Número de jornalistas mortos cai,radialista não é citado

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O Brasil, um dos países mais violentos do mundo para se praticar o jornalismo, registra progressos no balanço de 2014 sobre a violência contra jornalistas, segundo levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O relatório anual da entidade, “Balanço da Violência contra Jornalistas 2014”, publicado no último dia 16, em Paris, indica que dois profissionais brasileiros foram assassinados este ano, no exercício da profissão, contra cinco casos em 2013.

O levantamento não leva em conta a morte de dois radialistas, um deles o sergipano Iran Machado Correa, assassinado na manhã da última segunda-feira, 22, em Itabaiana. E nem o assassinato do jornalista Marcos Leopoldo Guerra, que morreu na madrugada de quarta-feira, 24, após ser atingido por três tiros dentro da residência em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Ele era responsável pelo blog “Ubatuba Cobra”, que fazia acusações e denúncias contra políticos da cidade e já tinha sido ameaçado antes.

O sergipano Iran tinha 56 anos, trabalhava como repórter esportivo nas rádios São Domingos FM e Capital do Agreste e foi morto a tiros na porta de casa, no Conjunto Francisco Teles de Mendonça, quando chegava do trabalho. O crime foi executado por dois homens que estavam numa moto, prática corriqueira em crimes de mando.  Ainda não se sabe se o crime está associado à atividade profissional dele. Em outubro de 2012, o radialista Edmilson de Jesus, conhecido como Edmilson dos Cachinhos, foi executado dentro dos estúdios da rádio Princesa da Serra, em Itabaiana.

Os brasileiros mortos listados pela RSF são o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, e Pedro Palma, diretor do jornal Panorama Regional, distribuído no interior do Rio. Andrade foi atingido por uma bomba caseira quando cobria um protesto, em fevereiro, no Rio de Janeiro. Na mesma época, Palma foi abatido a tiros na porta de sua casa, na cidade fluminense de Miguel Pereira. Ele investigava casos de corrupção envolvendo prefeituras da região. Não consta na lista o radialista Edy Wilson da Silva Dias, morto por pistoleiros, por razões desconhecidas, em Pinheiros, norte do Espírito Santo.
No mundo, 66 jornalistas foram assassinados em 2014 − 7% a menos do que no ano passado −, de acordo com a RSF. No ano passado, foram 71 mortes. Mas a entidade adverte para um aumento expressivo dos sequestros de jornalistas, que cresceram 37% em um ano.

Em 2014, a Síria continuou sendo o país do mundo com o maior número de jornalistas assassinados, 15 profissionais, seguida no ranking da RSF pela Faixa de Gaza (7 assassinatos), o leste da Ucrânia (6), o Iraque (4) e a Líbia (4). A maior parte dos assassinatos aconteceu em zonas de conflito.

Em 2013, o Brasil foi considerado o país mais violento para o exercício da profissão de jornalista em todo o continente americano. Com cinco jornalistas mortos no país em 2013, o Brasil passou o México (duas vítimas), considerado um "país muito mais perigoso (do que o Brasil)", diz o relatório da RSF daquele ano. Em 2012, 11 jornalistas foram mortos no país. Em 2011 foram registradas 6 mortes.

Desde 2008, 31 jornalistas já foram mortos no Brasil.

Apesar do número de mortes ter diminuído, a RSF denuncia uma mudança no tipo de violência sofrida pelos profissionais do setor, "com assassinatos cada vez mais bárbaros". "Repórteres têm sido 'instrumentalizados' na propaganda de grupos extremistas, vítimas de ameaças e decapitações filmadas", diz o relatório.

A RSF cita os casos do cinegrafista iraquiano Raad Mohamed al-Azaoui e dos jornalistas americanos James Foley e Steven Sottloff, mortos pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico, no Iraque e na Síria.

Sequestros
Os sequestros de jornalistas deram um salto em 2014, com um aumento de 37% das ocorrências. Foram 119 casos este ano, contra 87 em 2013. Ucrânia, Líbia, Síria, Iraque e México, pela ordem, registraram o maior número de jornalistas sequestrados. Na lista de zonas mais perigosas para o exercício da profissão aparecem, pela ordem, Iraque, Síria, Líbia, Paquistão e Colômbia.
Os dados sobre a violência contra jornalistas são eloquentes: além dos assassinatos e sequestros, 853 jornalistas foram presos em 2014, 1.846 ameaçados ou agredidos e 130 precisaram se exilar, de acordo com o balanço da RSF.

Venezuela
A Venezuela figura em segundo lugar na lista de cinco países com mais jornalistas ameaçados ou agredidos, com 134 casos, atrás da Ucrânia (215).

“Na Venezuela, 62% das agressões a jornalistas durante os protestos foram cometidas pela Guarda Nacional Bolivariana”, afirma a RSF.
O país governado por Nicolás Maduro também está na lista dos que registraram mais detenções de jornalistas: quinto lugar, com 34 casos, atrás de Ucrânia, Egito, Irã e Nepal. Em 2014, ao menos 853 jornalistas profissionais foram detidos no mundo.
Outra ONG ligada à proteção de jornalistas, a Press Emblem Campaign, com sede na Suíça, divulgou relatório que lista, em 2014, 128 jornalistas mortos em 32 países, um a menos que em 2013.

A maior parte das mortes foi registrada em Gaza: 16, durante a Operação Margem Protetora, de Israel. O Brasil está em 10º nessa lista, ao lado da República Centro-Africana, com quatro mortes.

A metodologia da ONG inclui não só jornalistas mortos no exercício da profissão mas também mortes acidentais ou “não intencionais”.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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