O melhor do ano e as perspectivas para 2012

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                                                                                                                                     “Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo. Se sentes saudades do   que fazias, torna a fazê-lo” (Madre Tereza de Calcutá)
   

     A classe médica de Sergipe movimentou-se muito no  ano que ora finda.
     E a Somese, definitivamente, consolidou o seu prestígio perante  ela e a sociedade. Quem assim não vê alimenta picuinhas, pois não teve um só tema que fosse de interesse da categoria que a entidade não tivesse participado ativamente. Uma tradição que já vem de longínquos 74 anos.
      De mãos dadas principalmente com o Sindimed e a Academia de Medicina, a Somese atuou de forma permanente na discussão da  crise na saúde pública e dos insolúveis problemas do “João Alves” e de outras instituições,  na peleja dos planos de saúde com seus credenciados principalmente em função  da baixa remuneração. Esteve presente em diversos fóruns de discussão, entre os quais as audiências públicas sobre o Plano Diretor de Aracaju, a campanha pelo Hospital do Câncer, apoiando o senador Eduardo Amorim, as audiências do Ministério Público Estadual e na realização de diversas ações de promoção à saúde, em associação com outras entidades, como as campanhas de prevenção do diabetes, da AIDS, do câncer de mama, sem esquecer o lançamento da Caravana da Saúde, que visitou as cidades de Umbaúba, Estância e São Cristóvão e o apoio integral que deu à luta contra o Bisfenol-A.
     Na saúde pública o caminho foi mais ameno com a presença  do médico Antônio Carlos Guimarães no comando da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em substituição a  Mônica Sampaio, que retomou o  diálogo com os médicos após o “terremoto” Rogério Carvalho”, que deixou muitos estragos na relação entre governo e profissionais de saúde. Em quatro oportunidades, em 2011, o secretário Antonio Carlos compareceu ao almoço da Somese e pôde debater de forma franca com os médicos e convidados os problemas da saúde em nosso estado que, se não foram plenamente sanados, tiveram algumas soluções implementadas. No término do ano, a importância da Somese ficou evidente com a volta de sua representação no Conselho Estadual de Saúde.
     Na saúde suplementar também tivemos  avanços importantes, principalmente com o grupo Unidas e com a Unimed. Na primeira, fechamos um acordo histórico, que valorizou a consulta e reduziu os redutores da CBHPM. Com a cooperativa, conseguimos que a sua diretoria desencadeasse, no segundo semestre, um arrojado “pacote” de medidas buscando melhorar a remuneração de seus cooperados, cujos reflexos deverão ser sentidos no ano que vem.
       Condições seguras de trabalho com retaguarda de especialistas, UTI pediátrica, salários adequados com vínculo trabalhista, conforme preconiza a Federação Nacional dos Médicos, foram algumas das exigências dos pediatras sergipanos para que se restabelecesse o atendimento na rede hospitalar privada.  Sob a liderança corajosa e firme da atual diretoria da Sociedade Sergipana de Pediatria, os pediatras decidiram finalmente colocar ponto final nas suas precárias condições de trabalho, que foram se acentuando ao longo dos anos, obrigando muitos deles a procurarem áreas mais tranquilas e valorizadas, para exercer suas tarefas. Foi, sem sombra de dúvida, o mais forte movimento por condições dignas de trabalho já levado a efeito pela pediatria de Sergipe nas últimas décadas.
          Um fato alentador em 2011, seguindo uma tendência mundial, foi a criação e implementação das redes sociais de grupos afins e entre eles o que mais se destacou foi o do facebook “Médicos Sergipe”, que terminou o ano com aproximadamente 700 participantes. Apesar de não conseguir mobilizar seus integrantes para ações efetivas de participação coletiva através de suas legítimas entidades representativas, o grupo foi importante para a  troca de ideias e reflexões sobre  a saúde e o exercício da profissão. Constitui-se sem dúvida em ferramenta importante para promover uma rápida disseminação de informação e principalmente mobilização real, se seus seguidores preocuparem-se menos com seus interesses individuais e pensarem mais no coletivo.
        Um fato de grande importância foi a posse do médico anestesista Eduardo Amorim no Senado da República. Apesar de não ter sido eleito basicamente pelo conjunto da classe (sem dúvida teve nela uma expressiva votação), Amorim colocou o seu mandato a serviço dos médicos, através da Somese e das entidades médicas nacionais. Belíssima postura teve também o vereador Emerson Costa, em todas as questões de interesse médico. Da mesma forma que Amorim, mesmo sem ter o apoio maciço da classe médica sergipana (muitos individualmente também votaram nele), Emerson foi o nosso representante na Câmara. Esperamos agora que a classe médica, por questão de justiça, veja e entenda de uma vez por todas a sua conduta o reconduzindo à Câmara, para não perdermos essa conquista histórica, aliás como outras profissões já conseguiram.
        Em Sergipe pela primeira vez uma mulher presidiu a Assembleia Legislativa, a médica Angélica Guimarães que, na condição de governadora do estado em exercício, almoçou na Somese e recebeu, em seguida, em audiência exclusiva, as entidades médicas. Vale registrar que tivemos a participação importante de dois parlamentares sergipanos em projetos de interesse da categoria, como relatores:  senador Antonio Carlos Valadares, na Lei do Ato Médico e do deputado federal Mendonça Prado na PEC que cria o Plano de Carreira de Estado do Médico, ambos com pareceres  finais favoráveis à categoria e apoiado pelas entidades médicas nacionais.
