O líder globalmente responsável

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“Liderança Globalmente Responsável: um chamado ao engajamento – Rel EFMD, 2004”


O
s desafios pelos quais a humanidade vem passando são grandes e globais porque estão intimamente associados às desigualdades sociais, ambientais e econômicas que a cada ano se tornam maiores e mais preocupantes. Por outro lado, tem sido difícil se encontrar uma solução mundial para as grandes ameaças que todos teremos que enfrentar. Existe muita coisa em jogo e chegar ao consenso com interesses tão diversificados é muito difícil. Acrescente-se a isto as diferenças culturais, o grau de educação das nações e a dificuldade de se educar o mundo para uma consciência global que efetivamente respeite a natureza, seus povos e a sua fauna e flora.


Assim sendo, em 2006, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, foi levantada a questão sobre os vários problemas que estão afetando a humanidade e que as soluções convencionais não estão chegando a lugar nenhum; portanto é preciso que os líderes consigam encontrar soluções não convencionais para os problemas seculares.


Todavia, já em 2004 a European Foundation for Management Development (EFMD) por considerar que as empresas estão incluídas entre as instituições mais influentes do mundo, uma vez que a partir delas é possível se fazer o exercício de moldar um mundo melhor tanto para as gerações existentes como para as futuras gerações buscou reunir as maiores instituições globais[1] com a finalidade de discutir como seria possível se desenvolver no mundo globalizado uma “liderança globalmente responsável”. Num mundo tão conturbado como o atual, onde – praticamente – é divulgado um escândalo em grandes proporções no mais diferentes e sérios países; como convocar as pessoas, os líderes e as instituições a exercitarem um tipo de liderança que esteja fundamentado na ética e nos valores humanos? Como desenvolver o exercício de uma liderança ética e baseada em valores, na busca do progresso econômico, social e do desenvolvimento sustentável?


Portanto, segundo pesquisa da EFMD[2] dentre as 100 maiores entidades econômicas do mundo, mais da metade são empresas e não nações; comprova-se ai o poder das empresas no contexto da transformação mundial; logo, a partir dessa premissa a EFMD iniciou o movimento em rede mundial.


O que se tem constatado é que a capacidade dessas grandes corporações mundiais para inovar é imensa; haja visto a quantidade de novos produtos que vêm sendo lançados constantemente, os quais há alguns anos atrás jamais seriam imaginados, ou quando muito, apenas seriam apresentados como ficção científica. Assim sendo, de acordo com esse ponto de vista o papel das empresas não é o de apenas gerar lucros para os seus acionistas; na verdade o que se espera é que a empresa globalmente responsável crie o progresso econômico e social em um mundo também – globalmente responsável e sustentável. Ou seja, deixa-se de se pensar na empresa apenas como uma fonte geradora de renda para os seus “stakeholders” e a mesma passa a ter um acentuado envolvimento ético, sustentável e interconectado com todas as empresas do mundo. De maneira bastante simplificada poderia se dizer que o propósito das empresas globalmente responsáveis seria o de “criar progresso econômico e social de modo globalmente responsável e sustentável”.


Desta forma, a “Responsabilidade Social Corporativa” perde o seu espaço para a “Responsabilidade Corporativa Global” sendo que as obrigações da empresa no mundo globalizado estão cada vez mais interligadas e interdependentes, tanto em relação à sociedade quanto ao meio ambiente natural.


O que se espera dos líderes globalmente responsáveis é que os mesmos pensem e ajam no contexto global; que compreendam que a prestação de contas das suas ações como líder não deverá estar limitada apenas à sua comunidade e sim à comunidade global; e que a ética deve estar no centro dos seus pensamentos e que os princípios norteadores que os guiarão são honestidade, justiça, liberdade, humanidade, tolerância, transparência, responsabilidade e sustentabilidade.

 

 

 (*) Fernando Viana
Presidente da Fundação Brasil Criativo
www.fbcriativo.org.br



[1] Representaram o Brasil e Petrobras e a Fundação Dom Cabral.

[2] LiderançaRelatório  Globalmente Responsável: um chamado ao engajamento. EFMD, Relatório, 2004.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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