“Me poupem!”

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Em tempos de eleição, as nossas caixas de correio eletrônico recebem mensagens várias de conteúdo político. São os amigos que nos querem convencer das suas preferências político-partidárias, utilizando uma legítima prerrogativa que a liberdade e a confiança impõem, por companheirismo e intimidade.

 

Há outros, porém, que nos surgem em geração espontânea. São os vermes e bacilos do sistema. Não nos conhecem, mas ousam contaminar tudo. Entendem poder invadir a nossa privacidade, ousando a petulância de estabelecer rotinas para o descadastramento do nosso email de sua lista de remetentes, o que é mais uma chateação inoportuna.

 

A internet é um mecanismo indispensável à aproximação de pessoas e à permuta de informações. O problema é a gama de informações desprezíveis e inúteis, porque vale a pirataria, o avanço puro e simples para atingir um objetivo de conquista. E não temos muita defesa, sobretudo se o nosso email é público ou de algum modo conhecido.

 

Nestes casos inoportunos bom seria que tais mensagens fossem imediatamente conduzidas à lixeira, com resposta repelente, se possível.

Mas, vamos ao que interessa: Três conteúdos de mensagens me têm chegado. Uma é sobre Lula, o burro. A segunda é sobre Dilma, tida como burra também, terrorista e assassina perigosa, e o terceiro é o programa bolsa-família.

 

Debaterei os dois primeiros, porque o bolsa-família veio para ficar e ser imitado, onde é grande a desigualdade entre irmãos.

 

1º Tema; Lula, o Burro.

 

Depois de ter recebido por mais de dez anos mensagens falando da pouca instrução do Presidente Lula, sempre tachado de analfabeto, cachaceiro e apedeuta, sinônimo de pouca instrução e ignorância, o meu missivista se revela mais uma vez ignorante de mim e do mundo tridimensional presente.

 

Ignorantes de mim porque ao longo destes anos de temário, aqui, na infonet e alhures, tenho discorrido sobeja opinião constatando o bom desempenho, de sabedoria inclusive, do nosso Presidente, que não freqüentou universidades, mas na escola da vida tem se revelado um esmerado professor.

 

Mas há muitos apedeutas, isto é: ignorantes da nossa realidade tridimensional ou tetradimensional se aí incluirmos o antes, o durante e a perspectiva que desponta. Em quatro dimensões, o Brasil resta melhor com Lula, porque o Brasil era pior antes de Lula, que seja repetido o seu alcunha, como cunha delimitadora de seu rasto e unha, e porque o Brasil ainda terá saudade de Lula, se ousarmos destruir o que ele vem realizando.

 

Mas, eu falei também em cachaça. E os ignorantes de mim não sabem que isto não me torna insone. Pelo que sei, Lula bebe igual a mim, ou eu mais que ele.

 

Aliás, tenho verdadeira ojeriza aos que não bebem e querem que os outros não traguem, não comam e não transem. O inferno deveria sê-lhes aberto, a todos; aí incluídos os vegetarianos e os odientos inimigos das carnes vermelhas sangrantes.

 

Acho que não há pecado maior que a abstemia: uma santidade farisaica e preconceituosa de pureza deletéria que conflita inclusive, com a mensagem implícita da partilha do brinde e do pão ocorridos na última ceia de Jesus. Em simplicidade da Santa Ceia, o Mestre parece querer apenas dizer: “Que todos partilhem o pão como necessidade, e o vinho como tempero da vida”.

 

Ah, Lula! Se todos fossem iguais a você decretando a partilha do pão sem calar o milagre do programa bolsa-família, nem alegrar tantos críticos tolos, preconceituosos e malévolos, em dejetos de vinhaça!  

 

2º Tema: Dilma, a guerrilheira.

 

De nada adiantou a “chapuletada” dada pela então ministra Dilma Rousseff no senador José Agripino numa comissão parlamentar. Ali, viu-se uma mulher corajosa mostrar a homens acovardados e apequenados o que é resistir à intolerância.

 

Ah, mas isso não é importante! “Ela era guerrilheira! Ela matou, roubou, assassinou! Teve até um filho do Lamarca! Ah, esses jovens que nem conhecem a história: não sabem nem quem foi Lamarca!?” Gritava-me um circunstante nestes encontros da vida.

 

E eu cá com os meus botões: “Ah, estes velhos querendo refazer a história, inventando até um conúbio de Lamarca com Dilma, insinuando promiscuidade com sonhos tolos de liberdade.”

 

Pois é! Não conseguindo combater a candidatura dilmista em termos de programas, de idéias e de conceitos, procura-se criar um desserviço à história de vida das pessoas.

 

Se os guerrilheiros eram tão poucos em equivocado romantismo, que não lhes seja execrado o seu agir em quimera juvenil, querendo mudar o país e o mundo.

 

Pior, muito pior, foi quem fugiu, dizendo estar salvando a pele, quando em verdade estava se escafedendo da luta, mudando de lado, por privatista e entreguista; crime que os generais presidentes, em saudosa memória, nunca o cometeram.

 

Mas, se podemos bem falar em ruindade, bem pior foi o comportamento dos derradeiros defensores do regime militar, os envergonhados arenistas, escamoteando-se em sigla e pseudo-siglas, somando-se no apupo daquele governo caindo de podre.

 

Não estarão agora como bola da vez, perseguidos por não mais abafar a flatulência poupada e ruminada de conviva dos velhos banquetes palacianos?

 

Assim, deixemos os guerrilheiros com seus feitos heróicos e seus caminhos trágicos, que foram bem combatidos e repelidos, com o Brasil restando melhor e bem mais amadurecido.

 

Na impossibilidade de repelir as mensagens recebidas, entendo, que o próximo debate eleitoral deva ser realizado em bom nível de idéias, sem lembranças de guerrilhas, nivelando a curtição “sorbonnard” em goladas de vinho chileno, com porradas e eletrochoques genitais, nas tetas e nos paus de arara da sarjeta.

 

Finalmente, para entrar na moda, e usar um mote bastante repetido, concluo: “me poupem!” O Brasil pós-Lula não precisa mais desse dualismo picareta.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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