Musiqualidade

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R E S E N H A

Cantora: SILVIA MACHETE
CD: “SOUVENIR”
Gravadora: COQUEIRO VERDE RECORDS

A cantora Silvia Machete nasceu no Rio de Janeiro e começou a carreira como artista de circo e street performer, primeiro na França e depois nos Estados Unidos. Foi quando voltou a morar no Brasil, no entanto, que resolveu abraçar de vez a música como mola propulsora de vida, passando a atuar também como compositora e hoje possui canções em parceria com importantes nomes da nossa música popular, tais como Erasmo Carlos, Hyldon e Edu Krieger.
Uma das mais interessantes intérpretes da atualidade, ela sabe dominar o palco como poucas e se joga de cara nas invencionices que costuma criar para cativar o público sem medo de ser feliz. Em 2010, chegou, inclusive, a ganhar o prêmio de melhor show pela respeitada APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Após lançar quatro CDs e 2 DVDs, acaba de chegar ao mercado, através da gravadora Coqueiro Verde Records, o seu mais novo projeto músical: trata-se do álbum intitulado “Souvenir”, o qual foi produzido por ela própria ao lado de Fabiano França e se faz composto por onze faixas, entre temas inéditos e regravações de músicas conhecidas.
Dentro do espírito bem humorado e provocador, Machete sabe escolher as músicas mais adequadas para se deliciar com uma característica pegada pop, geralmente cativando o ouvinte desde a primeira audição. Dona de bonito timbre vocal, agudo e afinado, ela sabe projetar a voz das formas as mais variadas, adequando-se com desenvoltura aos temas e sensações próprios de cada canção.
A sonoridade gostosa, boa para dançar e que transporta para um ambiente de lual se apresenta na faixa de abertura, a inédita “Totalmente Tcha Tcha Tcha”, fornecida por Eduardo Dussek, e se renova em “Ba Be Bi Bo Bu”, parceria de Jorge Mautner com Rubinho Jacobina.
Demonstrando constante crescimento musical, Machete assina sozinha um dos melhores momentos do disco, a inspirada “2 Cachorros”, gravada com voz redondinha que, mais adiante, é empostada propositalmente para dividir com a convidada Angela Ro Ro os vocais da passional “Tango da Bronquite”, de autoria desta. Outros destaques ficam por conta da libertária “Trapézio” (de Jorge de Palma, cujo arranjo se desenvolve em um crescendo) e de outra inédita, a animadinha “Nada”, canção que foi presenteada a Machete por Moraes Moreira.
Completam o repertório selecionado com esmero pela artista: “Espetáculo” (de Sérgio Godinho), “Ringard” (outra de Rubinho Jacobina, agora sozinho e com letra em francês), “Tatuagem” (de Chico Buarque e Ruy Guerra, em desconcertante versão) e “História de um Início” (de Arthur Dutra), estas duas últimas gravadas em Nova York somente com o piano e o wurlitzer de Jason Lindner.
Cercada por músicos que entendem perfeitamente sua proposta musical, caso de Pedro Sá e Fabiano Krieger (guitarra), Alberto Continentino (contrabaixo), Pupilo (bateria) e Jam da Silva (percussão), Silvia Machete realizou um disco bastante apropriado e que se consubstancia como mais um importante tijolo na construção de uma carreira coerente que lhe vem possibilitando grandes conquistas. É, essa garota promete e certamente ainda vai aprontar muito por aí!

N O V I D A D E S

* Exatamente de hoje a um mês, a cantora Raquel Delmondes estará lançando oficialmente, no Teatro Atheneu, o seu segundo CD. Intitulado “Vem Cantar Meu Samba” e produzido pelo violonista Marcus Ferrer, o álbum se faz composto por doze faixas, onze delas assinadas por compositores sergipanos (a exceção é “Quem Cantar Meu samba”, de O. Lacerda e Frazão). Ponto pra ela que concebeu um disco muito legal que mostra, logo à primeira vista, um crescimento artístico considerável. Boa cantora, dona de um timbre bastante pessoal, ela escolheu o caminho mais difícil: o da música de qualidade. Adotou o samba como mote de sua carreira e conseguiu realizar um trabalho bem mais interessante que o primeiro, musicalmente falando. Os arranjos merecem destaque pela propriedade e execução e dentre os melhores momentos do repertório estão as faixas “Matreiro” (de Joésia Ramos e Maria Cristina Gama), “Doce Recordação” (de Mingo Santana e João Rodrigues), “Femenaflor” (do saudoso Sérgio Botto em parceria com Guilherme Godoy), “Eu Mais que Eu” (de Gilton Lobo) e “Antagônico” (de Rubens Lisboa).

* O primeiro DVD solo de Pedro Luís será gravado ainda este ano durante apresentação a ser realizada no Rio de Janeiro. Com a coprodução do Canal Brasil, o repertório do projeto vai se concentrar em músicas do mais recente show do artista (“Por Elas”, o qual se fez centrado em músicas dele que foram lançadas nas vozes de cantoras).

* E enquanto o octogenário cantor e compositor paulistano Germano Mathias está lançando um CD temático sobre futebol (“Meu Samba é de Futebol!”), o grande sambista carioca Monarco faz chegar às lojas o CD “Passado de Glória – Monarco 80 Anos”, o qual conta com as participações de Beth Carvalho, Cristina Buarque, Marisa Monte e Zeca Pagodinho. Saúde, sucesso e vida longa a ambos!

* Stéphane San Juan é um baterista francês que mora no Brasil há mais de uma década e que está a lançar por estes dias o álbum “Système de Son”. Há a participação especial de Tulipa Ruiz. A conferir!

