No velho agito de lagartixa

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O encontro aconteceu no dia 7 de maio, já distante, e não era para se falar mais

Era para ser uma tola entrevista da rede de TV, CNN-Brasil, com a atriz Regina Duarte, recém nomeada Secretária da Cultura do Governo Bolsonaro.

Todavia, como ficou comum por má-fé desta mesma imprensa, sobretudo nos contatos gravados e ao vivo, procura-se transformar um evento que deveria ser jornalístico, por informativo apenas, em um fuzilamento, ao vivo e em cores, em que o convidado só sairá bem se restar ferido, indefeso, e em lágrimas se possível, pedindo perdões por mil pecados acusados.

Neste contexto, alguém já disse que tudo vale à pena, inclusive, ó, que terrível!, “dar o furo, pelo furo!”

Com Regina Duarte, porém, o furo jornalístico deveria ser de outro jeito, mesmo que em covarde mau jeito, para lhe tirar proveito, ferindo-a, sorrateira e despercebidamente.

Não fora assim que lhe parecera o repórter Adjuto, posando de impoluto comunicador, quando do convite ao noticiário da CNN?

Alguém pensaria que um convite terno e acolhedor de um repórter pudesse esconder um estilete camuflado, enquanto capa de um furtivo toureiro, que todo se enfeita, só para o desengano da rês, na vil arena?

O estilete jaz escondido na capa do toureiro para o desengano da rês.

Teria sido correto engodar a amena Regina com palavras melífluas, invitando-a para aquele palco, só para lhe cobrar uma contracena, que jamais lhe caberia encenar ali, qual seja, a de defender-se, a tantos libelos assestados e fajutos, por ter aceito a missão de servir a um Governo como o de Jair Bolsonaro?

Só porque em tantos contextos mais-que-fajutos, e até do Adjuto, nunca remidos nem aceitos em plena democracia, o Governo Bolsonaro jamais deveria ter sido eleito, e o foi; era para ser morto a facadas e sobreviveu; não era para ser empossado e o foi; é para ser derrubado e não o foi, ainda; era para ser vaiado, mas continua aplaudido vivamente, e sempre mais!

E aplaudido até por Regina Duarte! Aquela que fora tão doce “namoradinha do Brasil”; uma excrescência tumoral para o apresentador!

– “Um governo que defende Brilhante Ulstra, um torturador!” – Perguntava enojado o repórter Adjuto, para uma Regina, que iluminada fazia elogios ao Mito, presidente, criticando quem fica “cobrando por coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80”.

– “Gente, vamos embora, né, vamos embora pra frente, ‘pra frente, Brasil, salve a Seleção; de repente, é aquela corrente pra frente’. Não era bom quando a gente cantava isso?” – refutava a atriz lembrando a música da Copa do Mundo de 1970, estigmatizada pela esquerda como associada historicamente à propaganda ufanista do regime militar brasileiro.

Um entendimento que o Jornalista não só discorda, com todo o direito, mas que o execrava, indevidamente, recalcitrante e inconveniente: “É que foi um período muito difícil, tem muita história, muita gente morreu na Ditadura. Essa é que é a questão”.

E aquilo não era questão para ali citar, nem mesmo contrapor, por inconteste, afinal há nisso tudo muita falácia e controvérsia, tudo fora do assunto da entrevista, afinal Regina fora convidada para falar sobre o que se iria fazer com a Cultura, ou melhor, com a Secretária da Cultura, esta pústula governamental, digo eu, que bem merecia lancetar, não fossem as patrulhas crocitantes ali enrabichadas.

Sem reclamar do soco no fígado recebido, a secretária até que o rebatera bem, sobretudo também, e agora, com as cem mil mortes da Covid sendo ultrapassadas, quando tisnam o Presidente Bolsonaro como um genocida, pior que o vírus: “Cara, desculpa, eu vou falar uma coisa assim: na humanidade, não para de morrer. Se você falar ‘vida’, do lado tem ‘morte’. Por que as pessoas ficam ‘oh, oh, oh!’? Por quê?!”.

– “É que houve tortura, secretária. Houve censura à cultura”, teimou o repórter.

– “Bom, mas sempre houve tortura”, replicou a atriz. – “Meu Deus do céu… Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Se a gente for ficar arrastando essas mortes, trazendo esse cemitério… Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas e não desejo isso pra ninguém. Eu sou leve, sabe, eu ‘tô’ viva, estamos vivos, vamos ficar vivos. Por que olhar pra trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões”.

Isso, porém, não era importante. Nem antes, nem agora, com as cem mil mortes, porque o extraordinário é que há mortes que merecem ser carpidas e outras nem tanto.

No dia da entrevista, por exemplo, a morte mais chorada era a do compositor Aldir Blanc que foi celebrizado na voz de Elis Regina.

Justamente a de Aldir que falecera esquecido, quase abandonado, numa indigência total, por todos, inclusive pela esquerda que cobrava uma mensagem de luto da Secretaria da Cultura e de Regina, Secretária, com carimbo e folha timbrada, para melhor execrar como farsesca.

– “Mas, eu não o conhecia!” – Eximiu-se a Secretária, sem farsa – “O conhecimento existe ou não”.

Melhor poderia, digo eu, repetir o aforismo popular: “Defunto, igual a Santo que não conheço, nem rezo, nem ofereço”.

E aqui eu paro com Regina Duarte, porque a entrevista não atingiu o objetivo fulcral e definitivo de aniquilar, já, ali; o governo Bolsonaro.

Fulminou apenas a atriz, ferida pelo cerceamento ideológico que se agita qual rabo de lagartixa, com saudade de quem o nutria.

Quanto às mortes, as redes televisivas e a imprensa escrita enalteceram o luto decretado pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal com as cem mil mortes ultrapassadas.

Para estes, a dor se faz menor com o luto timbrado e a bandeira ao meio pau, da Toga e dos casacas, só para meter o pau no governo Bolsonaro, o menos culpado, deles todos, pela má gestão do Covid.

Como nesta ingestão há uma excedente indigestão política, vale lembrar duas lições sobre a morte.

Frase atribuída a Joseph Stalin.

 

A primeira, uma frase sabiamente atribuída a Joseph Stalin, o ‘doce pai dos povos’: “A morte de uma pessoa é uma tragédia, a de milhões, uma estatística”.

 

 

A segunda, de uma sublime ternura, quase prece em súplica, vem de John Donne, poeta inglês: “A morte de cada homem diminui-me, porque eu faço parte da humanidade; eis porque nunca pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”.

Os sinos dobram por todos.

 

Hoje, os sinos não dobram mais; nem pela morte trágica de um somente, nem de cem mil ou mais.

 

Importante, para esta calamitosa imprensa, não é o sino, o seu dobre, ou o seu inútil rebadalo, o importante é badalar oiças e ouças contra Jair Bolsonaro, e este continuar a persistir, mais do mesmo, como se apresentou previamente ao eleitorado que o escolheu.

Quanto às tragédias, como não lembrar do Líbano que ainda não explicou o porquê de armazenar tanto nitrato de amônio, sem cheiro nem rasto?

Não choremos pelo rabo da lagartixa aparado; ele se regenera.

 

Ali como aqui, ninguém sabe o porquê de o povo querer invadir e apedrejar o Parlamento e seu Judiciário, com bandeira a meio pau ou no pau inteiro.

 

0 resto é muito meneio de cauda de lagartixa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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