        O ano ainda ficou marcado pelas homenagens prestadas a vultos da medicina sergipana. Em março, a Academia de Medicina realizou a “Noite dos Cirurgiões”, reverenciando  quatro grandes cirurgiões sergipanos: Fernando Felizola, Francisco Bragança, Moacyr Freitas e Djenal Gonçalves. Eles receberam o BISTURI DE PRATA, pela contribuição que trouxeram para as ciências médicas do Estado de Sergipe.
        O Jubileu de Ouro da Faculdade de Medicina não foi esquecido e também teve ampla comemoração, com várias atividades, entre elas o lançamento de um selo comemorativo, a realização de fóruns sobre ensino médico, bioética, ética médica, história e medicina humanística. A Unimed promoveu um concerto com a Orquestra de Itabaiana para celebrar o Jubileu. Por fim, ao apagar das luzes de 2011, o Governo e a UFS promoveram o lançamento da pedra fundamental do Campus da Saúde de Lagarto “Prof. Antonio Garcia Filho”, numa justa homenagem ao fundador da nossa primeira escola médica. Na trilha das homenagens à classe médica, o Governo inaugurou também os hospitais de Estancia “Dr. Jessé Fontes” e o pediátrico “Dr. José Machado de Souza”. Vamos esperar que o funcionamento dessas duas unidades hospitalares  atendam às expectativas.
             A Academia de Medicina, mesmo com a perda inesperada e dolorosa da doutora Elizabete Tavares e o susto que tomou com a doença de seu presidente, Fedro Portugal (que terminou o ano, felizmente, com plena recuperação), celebrou os centenários dos médicos Octavio Penalva e Lauro Porto e deu posse a Vollmer Bomfim na cadeira 16 do sodalício.
            Seguindo com as homenagens, a nossa Unicred lançou o projeto MEMORÁVEIS SERGIPANOS de ONTEM, HOJE e SEMPRE, homenageando doze personalidades sergipanas de todos os tempos, que se destacaram nas mais diferentes áreas de atuação, entre os quais seis médicos. O CRM e a Assembleia Legislativa do Estado também fizeram suas homenagens. Dois médicos tiveram suas biografias levantadas em livro: João Cardoso do Nascimento Junior e Helvécio de Andrade. Por sua vez, o Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe, que já estava compondo o acervo da Biblioteca da Academia de Medicina da França passou a fazer  parte também do acervo da Biblioteca do Congresso Norte Americano, uma das maiores do mundo.
           O ano ainda foi de eleições: a AMB colocou finalmente um nordestino no seu comando, o médico Florentino Cardoso, cearense, que assumiu a presidência  da entidade com dois sergipanos a assessorá-lo: Petrônio Gomes (que foi também reeleito para a Somese) e Roberto Gurgel.  Já o Sindimed elegeu e empossou na sua presidência  o médico João Augusto Oliveira.
        Foram muitas as conquistas em 2011, mas ainda estamos longe de alcançar as nossas aspirações. Em 2012, temos que somar inteligências e  reunir forças para avançarmos nas nossas pretensões e anseios. Entre os principais pontos de convergência de luta da classe médica de Sergipe no novo ano, elencamos alguns.
        A aprovação pelo Congresso Nacional e posterior sanção presidencial da Lei do Ato Médico, a meu ver, é o mais importante. Em 2011, o PL teve avanços e recuos, mas terminou o ano com uma boa notícia que foi a sua leitura completa pelo relator Valadares, favorável ao texto e que vai ao encontro de nossas aspirações. A leitura do relatório foi extremamente importante, porque obriga a votação a partir de dois de fevereiro, quando termina o recesso parlamentar, sem mais espaço para pedidos de adiamentos e vistas, conforme preconiza o regimento interno.
         A PEC que implanta o Plano de Carreira tem o parecer favorável de seu relator, o deputado Mendonça Prado e já foi aprovada por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça e agora em 2012 deve seguir sua tramitação. Já o PL do deputado André Moura, que estabelece o Piso Salarial do Médico, de acordo com o preconizado pela FENAM, também seguirá o seu curso. Na medicina suplementar, devemos fechar fileiras em torno da Implantação plena da CBHPM 2010 por todos os planos de saúde, dessa vez contando com a participação mais efetiva das redes sociais, engajadas com as ações da Comissão Estadual de Honorários Médicos.
        Já o Sindimed deve continuar sua luta por condições adequadas de trabalho nos hospitais públicos e privados, incluindo uma justa remuneração e tentar acabar de uma vez por todas com a precarização das relações de trabalho e contra todas as formas de intermediação mercantil da profissão médica. Para tanto, esperamos contar com a participação efetiva de nossas entidades nos conselhos municipal e estadual de saúde. Outras ações importantes: impedir a crescente judicialização da saúde, expandir as ações de promoção à saúde em múltiplas frentes e por fim eleger nossos  representantes na Câmara Municipal de Aracaju.
       Oxalá tenhamos força e disposição para alcançarmos esses objetivos. É o que esperamos em 2012.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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