MALTHUS ESTAVA CERTO?

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O britânico Thomas Robert Malthus, economista, demógrafo e sacerdote da Igreja Anglicana, viveu no final do século XVIII e início do século XIX (1766 -1834).  É conhecido pela formulação da teoria, segundo a qual: “a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética” e, em conseqüência, se nada fosse feito para criar barreiras e estancar este vertiginoso crescimento, a vida na terra estaria em um futuro não muito distante comprometida pela falta de alimento.

 

Pregava ser necessário adotar medidas positivas e preventivas, como o controle da fertilidade. Mas, dizia também que as guerras, as pragas e outras calamidades sociais e naturais, que aconteciam, já atuavam de forma saneadora e profilática na redução do crescimento em escalas desproporcionais. Assegurava, inclusive, que os vícios e as misérias que açoitavam a humanidade não deveriam ser atribuídos às instituições sociais, e sim à fecundidade da raça humana.

 

Ele era um pessimista e asseverava que uma das maneiras para evitar aquelas misérias: epidemias, guerras e outras catástrofes provocadas pelo excesso de população, residiam na restrição dos programas assistenciais públicos de caráter caritativo e na obrigação da abstinência sexual das pessoas que compunham as camadas menos favorecidas da sociedade.

 

Malthus estava certo? Realmente existe a possibilidade de a população mundial vir a perecer por falta de alimento?

 

Alguns demonstrativos são inquietantes e por isto, por mais otimistas que sejamos, sempre fica um pouco de dúvida. Os indicativos lógicos são absolutamente favoráveis às suas profecias.

 

Se considerarmos que no Brasil, por exemplo, nos últimos trinta anos do século passado, a população dobrou de “noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção…” (lembram-se deste hino?), para cento e oitenta milhões em 2000. Realmente é assustadora esta progressão.

 

Façamos um tosco comparativo. Como o Brasil já era habitado à época de seu descobrimento, e em 1970 éramos 90 milhões, deduz-se facilmente que seu aumento populacional foi inferior a esta última cifra. Se no ano 2000 a população brasiliana chegava à casa dos 180 milhões, o incremento demográfico foi de 90 milhões. Então, em apenas trinta anos (1970 – 2000) o crescimento absoluto da população brasileira foi superior ao dos 470 anos anteriores (1500 – 1970).

 

Ou seja, em apenas 30 anos, o desenvolvimento populacional foi igual ou superior aos 470 anos anteriores.

 

Diante de tais projeções temos que durante apenas 30 anos a população, no Brasil dobrou, crescendo em três décadas, aproximadamente a mesma quantidade dos últimos quatro séculos e meio, 1500 a 1970.

 

Pelo visto, a ampliação populacional estimada por Malthus está acontecendo, talvez até maior do que ele previra naqueles idos do século XIX.

No entanto, e por achar que a produção de alimentos cresceria sempre muito menos que a fabricação de bebês, ele sequer aventou a possibilidade de este quadro vir a se inverter. Ou seja, que a produção de alimentos também passasse a crescer como está acontecendo na atualidade em progressão geométrica.

Não previu o surgimento das modernas tecnologias, dos melhoristas, que vêm fazendo com que a produção e a produtividade, como um todo, também avançassem igual ou até mais do que crescimento populacional.

A profissionalização e as novas tecnologias que vêm tornando mais dinâmicas as atividades produtivas é uma realidade que deverá ser levada em conta.  

Tomando como exemplo apenas o milho, cultivado no Brasil, temos que a produtividade média nacional, na década de 70 era aproximadamente 2.000 kg/ha e que no ano 2000 já se produzia cerca de 6.000 e, em alguns lugares, até 8.000 kg/ha percebemos com muita facilidade que a produtividade no mínimo triplicou nos últimos trinta anos. No exemplo, foi considerado somente o milho, porém este progresso é visível em todas as fontes produtoras no Brasil e no mundo.

Poderíamos citar também a soja que se tornou, para o Brasil, uma das maiores fontes de renda.

A EMBRAPA realizou um trabalho belíssimo com outras culturas também. Todavia com a soja realizou um milagre: há trinta e poucos anos, soja era comida de porco. Em termos de exportação, o Brasil não vendia um grão sequer para outro país, Era, como chamam os técnicos, um “traço” na planilha de exportação. Hoje, no entanto, temos o orgulho de saber que somos um dos maiores produtores e exportadores desse produto no contexto mundial. Devemos isso, repito, à grande EMBRAPA, empresa do governo, orgulho do Brasil, que usando tecnologia nacional, com os seus valorosos Agrônomos Melhoristas, todos profissionais brasilianos e tecnologia nacional, legou ao nosso povo este prêmio.

O certo é que, durante as últimas décadas, ao que parece, a produção de alimentos, contrariando Malthus, tem crescido numa escala também geométrica e não aritmética como por ele afirmado.

Isso, repito, graças à modernização e à profissionalização que vêm tornando mais dinâmica a produção e a produtividade no campo e na cidade, desde a seleção da semente, preparo do solo, plantio, eliminação de pragas, até o armazenamento, embalagem, transporte e beneficiamento.

Faz-nos acreditar que Malthus equivocou-se. O ser humano vai sempre superar as adversidades. Mesmo porque há quem afirme, com entusiasmo, que estamos apenas no início e que este avanço na produtividade mundial “engatinha”, pois mal começamos a explorar as possibilidades da engenharia genética.

Os neomalthusianos, ao contrário, sustentam que sim, que a humanidade caminha a passos largos para o sacrifício, e têm argumentos fortíssimos, quase inquestionáveis, que devem ser levados em conta.

Alegam, em favor de sua teoria, que a Natureza está ficando cada vez mais pobre em seus recursos naturais e renováveis ou não, devido à intensiva e, às vezes, predatória, quando não irracional, exploração, o que tem contribuído para a quase exaustão dos seus recursos naturais e essenciais: excessiva sobrecarga de poluentes, clara diminuição territorial para o cultivo, má distribuição da produção, entre muitas outras. Não há, no momento, como se contestar tais fatos.

O presente cenário tem gerado turbulências e incertezas, mas, como demonstrado, cabe a cada de nós fazer a sua parte, quer no uso dos recursos naturais disponíveis, no manuseio das tecnologias que brotam a todo momento, quer no exercício do conhecimento – empírico ou científico, a fim de evitar que se concretize o vaticínio de Malthus.

Devemos ser otimistas, ter fé e acreditar que o homem sempre superará os obstáculos que se apresentarem à sua frente; pois, como disse FREUD “O homem é educável”. Sabemos, no entanto, que às vezes paga muito caro por essa educação. Mas, é o preço.

PENSEMOS NISTO!

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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