“MADE IN USA”: a história da Fundação Rockfeller na saúde brasileira

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Jordana Pereira Rodrigues

Graduanda em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Texto produzido na disciplina História da América 3, ministrada pela Prof.ª Ma. Raquel Anne  Lima de Assis

E-mail: jo_rodriguespereira@hotmail.com

 

Cartazes de educação sanitária utilizados pela Secretária de Assistência Pública do Estado da Bahia em 1928. Fonte: História, Ciências, Saúde-Manguinhos (scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702019000401189)

 

O cenário são os anos iniciais do século XX no Brasil. Devido às dificuldades em diversas áreas do sistema sanitário e de saúde, o país sucumbia a uma série de epidemias de mazelas como a ancilostomíase, conhecida como febre amarela. Em virtude dessa necessidade latente, e do plano corrente dos Estados Unidos para as nações da América Latina, veremos a importância da aliança do governo brasileiro com a Fundação Rockfeller, objeto do nosso comentário neste texto.

A Rockefeller Foundation foi criada em 1913 para funcionar como mais um dos dispositivos do governo norte-americano na implementação da Política da Boa Vizinhança. O objetivo era atuar como uma fundação filantrópica, promovendo no exterior, e principalmente na América Latina, ações culturais, sanitárias e educacionais.

Dessa forma, em 1916, os cientistas da Fundação desembarcam no Brasil comunicando-se com outros especialistas e microbiologistas nacionais já famosos, como Adolfo Lutz e Vital Brasil. Iniciava-se, assim, uma relação de parceria entre os cientistas norte-americanos e brasileiros na erradicação da febre amarela.

Em São Paulo, é emblemática a atuação da Fundação Rockfeller, em conjunto com os Barões do Café e o governo estadual, para ampliar e aprimorar os serviços já existentes no sistema de saúde público do estado. No interior, o Código Sanitário Rural, que previa melhorias em sanitarização e acesso à informação para as pessoas, foi essencial para o combate as endemias nas cidades interioranas.

Ainda com os paulistas, a Fundação Rockefeller colaborou para a criação da Faculdade Medicina. No estado vizinho, Rio de Janeiro, os recursos oferecidos pelos norte-americanos tornaram possível o nascimento do primeiro laboratório de fabricação de vacina contra a febre amarela, no atual campus da Fiocruz.

Podemos dizer, assim, que durante os 26 anos em que a Fundação Rockefeller atuou no Brasil, apesar de parte de um programa político e da tentativa implícita de hegemonia do governo norte-americano, os benefícios para o país foram importantes. Com as bolsas de estudos concedidas, médicos brasileiros puderam ampliar seus horizontes de pesquisas sobre doenças endêmicas, bem como houve o crescimento na formação de enfermeiros no país. Além disso, a verba originada da Fundação ao Brasil permitiu a modernização na compra de materiais e insumos para postos de saúde por diversas cidades do interior do país.

Esse é, portanto, um exemplo que nos ajuda a compreender a importância das relações entre Brasil e EUA no século XX, que trouxe grandes benefícios para a saúde nacional e ainda possibilitou que o Brasil aumentasse suas relações no exterior.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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