O que nos salva.

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Pelo livre pensar de alguns, só são democratas os que querem derrubar o Presidente Bolsonaro.

Os que o apoiam em carreata pelas ruas são tão sujos e fedidos que merecem ser cassados como energúmenos rufiões e mentecaptos de ocasião.

À falta de um estofo de frade Torquemada para persegui-los e torrá-los, enquanto mal agrado corifeu, denunciam-nos furibundamente, ao vivo, em letras explícitas, clamando-os ao malho da Lei.

E nesta grei, sugerem-lhes exemplares punições que troariam dignas das sombrias inquisições ibéricas e das sinistras “Kristall Nächte” tedescas, não parecessem burlescas zoeiras, tão espetaculosas quão xistosas, verdadeiro fogaréu de judeu, em repiques de aleluia.

Porque era assim, em chiste e gracejo por intenção, que se invocava a reedição prévia dos pogroms filistinos, e até dos entreatos cabotinos, havidos e esquecidos, mas sempre requeridos nos justiçamentos stalinistas.

Porque energúmenos e mentecaptos somos todos no desagrado de tantos.

Por que, ó cara-pálida!, ninguém pode pensar diferente sem ser energúmeno ou mentecapto no próprio espelho?

Que liberdade de pensamento é essa que não aclara, nem ilumina, nem esclarece?

Energúmeno, ó xingamento feio e seboso!, embora soe ruim, não é palavra má em significado…

Eu diria que ofende menos, por degustebus, que ferrar nas fuças um sodomita ou um chupa-pau-sebento, em tempos de velha moda!

Diria ainda em modismo de melhor vergonha, que a “energumenia” ensejaria somente uma peçonha, bisonha, inerente aos loucos e tresloucados, e até aos “endemoniados”, isso por excessiva carolice, que não é o caso, de quem se louva quase um incréu, ou um incrédulo mesmo, por não ousar remir, ou absolver, os pecados dos outros, nem imaginar eventual querência, concupiscência ou próspera convivência com qualquer deus, e até com o capeta, com rabo, chifre e garfo, e,… mau arroto, qual esgoto!

Como o diabo sem demência ou perdigoto, até iludiu Fausto, um Doutor por excelência, poder-se-ia, por cobiças e treliças de Mefisto, imaginar que o energúmeno posasse de mentecapto e com ele se nivelasse até em fobias Jacobinas?

Quem não se lembra que em tal radicalismo seminal, suprassumo ideal por racional, afirmava-se como jacobina lei real e universal, que “O homem só seria livre quando o último rei fosse enforcado nas tripas do derradeiro padre”?

Isso não restou para saudade remota de alguns, igualmente destinado aos mentecaptos e aos energúmenos denunciados agora;  ambos fora de voga?

Desde que o povo com as próprias mãos, vogando contra a Lei e a Constituição, derrubou o muro de Berlim, o capitalismo não cegou a lâmina afiada da corroída navalha republicana?

Ou é por falta de outros arcanjos Saint-Just de ocasião, que são conclamados alguns pescoços a aparar?

Com Danton e Robespierre, sabidamente apartados e degolados, estariam as velhas tentações do Demo, realmente, tão fora de moda?

Parece que não!

Jacobinismo inspirando ainda, mesmo démodé, prevalece nesse contexto lupino de mentecapta fantasia e “energúmena” apostasia, o velho mito de Procrustes, que todos o possuímos, enquanto seres intolerantes, incapazes de conviver com o divergente.

No leito de Procusto os altinhos são serrados e os baixinhos espichados para caber sem folga.

Procrustes, Polifpêmon ou Damastes, para quem não lembra, era um bandido da mitologia grega que vivia na serra de Elêuses, entre Mêgara e Atenas, bancando solicito estalajadeiro oferecendo abrigo aos viajantes como Teseu, aquele que venceu o Minotauro.

Na sua “hospedaria”, Procrustes obrigava os viajantes altos a deitarem num leito menor que não lhes cabiam, e os baixinhos num outro enorme, cortando as pernas dos primeiros e puxando violentamente os pés dos segundos, para ajustá-los perfeitamente às camas.

Procrustres, diz a lenda, foi morto por Teseu, mas revive no pensar totalitário de alguns, afinal com tantos energúmenos e mentecaptos denunciados à guilda própria e à comum delegacia, ninguém lhes cabe no leito à perfeição.

Se para os energúmenos não há vacinas, nem vermífuga solução, sem pestilência nem fedentina, por aparência fonética e péssima harmonia, sirvo-me de Fernando Sabino se auto definindo feliz no programa Roda-Viva como um Grande Mentecapto, sua luminar obra risonha: “Eu sou um grande mentecapto; eu me encontro nos meus escritos”.

Um bom filme a assistir no YouTube https://youtu.be/y2AD9XNA8QI

Quanto a mim, em outras idiossincrasias, sugiro aos meus leitores, que na impossibilidade de ler “O Grande Mentecapto” de Fernando Sabino, assistam no Youtube o filme homônimo (https://youtu.be/y2AD9XNA8QI), sobre as aventuras Geraldo Viramundo (Diogo Vilela), um cara simpático com ideias absurdas, bem como a entrevista gravada com Sabino no Roda-Viva.

Genial e/ou insano, diz a sinopse do filme, Geraldo Viramundo é um garoto que decide abandonar sua pequena cidade em Minas Gerais e ganhar o mundo. Seu objetivo é desestabilizar o sistema e seus cúmplices são as prostitutas e os desvalidos.

Uma boa curtição para energúmenos e mentecaptos nesses tempos loucos de solidão imposta por Corona-Vírus.

Em tempos de Covid-19, o que nos salva ainda são os energúmenos e mentecaptos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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