MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A    D E    C D    1

 

Cantora: ELIS REGINA

Título: “PÉROLAS RARAS”

Gravadora: UNIVERSAL

 

A gravadora Universal é detentora de um dos maiores acervos musicais do Brasil. Assim sendo, vem em muito boa hora a sua iniciativa de lançar a coleção intitulada “Pérolas Raras”, a qual visa a garimpar as melhores faixas avulsas de grandes nomes da nossa MPB, dispersas em álbuns de outros artistas, projetos, compactos e trilhas sonoras.

Muito feliz foi a idéia de dar início a tal projeto com um CD dedicado à inesquecível Elis Regina. Reunindo versões alternativas de alguns de seus grandes hits realizadas em compactos, discos de festivais e projetos especiais que ainda não tinham sido reunidas numa coletânea (algumas delas sequer tinham sido editadas em CD anteriormente), o disco mostra, em suas quatorze faixas, a explosão do talento da cantora gaúcha que melhor sintetizou a dualidade emoção e técnica.

No encarte, o pesquisador Rodrigo Faour explica o momento de gravação de faixa a faixa, num trabalho raro de precisa garimpagem.Difícil ficar imune ao ouvir canções como “Arrastão” e “Ensaio Geral”. Impossível não se emocionar com a verdade impressa nas interpretações de “Menino das Laranjas” e “Corujinha”. E em duas faixas resultantes de registros ao vivo, “Black is Beautiful” e “Ladeira da Preguiça” (esta em incrível dueto com Gilberto Gil), a Pimentinha (apelido pelo qual Elis ficou conhecida por ter um gênio explosivo) mostra o porquê de ser a maior cantora brasileira de todos os tempos.

É difícil prever como e o que Elis estaria cantando hoje, caso estivesse viva (ela faleceu em 1982, aos 36 anos, no auge da carreira). Mas a julgar pelo que fez enquanto esteve pessoa neste planetinha Terra, dá para imaginar que a baixinha estaria arrebentando cada vez mais, fazendo misérias mil com a sua voz abençoada e revelando muitos compositores novos, como fez com, dentre outros, Belchior, Milton Nascimento, Edu Lobo, João Bosco e Renato Teixeira. Áh, Elis! Que falta que você nos faz…

 

 

R E S E N H A    D E    C D    2

 

Cantora: ZIZI POSSI

CD: “PÉROLAS RARAS”

Gravadora: UNIVERSAL

O segundo CD da série “Pérolas Raras” também já se encontra nas lojas e compila gravações pouco conhecidas e/ou inusitadas de Zizi Possi.

Nele, a cantora canta “Coisa Mais Doida” (que fez parte da trilha do filme “Os Vagabundos Trapalhões”), “Ponte dos Suspiros” (ao lado do cantor Tunai) e “Pedaço de Mim” (em gravação ao vivo registrada no show em que explodiram uma bomba no Riocentro, em 1981). Há, ainda, dois temas de novelas compostos pela dupla Ivan Lins e Vitor Martins (“A Força”, de “O Todo Poderoso”, e “Silvana”, de “Vereda Tropical”) e um que fez parte da trilha do espetáculo musical “Aldeia dos Ventos” (a canção “Sempre Não É Todo Dia”, parceria de Oswaldo Montenegro e Mongol).

Zizi é cantora obrigatória em toda cedeteca que se preze. Seus primeiros discos (todos já relançados em formato CD) são antológicos. É bem verdade que a intérprete de voz bela e límpida perdeu um pouco o rumo de sua carreira na segunda metade da década de oitenta, ao gravar algumas canções descartáveis, mas se refez logo em seguida com os belos álbuns “Sobre Todas as Coisas”, “Valsa Brasileira”, e “Mais Simples”. Lançou também dois CD’s com repertório de canções italianas e um, o mais recente, contendo releituras próprias para grandes sucessos americanos.

No momento, o seu público fiel espera, ansioso, pelo próximo lançamento. E que venha ele em língua brasileira, pois Zizi sabe como poucas cantoras traduzir em beleza as obras do nosso cancioneiro nacional. A compilação recém-lançada – muito bem-vinda – serve para aumentar a saudade de seus admiradores e o desejo de todos por um trabalho inédito…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               O cantor e compositor Lenine foi contemplado com dois troféus na edição 2005 do Grammy Latino. O pernambucano abocanhou as categorias de Melhor CD Pop Contemporâneo (com o seu bom disco “Lenine In Cité”) e de Melhor Música (com a canção “Ninguém Faz Idéia”, parceria com Ivan Santos).

