade de sentir prazer pelo que fazemos, temos uma necessidade imensa de mostrar o que de bom e bonito construímos, sempre queremos tornar público aquilo que porventura seja bom. Enaltecemos, com muita alegria, as boas atitudes que praticamos, o sucesso que conquistamos, comemoramos, enfim, a vitória que conseguimos: um curso superior, um casamento equilibrado, uma família organizada, filhos vencedores, uma casa bonita; ou simplesmente uma proeza sem muita importância num jogo de palitinhos. Temos prazer em proclamar: eu fiz, eu faço, eu realizei, eu construí…

Tudo muito natural, entre os mortais. Raros são os que não se importam em mostrar aquilo que de bom praticam nesta vida. Estes são os superiores, elevados, espíritos iluminados, que estão acima do comum humano: Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, João Paulo II etc.

Outros ainda sentem uma satisfação enorme em demonstrar que fazem cada asneira que para nós outros soa como coisa muito estranha. 

Está passando uma novela na qual um rapaz se junta com outros delinquentes para aprontarem confusões: na escola, na rua, nas festas… É cada situação que esse moço e sua quadrilha perpetram que parece ficção. Não é não, viu! É absolutamente real. Aquilo acontece em todos os lugares do Brasil e do mundo. Lamentável, mas é uma realidade e, o pior, quase sempre são bem apoiados pelos pais. Digo quase sempre, porque, em alguns casos, os papais são os últimos a saber.

Porém, até nestes atos, há o prazer de mostrar, de divulgar, de dizer: é isso aí! Eu sou o tal, eu faço isso com os “manés”, porque são uns otários.

Outros prazeres existem que, até parecem brincadeiras.

Eu conversava com um amigo e ele disse, como se aquilo fosse uma grande realização:

– eu bebo tooooodo dia, disse com orgulho, Tomo normalmente cerveja, mas, não tendo cerveja, eu bebo tudo e, na falta de qualquer bebida, eu tomo até ketchupe, mas tenho que beber todo dia. Somente nos fins de semana é que eu emendo começo cedo e só termino quando vou dormir. Disse tudo isso com um inexplicável prazer. 

Outra doideira, foi a mim contada pelo meu amigo Josivaldo. Disse ele que presenciou a seguinte cena, também referente à bebida.

Por força dos negócios que faz, teve que visitar um novo rico da cidade e escutou este diálogo entre aquele cidadão e sua esposa: “Mande alguém às compras de mantimento, pois a geladeira está vazia. Ah! não esqueça do meu “Kit Sobrevivência”:

Ele ficou intrigado com aquele pedido: kit sobrevivência? O que seria? Notou que o dono da casa, ainda moço, talvez uns cinquenta e oito ou sessenta anos, embora bastante obeso, não aparentava nenhum sintoma de doença grave que necessitasse de um “kit sobrevivência”.

Durante a realização do negócio, regado a muito whisky e alguns petiscos, a bebida, naturalmente dispensada por Josivaldo, sob a alegação de que não bebia quando estava trabalhando, preferia refrigerante o que gerou os protestos do dono da casa, mas, por fim, ordenou que o servisse outra coisa.

Negócio realizado, mas ainda pairava a dúvida. O que era o tal “kit sobrevivência”? Josivaldo, não resistindo à curiosidade perguntou. No que, o se anfitrião, parecendo já esperar tal pergunta, explicou prazerosamente: o meu kit sobrevivência é linguiça, picanha, queijo, salaminho, azeitona e, sobretudo, o meu Red 12 anos. Na minha despensa só restam três garrafas. Eu tomo no mínimo uma por dia e, nos finais de semana, sempre aparece gente e aí, tomamos três, quatro…

Agora digam, isso é kit sobrevivência?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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