Musiqualidade

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L A N Ç A M E N T O

 

Cantora: MARINA ELALI

CD: “MARINA ELALI”

Gravadora: SOM LIVRE

É uma pena que a cantora Marina Elali tenha desperdiçado a oportunidade de lançar um primeiro CD à altura de seu talento…

Natural de Natal (RN), a bela morena tem o sangue artístico nas veias: é neta de Zé Dantas, um dos principais parceiros de Luiz Gonzaga. Assim sendo, é bastante natural a tendência da potiguar para a música.

Na verdade, justiça lhe seja feita, Marina canta muito bem. Dona de uma presença magnífica no palco (o público pôde comprovar isso na terceira edição do Programa “Fama”, no qual Marina foi um dos destaques), sua voz é bem trabalhada e tem alcance considerável. O seu timbre é bem pessoal, o que lhe garante ser facilmente distinguida das milhares de intérpretes que surgem todos os dias pelos quatro cantos deste país tropical, e Marina se sai muito bem tanto quando canta canções em tons mais baixos (quase sussurrando, o que lhe faz ressaltar o lado sensual) tanto quando se volta para notas mais altas (mostrando pleno domínio de sua extensão vocal).

O CD recém-lançado está saindo pela Som Livre, gravadora ligada ao Sistema Globo de Comunicações, o que certamente lhe garantirá chamadas em horário nobre, além de participações em programas globais de grande audiência. Sendo assim, é bem provável que o disco possa vir a alcançar boas vendagens. Então, onde é que está o problema?

Está basicamente no repertório escolhido. No encarte do disco, Marina deixa claro que teve liberdade suficiente para escolher por qual mares gostaria de navegar. Se assim foi de fato, a cantora derrapou feio na escolha. Optou por desgastadas versões de canções estrangeiras, emolduradas por arranjos programados à exaustão por Lincoln Olivetti. Se, a princípio, isso até pode lhe abrir as portas de execução em rádios de cunho mais comercial, a médio prazo pode vir a marcar o seu trabalho como descartável. Entre inoportuna versão feita pelo talentoso Totonho Villeroy para o hit “Love by Grace” (que se transformou em “Só Por Você”, escolhida como carro-chefe do disco) e dispensável regravação de “O Amor e o Poder” (sucesso maior da carreira da hoje esquecida cantora Rosana), os únicos bons momentos do CD são aqueles em que Marina mergulha na brasilidade, traço inato de sua personalidade: as faixas “Sabiá” (de autoria do seu já citado avô em parceria com o Rei do Baião) e “Você” (pérola romântica da dupla Roberto e Erasmo Carlos), esta última incluída na trilha sonora da novela “América”. Tomara, então, que, no próximo trabalho, dêem menos liberdade à garota…

 

N O V I D A D E S

 

·                     Jay Vaquer chega ao seu terceiro CD como a nova aposta jovem da gravadora EMI. O filho da cantora Jane Duboc vem com 11 faixas inéditas no disco “Você Não Me Conhece” que foi produzido pelo renomado Dunga. O trabalho deverá estar, até o fim deste mês, nas melhores lojas!

 

·                     O baiano Péri está lançando o seu quarto CD intitulado “Samba Passarinho”. Das doze faixas do repertório, dez são de sua própria autoria, dentre elas a canção “Voyeur” que a conterrânea Gal Costa terminou de registrar no seu mais recente disco. As duas regravações ficam por conta de “Meu Mundo é Hoje”, de Wilson Batista, e de “Dos Prazeres das Canções”, de Zé Miguel Wisnik.

 

·                     Depois do pouco sucesso comercial alcançado pelo seu último trabalho, o CD “Vaidade”, primeiro lançamento de sua própria gravadora, a Luanda Records, Djavan resolveu recorrer à eletrônica para voltar às paradas de sucesso. O alagoano está lançando o disco “Djavan Na Pista”, no qual são compilados alguns de seus maiores hits que surgem agora turbinados com levadas modernas.

 

·                     “Candonbless” é o titulo do mais novo trabalho em CD do baiano Carlinhos Brown. Chegando às lojas ainda este mês, o trabalho apresenta pontos de candomblé com linguagem eletrônica e leva a assinatura do competente Alê Siqueira na produção.