* O cantor e compositor Vital Farias vem prestando bons serviços à música popular brasileira em geral, embora seu nome seja mais associado ao cancioneiro nordestino de raiz, muito talvez por ter participado do vitorioso projeto “Cantoria”, lançado em dois volumes (1984 e 1988). Paraibano, é nítida a influência dos cantadores e repentistas que ouviu na infância, o que fez com que suas canções se caracterizem por acentuado caráter regional, aliado ao forte apelo da poesia popular de cordel. Aos dezenove anos, ele montou uma banda ao estilo dos Beatles e, em seguida, começou a estudar violão no conservatório de João Pessoa. Em 1975, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde chegou a trabalhar, como músico, na peça "Gota d'Água", de Chico Buarque. Vital possui canções bastante conhecidas que foram gravadas por nomes como Marília Barbosa e Fábio Jr. (“Caso Você Case” e “Ai que Saudade d’Ocê”, respectivamente). Durante sua trajetória, lançou poucos discos e o mais elogiado foi, sem sombra de dúvida, “Taperoá”, de 1980, que acaba de voltar ao catálogo em edição remasterizada pela gravadora Kuarup. Desse álbum, composto por onze faixas (dez delas autorais, incluindo a instrumental “General da Banda”), fazem parte, dentre outras, as belas “Pra Você Gostar de Mim” e “Veja (Margarida)”, canções que se tornaram conhecidas nacionalmente por conta dos irrepreensíveis registros de Rita Beneditto e Elba Ramalho. Mas há, no repertório, outros temas bastante interessantes, caso de “Assim Diziam as Almas”, “Repente Paulista”, “Tema de Beija-Flor” e “Meu Coração por Dentro” (esta uma parceria entre Herman Torres e Salgado Maranhão).

* A Universal Music estará lançando até o final deste ano uma caixa que contemplará onze álbuns lançados por Paulinho da Viola entre 1968 e 1979. Remasterizado pelo engenheiro de som Ricardo Garcia, o projeto trará também um CD adicional com gravações avulsas feitas pelo artista durante o período.

* Thiago Martins é um jovem ator global que vem se destacando entre os colegas de sua geração pelo talento e versatilidade na arte de interpretar. Egresso do grupo Nós do Morro e morador da favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, ele, que já cantava em banda há certo tempo, acaba de mergulhar na carreira solo através do lançamento de um homônimo CD de estreia que acaba de chegar às lojas através da gravadora Coqueiro Verde Records. Com a produção musical a cargo do baixista Wilson Prateado, o álbum se faz composto por quinze faixas. E se o repertório não se faz o ponto alto do trabalho, o artista se mostra seguro e afinado no quesito cantor. Com voz bem colocada e de interessante timbre, ele conta com a participação especial da onipresente Ivete Sangalo em “Reprise”, faixa que, se bem trabalhada, poderá se transformar no primeiro sucesso musical dele. Entre flertes com o funk (“Tira a Minha Paz”), o pop (“Voo Livre” e “Por Esse Ângulo”), o afoxé (“Por Onde Andará”) e o rock (“Não, Não, Não”), Thiago chega a assinar com parceiros algumas faixas (entre elas estão “Passinho”, feita com Ronaldinho Gaúcho, e “Adeus”, composta ao lado do também ator Micael Borges).

* O primeiro álbum de estúdio do grupo paulistano 5 a Seco será lançado em setembro e se intitulará “Policromo”. Deve vir coisa muito boa por aí!

* A cantora e compositora Ceumar lança ainda este mês o CD “Silencia”, cujo repertório inclui composições dela própria (sozinha ou em parceria) e canções de autores como Vitor Ramil, Kiko Dinucci e Miltinho Edilberto.

* Já na estrada há alguns anos, Moreno Veloso, o primogênito de Caetano, está lançando o seu segundo CD solo (o primeiro, um registro ao vivo, saiu somente no Japão). Trata-se de “Coisa Boa”, uma produção independente capitaneada por ele ao lado do guitarrista Pedro Sá. Dono de voz suave, Moreno vem se revelando um compositor inspirado, conforme se pode constatar através do repertório desse novo e interessante álbum, o qual se faz composto por onze faixas, dez delas autorais, algumas assinadas ao lado de parceiros como Domenico Lancellotti e Quito Ribeiro (completa o set list “Num Galho de Acácias”, versão feita para o português por J. Carlos de “Un Peu d'Amour”, tema de Stanislao Silesu e Nilson Fysher). Há faixas muito legais, como “Lá e Cá” (gravada originalmente por Nina Becker) e “De Tentar Voltar”, e o artista soube beber em fontes que vão do pai famoso (há, sim, ecos do Caetano de outrora na bonita “Em Todo Lugar”) a Jorge Ben Jor (a pueril “Jacaré Coruja”). Entre singelo acalanto (a canção-título) e flerte com o ijexá baiano (em “Verso Simples”), há espaço até para incursão em tema composto e cantado em japonês (“Onaji Sora”). Moreno revela-se ainda um entusiasta do samba de roda característico do Recôncavo Baiano (em “Não Acorde o Neném” e “Um Passo à Frente”, esta gravada anteriormente por Gal Costa), elevando, nas duas faixas, a temperatura do disco que, no geral, se banha em águas calmas, caso de “Hoje” (outra canção já eternizada pela madrinha Gal) que fecha o trabalho com chave-de-ouro. Um CD bem bacana que vale a pena ser ouvido muitas vezes!

RUBENS LISBOA é compositor e cantor.
Apresenta o quadro "Musiqualidade" dentro do programa "Canta Brasil”, veiculado pela Aperipê FM todas as segundas-feiras, às 10 horas.
Quaisquer críticas e/ou sugestões a este blog serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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