O pescador e a sereia

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Esse caso foi contado por Aristides, em uma noite de bebedeira entre pescadores de Aracaju e da Barra dos Coqueiros, reunidos em um barzinho da Colônia, perto da Atalaia Velha. O caso, negado pelo próprio Aristides, no outro dia, dizendo que ouviram mal o que falara ou fora invenção dele mesmo, culpando a cachaça, ou seja: a marca da cachaça, ruim, era álcool puro, e que o fizera delirar. E sentenciou: nunca mais vou beber dessa cachaça, isto é, daquela maldita marca, é claro.

 

Mas, mesmo acostumados a lorotas escabrosas contadas pelos companheiros, todos pescadores que ouviram a confissão de Tide, sentiram que ele contara a verdade. Que em noite de profunda escuridão, com o céu coberto por nuvens negras, na boca da barra, sozinho no seu pequeno barco de pesca, ouvira o canto e depois a conversa de linda sereia, saída do fundo do mar. Em meio às ondas, ela dissera que penava pelo amor do velho pescador Antenor, de grande fama, que morrera há muito tempo, antes de Tide nascer. Os anciãos das famílias de pescadores das colônias de Aracaju e da Barra lembravam que ainda eram jovens e ouviam do velho Antenor a mesma história: que tinha uma namorada no meio do mar. E quando morrera, pedira que jogassem seu corpo na boca da barra, mas seu pedido não fora atendido.

 

Os pescadores e suas famílias foram tomados por sentimentos de aflição e arrependimento, especialmente os mais antigos, quando souberam da história contada por Tide. Todos acreditavam que a sereia existia e o próprio Tide mudara: agora era um homem triste, que repetia que não queria mais navegar; comprovando a existência da sereia que penava por amor na entrada da barra de Aracaju.

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