Musiqualidade

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M U S I Q U A L I D A D E 

 

R E S E N H A

 

Cantor: JORGE VERCILLO

CD: “D.N.A.”

Gravadora: SONY MUSIC

 

Jorge Vercillo é cantor correto, de alcance vocal considerável que, quando surgiu, teve seu nome imediatamente ligado ao de Djavan, não somente por conta de timbres semelhantes, mas também (e talvez principalmente) porque suas composições traziam fortes influências da obra autoral do artista alagoano. Os anos se passaram, Vercillo continuou na ativa e conseguiu cristalizar diversos sucessos (“Que Nem Maré”, “Monalisa” e “Homem Aranha” estão entre os maiores), transformando-se em um dos grandes vendedores atuais de discos no Brasil.

Ele começou a cantar em barezinhos por volta de seus quinze anos e, em 1995, lançou o seu primeiro CD (“Encontro das Águas”), produzido por Renato Corrêa. Em 1997, gravou o segundo disco (“Em Tudo que É Belo”) com uma estética mais pop. No entanto, foi somente em 2000, quando saiu o terceiro álbum (“Leve”, através da gravadora EMI), que ele veio a obter o reconhecimento por parte de uma fatia considerável do público com o estouro nacional da faixa “Final Feliz”. De lá para cá, vem lançando discos com uma frequência razoável e, embora ainda não tenha conseguido conquistar o apreço da crítica especialializada, é fato que vem esboçando um inquestionável amadurecimento, em parte por ter, a partir de 2005, se aberto a novas e salutares parcerias.

O novo CD intitulado “D.N.A.” chegou recentemente às lojas e marca a estreia de Vercillo na gravadora Sony Music. Como é informado no encarte, foi gravado em estúdio próprio e, por isso, tudo foi feito no tempo que ele julgou necessário e da forma que quis. Na verdade, não se trata de um disco sensacional, até porque as composições de Vercillo possuem, via de regra, uma pegada bastante característica, o que já termina dando a impressão de que ele começa a se repetir. No entanto, não é um trabalho menor em sua discografia. Muito pelo contrário, há nele muitos pontos positivos a serem explicitados.

Produzido pelo artista ao lado do tecladista Paulo Calazans e contando com o acompanhamento de “feras”, tais como Cláudio Infante na bateria, Marcelo Costa na percussão, Jessé Sadoc no flugelhorn, Glauco Fernandes no violino e Marcelo Martins no sax, entre outros, o álbum alterna bons momentos com alguns apenas medianos. Dentre as melhores faixas, podem-se citar “O Que Eu Não Conheço” (inspirada parceria de Vercillo com J. Velloso, tema gravado originalmente por Maria Bethânia no CD “Tua”), “Me Transformo em Luar” (que tem toda pinta de hit imediato) e “Ventos Elíseos”. Nada, no entanto, supera a força de “Há de Ser”, canção que abre o disco e que conta com a participação especial de Milton Nascimento. Os avais de Bethânia e Milton, nomes de ponta da nossa MPB, são, aliás, de fundamental importância para que Vercillo venha a ter o seu nome de fato consolidado. E ele deve saber disso, mas mesmo assim não se restringe a ter ao seu lado os grandes medalhões (e é claro que, hoje, poderia angariar outros facilmente, se assim quisesse). Corajoso, ele preferiu abrir o leque dos convidados e o fez contando ainda com as intervenções pouco convencionais de Filó Machado e de Ninah Jo. O primeiro, embora possua anos de carreira e seja admirado por gente que realmente entende do riscado, nunca conseguiu ver sua carreira deslanchada. Bom compositor e ótimo cantor, divide os vocais da faixa “Arco-Íris”, um samba-funk  que, em sua parte B, desloca-se para a salsa. A segunda é uma excelente cantora ainda praticamente desconhecida que batalha por um lugar ao Sol. Sua voz potente e afinada (que possui lampejos de Leny Andrade) mostra a que veio na balada “Memória do Pazer”, primeira parceria de Vercillo com sua esposa Gabriela.

Outras passagens que merecem destaque são a regravação de “Um Edifício no Meio do Mundo” (registrada anteriormente pela parceira Ana Carolina), o insuspeito samba “Verdade Ocultas” (com letra muito bem construída) e a inclusão, como faixa-bônus, da suave “Deve Ser” (criada ao lado de Dudu Falcão), canção que fez parte da trilha sonora da telenovela global “Viver a Vida”.

