Meu Sobrinho Maconheiro

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Lisboa, 27 de julho de 2008

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Outro dia vi uma reportagem na tv sobre um adolescente que fumava maconha o dia inteiro e acabei lembrando de um sobrinho meu que é inegavelmente um maconheirinho de marca maior. 

O pimpolho em questão chama-se Asdrúbal e é daqueles que já acordam com os fones no ouvido ao som de Björk.

Depois de bater uma vitamina num copo inteiro de liquidificador e montar um sanduíche de metro, o desocupado já acende o primeiro morrão do dia. Ato contínuo, se esparrama no sofá ou entra na Internet onde cumpre o resto do expediente. Um peso e tanto para o meu irmão Epifânio e para Zulmira, minha cunhada claustrofóbica.

A primeira vez que levei a finada Zenóbia, minha ex-patroa sexagenária para visitar o dito marginalzinho, a pobre saiu de lá vendo dragão tamanho era o bafo de canabis do menino.

Outro dia, o pequeno marginal meteu-se numa enrrascada dos diabos. Ao comprar a sua cota semanal de pequenas drogas num bar de ponta de rua, ele e o próprio traficante foram vítima de um assalto à mão armada. O assaltante levou o dinheiro que Asdrúbal com muito sacrifício surrupiou da bolsa da mãe, a droga que estava sendo entregue e mais os celulares dos dois assaltados. Revoltados, vendedor e comprador chamaram a polícia.

Resultado: foram presos, respectivamente, como traficante e usuário. Não fosse a presença de espírito do meu irmão em molhar a mão do delegado, o inútil viciadinho ainda estaria mofando na cela da delegacia especial de combate às drogas ilícitas.

À propósito, um dia desses aqui mesmo em Lisboa, dois ladrões portugueses, coitados, ao invadirem uma casa que iriam roubar, deram de cara com um grupo de policiais que lá estava em busca de drogas. É o cúmulo da coincidência!

Os detetives foram surpreendidos quando os ladrões quebraram uma janela para entrar na residência. Quando viram os policiais, os dois ladrões fugiram em desabalada carreira, mas acabaram presos.

Agora, quando ao Asdrúbal, com esse negócio da Lei Seca aí no Brasil estou sugerindo ao meu irmão que importe o garotito para as terras de João Muamba. Dizem que a maconha não é acusada no bafômetro e que, por isso, está voltando a virar moda entre os notívagos biriteiros. Portanto antevejo que aí, o pequeno ignóbil terá muito mais perspectivas de futuro do que aqui em Portugal que é um país muito conservador e caretão.

Vou falar com uns maconheiros influentes que conheço aí na Barbosópolis. Nessas horas um “Quem Indica” sempre ajuda.

Até semana que vem.

U
m abraço do

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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