O “New” Catolicismo e os Gays

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Os tempos são outros, hoje os pensamentos mudam com o vento. O Papado já não é mais o mesmo com os gays dentro dos conventos. Não sou poeta, nem quero ser. Não nasci para a poesia. Admito apenas que gosto de pensar sobre as coisas da vida e sobre o mundo em que vivo, ando e respiro. Se você esteve no planeta Terra – nas últimas semanas – deve ter lido, assistido (ou os dois) sobre uma reviravolta no Vaticano em relação ao papel dos gays na sociedade atual.

Num documento inicial, chegou-se a admitir alguns pontos positivos sobre a união entre gays. Esse mesmo rascunho pedia para se aceitar os gays, pois os mesmos “possuem dons e qualidades para oferecer à Comunidade Cristã”. Ainda que deixando claro que a união entre homossexuais não poderia ser comparada ao casamento entre heteros.

As bibas, quando souberam da notícia, choraram de alegria. Pelo menos sua orientação sexual estava sendo citada pelo Papa como algo aceitável, mas como alegria-de-gay-dura-pouco (não se engane, tem muito gay triste fingindo ser alegre), dias depois, no documento final, chamado de “Relatio Synodi”, o pensamento tradicional gritou mais alto deixando os gays sem um auxílio no quesito união. Porém, passando a mão na cabeça da categoria, o Vaticano retirou a ideia de boas vindas que seriam dadas aos gays e acatou o “acolhimento”. Mas o que será esse tal “acolhimento”?

Será que a partir de agora, a biba vai poder entrar na Igreja sem ser ridicularizada? Mas se usar peruca de nylon (tipo cabelo de boneca) alguém vai poder rir ou terá que fingir que é cabelo natural? Será preciso fazer um mega hair, com o preço do cabelo pela hora da morte? E se tiver silicone, como fazer? Prender com ataduras e manter uma linha músculos ou pode um decote discreto? Trava que é trava não põe 200 ml em cada peito, estamos falando de mais de 500 em cada mama (Isto no caso de trava de família). Como disfarçar a “peitola” agora que a Igreja acolhe? Que complicado, não é?

Será preciso ser discreto pra ser acolhido ou pode falar aqué, aquendar, uó, ocó, amapó? E vai poder pegar a fila pra receber o “Corpo de Cristo”? Mas se na hora do amém, a biba vacilar e falar arrasô, será condenada com a retirada do “acolhimento”?

Não pense que no caso das sapatas, a coisa é mais fácil. Nem a pau! Vamos pensar sobre a situação também. Se a lésbica for do tipo machão, bem malhada e com cabelo raspado – vestimenta tipo motoboy – com direito a uma hilux 4×4 cabine dupla que ocupa duas vagas do estacionamento, como proceder já que hoje em dia se mata por uma vaga de estacionamento? Será que vão acolher bem a sapatão na hora dela usar o banheiro? Ela vai entrar no masculino ou no feminino? Terá que falar fino, num falsete paraguaio ou poderá ser o locutor-de-rádio-da-madrugada com uma voz de deixar qualquer mulher apaixonada?

Ainda bem que não sou Padre pra decidir tantas questões, pois o bicho vai pegar já que o texto final diz que: “homens e mulheres com tendências homossexuais devem ser acolhidos com respeito e sensibilidade”, evitando “qualquer tipo de discriminação contra os gays”. Estas decisões serão trabalhadas durante um ano e reavaliadas em 2015, mas até lá, o que os gays vão fazer? Viagens, pegação nas saunas, transas nos darkrooms das boites ou orar para que suas almas sejam aceitas pelos acolhedores cristãos?

As dúvidas continuam…

Acontecerá uma domesticação dos Gatos Malhados e das Panteras Gays para que a entrada no Reino dos Céus aconteça? Após a missa pode ir à boite ou será pecado mortal? Mas se o gay ajudar na decoração da Igreja receberá um bônus para curtir a balada com direito a tirar a camisa e mostrar os músculos ou não? Como citei lá no começo deste texto, o Vaticano apontou que os “gays possuem dons e qualidades para oferecer à Comunidade Cristã” e a gente sabe que toda bicha que se preza entende um pouco de decoração, paisagismo e sabe onde encontrar tais informações melhor do que qualquer mulher heterossexual.

Por falar em “Comunidade Cristã”. Aquele homofóbico incorrigível terá que engolir o gay do bairro frequentando a mesma Igreja que ele? Terá fileira gay ou poderá misturar todo mundo? Mas e as crianças cristãs, como tapar os seus olhos? Poderá usar venda na Igreja? E aquela beata fervorosa que odeia a vizinha sapata (só porque a coitada deu uma olhada inocente para sua filha gostosa) terá que dar a “Paz de Cristo” ou pode fazer de conta que não viu a lésbica paqueradora? Mas se não houver essa interação onde ficará o tal acolhimento nessa hora? Quanto ao dízimo terá uma cestinha para os heterossexuais e outra para os homos (mais pintosa e cheia de fitas) ou todo mundo pode colocar a grana no mesmo saco?

Quantos questionamentos… e olha que as “mudanças” propriamente ditas nem começaram. E olhe também que a parte conservadora do Vaticano brecou outras coisas mais densas relacionadas aos gays. Neste caso, os xiitas do Vaticano foram espertos ou medrosos? Retrógrados ou divinos? Quem sabe?

Em 2012, o então Papa Bento 16 chamou os gays de “intrinsecamente desordenados”, mas pediu para tratá-los “com amor e dignidade”. Pensando sobre esse pedido, é fácil responder: Aconteceu mesmo esse tratamento benevolente? Mas então será que agora, após o “Relatio Synodi”, o caldo vai engrossar e os cristãos terão que modificar seus atos e mentes? Pode-se considerar pecado pra Cristo, agora, odiar, julgar e violentar gays? Quem souber me conte!

Pra finalizar, vale lembrar também que enquanto os mais de 200 bispos do mundo estavam reunidos, para decidir se os cristãos acolheriam ou não os gays, o prefeito de Roma, Ignacio Marino, resolveu validar 16 casamentos entre homossexuais – cerimônias que aconteceram no exterior, mas que agora possuem validade dentro de Roma (pois foram incluídas no registro civil da cidade).

Mesmo com toda essa benevolência pró-gay apontada no “Relatio Synodi”, o Vaticano e o Ministério do Interior de Roma não gostaram desta validação e já existe um bafafá rolando na Itália por conta da decisão do prefeito romano. Pelo visto o Vaticano precisará acolher suas próprias mudanças antes de pedir que se acolha o próximo (principalmente se o próximo for gay).

Para acolhimento (ou não):

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