Jorge Vercillo segue na estrada mostrando talento e vontade de acertar. Entre altos e baixos, seu novo CD merece aplausos pelas boas intenções apresentadas…

 

N O V I D A D E S

 

· Bastante aguardado no meio fonográfico nacional, chegou recentemente às lojas o primeiro CD da cantora Tulipa Ruiz (agora assinando artisticamente somente Tulipa). Produzido pelo mano Gustavo Ruiz, o trabalho se intitula “Efêmera” e é composto por onze faixas. Dentre elas, somente a pop “Às Vezes” não é autoral: é da lavra do guitarrista Luiz Chagas, pai de Tulipa, o qual, aliás, participa ativamente do álbum. O canto da artista remete a várias influências, dentre elas, Tetê Espíndola, Ná Ozzetti e Gal Costa, mas nada que venha prejudicá-la a ponto de lhe turvar a identidade. Aguda e afinada com forte sotaque paulista, sua voz se destaca em meio a arranjos criativos que quase sempre passam ao largo do convencional e que contam com a intervenção de músicos jovens como Kassin (baixo), Donatinho (teclados) e Duani (bateria). Não é um trabalho que se apresenta digerível à primeira audição, mas aos ouvintes antenados ele se revela bem agradável depois que se começa a familiarizar com a sonoridade apresentada (que remete, em algumas passagens, aos Mutantes e, em outras, aos Novos Baianos, trazendo ainda fortes pitadas da música pernambucana atual). Como compositora, Tulipa alterna bons momentos (“A Ordem das Árvores”, “Pedrinho” e “Só Sei Dançar com Você”, esta contando com a participação vocal de Zé Pi) com outros razoáveis (“Aqui” e “Da Menina”). Os melhores momentos ficam por conta da inspirada faixa-título e da deliciosa “Sushi”.

 

· Cauby Peixoto mergulhou no cancioneiro de Frank Sinatra em CD e DVD gravados ao vivo durante show realizado em maio passado no Teatro Fecap em São Paulo. O registro do projeto chegará às lojas no comecinho do segundo semestre. Mas um próximo trabalho de estúdio, que somente será lançado em 2011, também já começou a ser formatado: trata-se de uma abordagem à obra do cantor norte-americano Nat King Cole.

 

· Os ótimos cantores Zé Renato e Renato Braz juntaram recentemente suas belas vozes no show “Papo de Passarim”, também realizado no Teatro Fecap em São Paulo. O encontro foi devidamente registrado e vai se transformar em CD e DVD que chegarão ao mercado até o final deste ano.

 

· O grupo Roupa Nova está prestes a comemorar três décadas de estrada e a coroação se deu com a recente gravação de show ao vivo que contou com as participações especiais de Milton Nascimento, Sandy e padre Fábio de Melo, além do grupo Fresno. O projeto chegará em breve ao mercado nos formatos CD e DVD.

 

· “Pessoas – Os 3 Geraldos” é o título do CD independente concebido e produzido por Carlos Fernando que condensa treze letras por ele escritas nas vozes de Geraldo Azevedo, Geraldo Maia e Geraldo Amaral. Dentre os melhores momentos estão as faixas “A Cara de Manu”, “Tardes em Casa Forte”, “Cuba do Capibaribe”, “Juju Julieta” e “Gênio Cru”.

 

· Já está disponível no mercado o novo CD do cantor e compositor Celso Viáfora. Intitulado “Batuque de Tudo” e por ele próprio produzido, é um trabalho independente que conta com a participação de vários convidados, a maioria artistas da nova geração paulista, o que denota o desejo de Viáfora em conferir novas baforadas à sua obra. Bom compositor e parceiro de diversos nomes, dentre eles Ivan Lins e Vicente Barreto (presentes no repertório respectivamente com as canções “Boa Nova” e “Voltar Pra Casa”), Viáfora apresenta um álbum aparentemente sem grandes pretensões, mas que possui ótimos momentos, como, por exemplo, a inteligente “A Pessoa”, a contundente “Quando Vi Meu Pai Chorar”, a realística “Partilha de Males” e a histórica “Dio-Zâmbi”, cuja letra narra a saga dos primeiros italianos quando chegaram em terras brasileiras para substituir o trabalho escravo. Dentre as participações vocais, o destaque maior fica indubitavelmente com Tatiana Parra, envolvente em “Desesquecidos”.

 

· O muito aguardado quarto CD de Vanessa da Mata chegará às lojas ainda em 2010 e será uma das prioridades de final de ano da gravadora Sony Music. A cantora já seleciona o repertório que contará com parcerias dela com Gilberto Gil e trará um arranjo bastante inusitado para “Perfume Barato”, tema inédito que a artista já canta em seus shows. A produção ficará sob o encargo de Kassin.

 

· Mesmo informando que o novo CD (provisoriamente intitulado de “Clímax”) só chegará ao mercado em 2011, a cantora Marina Lima já começa a cantar em shows algumas canções inéditas que deverão figurar no repertório. Dentre elas figura como destaque sua primeira parceria com Adriana Calcanhotto (“Não me Venha Mais com Amor”). Outras boas novidades são o samba “A Parte que me Cabe” e as baladas “Lex” e “Doce de Nós”. Quem viver, ouvirá!

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor

Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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