 

·               Terceiro lugar na última edição do programa “Fama”, veiculado pela Rede Globo, a cantora Evelyn lança, via gravadora Som Livre, o seu primeiro CD. Embora possua bom alcance vocal e considerável suingue, a garota não possui o carisma, por exemplo, de sua colega de programa Shirle de Moraes. No trabalho de estréia, a cantora deixa aflorar suas raízes e mergulha de cabeça no soul e no dance music. O resultado soa mediano porque entre boas interpretações, como nas regravações de “Mas Que Nada” e “Aquele Abraço”, surgem outras comprometedoras, como é o caso do que acontece em “Como Nossos Pais” e “Vapor Barato” (em versão copiada da lançada pela banda O Rappa, a qual desfigura totalmente a beleza da canção original). Fã declarada de Sandra de Sá, de quem se constatam fortes influências, Evelyn a homenageia com a inclusão de “Tô Indo Embora”, um dos melhores momentos do disco. Entre bobagens descartáveis como “Bem Melhor” e “Desaparecer”, a cantora sai-se melhor em “Hora da União” (hit do repertório da hoje esquecida Lady Zu) e na inédita “Demorou”, música que poderia perfeitamente fazer parte do repertório da previsível Ivete Sangalo.

 

·               Em nova empreitada levada a cabo pelo seu selo, o Duncan Discos, a incansável Zélia Duncan faz chegar ao mercado, ainda este mês, o novo CD da compositora e cantora Lucina intitulado “A Música em Mim”.

 

·               Por sua vez, Belchior estará entrando, em breve, em estúdio para começar a gravar um disco de inéditas, o qual deverá chegar ao mercado no segundo semestre. O trabalho vem em muito boa hora porque o artista é um grande compositor e vinha lançando continuados e cansativos projetos de regravações de seus maiores sucessos.

 

·               A trilha sonora do filme “Mulheres do Brasil”, da cineasta Malu de Martino, mistura gravações antigas (“Esse Cara”, com Maria Bethânia) com faixas gravadas especialmente para o projeto (“Mar e Lua”, com Leila Pinheiro). Já está nas lojas!

 

·               Durante anos, Aldir Blanc foi conhecido como o letrista das belas melodias confeccionadas pelo excelente João Bosco. Uma briga entre os dois (cujos motivos até hoje não foram esclarecidos) fez com que rompessem, durante quase duas décadas, uma parceria que gerou pérolas como “O Bêbado e a Equilibrista”, “O Ronco da Cuíca” e “Corsário”, só para ficar em três exemplos. Os anos fizeram com que os antigos parceiros se reaproximassem e isso fica nítido no CD “Vida Noturna”, um lançamento da Lua Music, o primeiro em que Aldir se arrisca a cantar. É bem verdade que, antes, ele já tinha tentado enveredar pela seara de intérprete, mas foi em um CD comemorativo e que contava com a presença de diversos outros artistas. O atual comprova sua real vontade em passar para frente do palco e se o mostra como um cantor com poucos recursos vocais também comprova que, para as canções escolhidas a dedo, o poeta não chega a fazer feio. O álbum segue uma linha melancólica com arranjos que salientam as intenções dos versos sempre contundentes e  muito bem construídos, o que já lhe é uma característica própria. João Bosco participa da faixa-título e de “Me Dá a Penúltima”, mas há outras presenças ilustres: Moacyr Luz (em “Recreio das Meninas”), Hélio Delmiro (em “Constelação Maior”) e Guinga (em “Cordas”) completam o time de feras. O disco fecha com a já antológica “Resposta ao Tempo”, uma prova inconteste do talento criativo de Aldir.

 

·               A gravadora Universal repõe em catálogo o histórico encontro de Gilberto Gil e Jorge Ben que resultou no álbum “Gil & Jorge – Xangô Ogum”, lançado originalmente em vinil no ano de 1975.

 

·               No maior sigilo, a gravadora Warner filmou show de Maria Rita realizado recentemente na casa de espetáculos Claro Hall, no Rio de Janeiro, para transformá-lo em DVD que deverá chegar ao mercado no segundo semestre. Dentre as canções presentes no repertório, estão “Menininha do Portão”, “O que Sobrou do Céu” e “Ciranda do Mundo”.

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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