 

·                     Acaba de ser lançado o CD no qual Cláudio Zoli regrava sucessos do soul nacional. Sob o título de “Zoli Clube”, o disco reúne canções como “Coleção”, “Na Sombra de uma Árvore” e “Pra Que Vou Recordar o que Chorei?”. Como bônus, há ainda versões instrumentais e a capella de quatro faixas (“Acenda o Farol”, “Lábios de Mel”, “A Lua e Eu” e “Pensando Nela”).

 

·                     Arranjos sinfônicos dos maestros Thiago Costa, Fábio Prado, Newton Carneiro e Marcelo Ghelfi para algumas canções constantes dos oito discos já gravados por Ithamara Koorax (tais como “Olha Maria”, “Manhã de Carnaval e “Cry Me a River”), foram apresentados por ela juntamente com a Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo semana passada, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, sob os mais efusivos aplausos de uma platéia lotada.

 

·                     Lucas Babin, o intérprete do peão Nick em “América”, resolveu se lançar como cantor no Brasil, aproveitando o embalo do sucesso da confusa novela. O CD sai ainda este mês pela gravadora Som Livre, ligada à Rede Globo, e traz no repertório, dentre outras canções, “More than a Woman”, “Tiny Dancer” e “Little Girl”.

 

·                     Com lançamento pela gravadora Trama, chega agora em outubro às lojas o sexto CD da banda “Nação Zumbi” intitulado “Futura”. As 12 faixas do disco (que segue a linha psicodélica) foram produzidas por Scott Hard.

 

·                     Uma das cantoras de maior apelo popular na década de setenta, a excelente Eliana Pittman anda, há muito, ausente das paradas de sucesso. Com raríssimos títulos seus relançados no formato de CD, ela, que tem participado esporadicamente como atriz na novela “América”, vê uma oportuna coletânea de sua obra sendo lançada através da coleção “Maxximum”. Compilada pelo pesquisador e jornalista Rodrigo Faour, as 16 faixas selecionadas mostram o talento ímpar dessa grande artista através de faixas como “Kalu” (de Humberto Teixeira), “Capital do Samba” (de Noca da Portela), “Quem Dá Mais” (de Noel Rosa), “Maré Mansa” (de Martinho da Vila e Paulinho da Viola) e “Tristeza Chama Tristeza” (de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli). Vale a pena!

 

C A I X A     R E C O M E N D A D A


Em comemoração aos 70 anos recém-completados do compositor e pesquisador musical Hermínio Bello de Carvalho (que, para quem não sabe, foi o responsável por catapultar para o sucesso nomes como Elizeth Cardoso, Clementina de Jesus, Marlene, Alaíde Costa e Simone), a gravadora Biscoito Fino pôs no mercado uma caixa contendo cinco magníficos CD’s que resgatam praticamente toda a obra autoral do artista. Quatro deles são antigos e só haviam saído em vinil.

São eles: “Pastores da Noite” (disco do paraense Vital Lima, lançado originalmente em 1978 e que registra diversas belas parcerias entre ele e Hermínio, a exemplo de “Bandidos e Bandidos” e “Romanceiro”), “Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho” (lançado em 1982, no qual a cantora que provavelmente mais cantou as músicas de Hermínio, destilou rara sensibilidade em pérolas como “Doce de Coco” e “Estrada do Sertão”), “Lira do Povo” (que, em 1985, comemorou meio século de vida de Hermínio e contou com diversos convidados, tais como: Nara Leão, Nana Caymmi, Elizeth Cardoso, Marlene, Elza Soares e Clementina de Jesus) e “Cantoria” (que, dez anos mais tarde, em 1995, serviu de homenagem aos 60 anos do compositor e, mais uma vez, reuniu uma galera de peso: Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Ângela Maria e Elba Ramalho, dentre outros). O quinto CD que compõe a caixa é a grande novidade.

Produzido pela incansável cantora Zélia Duncan, o álbum inédito recebeu o título de “Timoneiro” (que também batiza a caixa) e conseguiu arrebanhar, de novo, diversos artistas que são fãs de carteirinha do trabalho do poeta de brancos cabelos cacheados. Assim, podem-se encontrar gravações memoráveis como as de Maria Bethânia (em “Cobras e Lagartos”), Simone (em “Mirra, Ouro e Incenso”), Mônica Salmaso (em “Ventania”) e Lenine com Zé Renato (em “Amigo é Casa”). Uma belíssima iniciativa que não há de precisar de mais dez anos para que possa voltar a ocorrer…

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br  

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