O eleitor de Bolsonaro é idiota?

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Você votaria num candidato a presidente da República que nega a história do país que pretende dirigir? Que nega que tenha havido ditadura militar e que, ao mesmo tempo, tem como herói um oficial militar que é símbolo da tortura aos presos políticos da ditadura? Você votaria num candidato que nega a maior ferida da história brasileira, a escravidão, raiz das desigualdades e razão vital da nossa cruel sociedade do atraso?

Você votaria num candidato que desdenha da colega dizendo que só não a estupra porque a acha feia? Que acha normal as mulheres ganharem menos do que os homens? Você votaria num candidato que prega como solução para o feminicídio que as mulheres andem armadas? Votaria num candidato que em 28 anos de mandato como deputado federal conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei de pouca relevância e que nesse longo período não aprendeu o básico, como procurar entender o funcionamento da economia do Brasil real? E que não fez nada para tentar melhorar a segurança do seu estado, o Rio de Janeiro?

Você votaria num candidato que prega honestidade, mas que em quatro anos multiplicou o próprio patrimônio por mais de 150%, segundo declaração no TSE, sem conseguir explicar como realizou esse extraordinário milagre?

Se você disse que sim, que vota nesse candidato, parabéns, você é um eleitor de Jair Bolsonaro.

Representante de uma parcela da população conservadora, impaciente, ávida por resolver à força os problemas do país e que o apresenta como mito (?), o capitão da reserva do Exército tem o discurso certo para quem o vê como único com autoridade e coragem para pôr um basta a essa desordem que está aí.

A propósito, ele tem o triplo de intenções de voto entre homens do que entre mulheres, nas pesquisas espontâneas.

Para eles, o comunismo encarnado no petismo é sim uma ameaça ao Brasil. E dizer que o país precisa sofrer as dores do seu passado, ao invés de esconder o que aconteceu, é frescura de socialista. É balela o discurso de que nosso passado escravagista é uma ferida muito latente e que forjou a construção social e cultural do brasileiro, um povo marcado pelo atraso do patriarcalismo, do patrimonialismo, do racismo, da misoginia, do machismo. Tudo isso é bobagem, dizem eles.

Resta saber se o discurso paupérrimo de recursos de Jair Bolsonaro se sustentará quando a campanha eleitoral começar para valer, quando tiver que encarar o duro debate com adversários que são intelectualmente bem mais preparados. E com irrisórios sete segundos na televisão ele não terá espaço na mídia para melhorar sua propaganda. Restarão as redes sociais que, por enquanto, lhe têm sido favoráveis.

Por enquanto, Bolsonaro conseguiu conquistar o campo do espectro ideológico mais à direita. A ponto de empurrar o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) e seu balaio de partidos para o centro. Imagine!

Mas é justamente o ex-governador tucano que representa o maior risco para o capitão do exército. Certamente o empresariado e os que sempre se identificaram com a política mais conservadora consideram Alckmin mais confiável. E o ex-governador paulista terá mais de 5 minutos de tempo de televisão, quase 50 vezes mais do que Bolsonaro.

A TV ainda vai ser importante nestas eleições, talvez mais que redes sociais, apesar de analistas como o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto Vox Populi, afirmar que tempo de televisão não ganha eleição. As pesquisas apontam que, se Bolsonaro vai bem entre o público com mais acesso às redes sociais, ele vai mal entre eleitores mais velhos, com menos escolaridade e renda, e da região Nordeste.

E como mais uma vez a eleição deverá ficar polarizada entre a direita e a esquerda, há um risco evidente do candidato menos confiável e com menor capilaridade não ir para o segundo turno e perder sua vaga para um mais confiável e com estrutura mais robusta.

 

Aécio perdeu de novo

O político mineiro que, inconformado com a derrota nas urnas em 2014, puxou o golpe que um ano e meio depois derrubaria a presidente Dilma Rousseff perdeu de novo para ela. Político sujo, que não foi condenado ainda em definitivo graças à benevolência do STF, Aécio Neves (PSDB) caiu em desgraça no próprio partido, onde foi impedido até de candidatar-se à reeleição de senador. Como prêmio de consolação e para manter o imoral foro por prerrogativa de função, vai ser candidato a deputado federal. O algoz assistirá no limbo Dilma eleger-se senadora por Minas Gerais, onde hoje tem a preferência disparada do eleitorado.

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