O bom filho a casa entorna

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Lisboa, 6 de janeiro de 2008

 

Caros amigos de Sergipe:

 

É um prazer quase que orgástico estar de volta à imprensa escrota, digo, à imprensa escrita de Sergipe. Como é do conhecimento de alguns dos senhores, escrevi durante vários anos para um vetusto e conhecido hebdomadário das terras de João Muamba.

 

Ocorre que, apesar do sucesso retumbante das missivas apolonianas, alguns coleguinhas sentindo-se enciumados com o meu salário nababesco, resolveram encabeçar uma abjeta campanha visando a minha derrocada no País do Forró. Para isso usaram dos mais sórdidos expedientes, desde abarrotar a minha caixa de mensagens com textos de Almeida Lima até contratar o Maguila para me dar um pau (no bom sentido, atentai bem).

 

À título de luvas de pelica, resolvi escrever um best seller e dispensar o bico. É como dizia Baudellaire: “A inveja é uma merda mesmo!”. Desde então, tal qual um Fernando Collor de Mello, tenho me dedicado a viajar pelo mundo à procura de uma carreira verdadeiramente pura e profissional.

 

Com meu faro para os negócios tentei a psicanálise, ingressando num mestrado em Haward. Lá conheci o filho do Ciro Gomes e publiquei a minha instigante e até hoje mal compreendida dissertação “Conflitos de Identidade nas Relações Sexuais com Pôneis e Congêneres”.

 

Vítima de uma perseguição maquiavélica, fui processado pela Sociedade Protetora dos Animais, tendo que pagar meio milhão de dólares pelas experiências psico-procto-afetivas que levei à cabo no trabalho de campo. Quanta injustiça, meus amigos!

 

Decepcionado com a mesquinharia do mundinho acadêmico, resolvi me aventurar pela sétima arte. Comecei de baixo, como assistente de iluminação do épico “Uma Pachacha Portuguesa com Certeza”, estrelado por Alexandre Frota e Bruna Sufistinha, mas logo já estava metido numa gang bang com o Kid Bengala. Ao ver a famosa pornô-atriz e boadboorder levar à nocaute cerca de 50 rapazes numa cena de “A Revolução dos Escravos Bem Dotados”, tive a certeza de que aquela era a mulher da vida, digo, a mulher da minha vida. Pensei em abandonar tudo e retomar as minhas atividades de proxeneta profissional, mas temendo pelo meu futuro procto-sexual, fugi no intervalo das gravações e embiquei rumo à Las Vegas à guisa de tentar a sorte no jogo.

 

Logo na primeira noite, quebrei a banca do maior cassino da cidade e comecei a namorar a Paris Hilton que, entre dois comprimidos de êxtase e uma caixa de champagne, acabou se encantando com a minha pessoa e os meus milhões de dólares. Na segunda noite, porém, perdi tudo no jogo e ainda tive que apostar a namorada com os membros da diretoria. Não sobrou nem a asa nem a moela da afamada modelo. Enojado com aquele espetáculo de sexo selvagem, peguei uma carona e vim dar com os costados no Caribe.

 

Naquele paraíso ensolarado e repleto de gays e lésbicas, ganhei um bom dinheiro vendendo drinques abichanados e DVDs piratas da Ana Carolina. Assim que recheei a minha conta bancária, voltei para Portugal a fim de reassumir o controle acionário das minhas empresas de fachada. 

 

No avião, encontrei o Gilvan Manoel e o Elenilton Pereira que iam para a Europa em viagem de férias. Conversa vai, scoth vem, os intrépidos periodistas me convidaram para voltar ao jornalismo barbosopolitano. Foi aí que eu, inebriado pelos efeitos do Johnnie Black, assinei o contrato milionário fazendo a seguinte recomendação: Preparem os advogados, rapazes, hic! O bom filho a casa entorna, hic!       

     

Até domingo que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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