Atribui-se ao General Charles De Gaulle a jocosa frase: “O Brasil não é um país sério”
O contexto frase se prende à famosa “Guerra da lagosta”, episódio hilariante em que alguns pesqueiros franceses queriam impunemente pegar lagostas nas nossas costas nordestinas, e aí a nossa armada os ameaçou de bombardeio.
O episódio restou no anedotário popular, afinal no ensejo da solução administrativa do imbroglio, os emissários do General, então presidindo a França, eram encaminhados, uma hora para o Departamento da Caça, outra para o seu equivalente da Pesca, dificultado por sermos um país analfabeto e monoglota onde perdurava uma dúvida cruel, até então, insanável!
Porque a lagosta, enquanto crustáceo pouco presente nos degustes dos nossos repastos nativos, virou assunto maior do noticiário…
Seria tal crustáceo pescado no anzol ou caçado no alçapão?
Uma dúvida tão grande, que ninguém sabia se era alçapão ou açalpão, como se escrevia, com direito a diletar sobre assalpão, delatar quem assa o pão e dilatar qualquer outra espicação!
O que ninguém sabia, era como resolver a questão.
Dilema ao qual não faltavam burocratas e aspones para ensejar desforços físicos e montanhas de argumentos para inaugurar uma guerra intestina em tanta burocracia, cuja única utilidade era dar emprego aos desprovidos de dois úteis neurônios.
É verdade! As coisas do Brasil, de longa data, exibiam essa verve histriônica anedotária, assaz risonha e medonha, acervo que na época bem ilustrou o inesquecível FEBEAPÁ, o Festival de Besteira que Assola o País, do Stanislau Ponte Preta, pseudônimo do Jornalista Sergio Porto, semanalmente renovado na Revista O Cruzeiro, órgão maior dos Diários Associados, do nordestino Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand, ou Chatô, espécie de Cidadão Kane, Randolf Heast tupiniquense lá da Masculina Paraíba.
Chatô, que entre outras coisas era um gozador também, ao criar a “Ordem do cangaceiro”, comenda maior de O Cruzeiro, fotografava e exibia descaradamente, meio mundo de gente, autoridade desse país sonso, inzoneiro e safado todo, com um chapeuzinho ridículo de cangaceiro, como se isso fosse melhor homenagem do que a Nacional Ordem do Cruzeiro.
De modo igual em brejeirice, o seresteiro baiano Juca Chaves, compôs a xistosa canção que restou famosa:
“O Brasil já vai a guerra, comprou um porta-aviões
Um viva pra Inglaterra de oitenta e dois bilhões,
mas que ladrões.
Modinha que bem vale a continuidade.
Comenta o zé povinho
Governo varonil
Coitado, coitadinho do Banco do Brasil.
Há, há, quase faliu!
O navio, ufanava-se todo mundo em euforia, sem ninguém lembrar que antes fora um velho porta-aviões bretão, quase inservível, mas que virou nave capitânia da nossa Marinha com o nome de Minas Gerais, hoje encostado por ferro velho.
Hoje, convém lembrar, em tosca memória, só para dizer, que a sua chegada à pátria nossa, galardoada, fora um ponto de discórdia entre os Ministérios da Marinha e da Aeronáutica, afinal as duas tropas quase guerrearam por conta da esquadrilha que ali poisaria: seria do almirantado ou da brigadearia?
Que não se confunda no meu relato a minha grafia, com algo inerente a doces e a docearia, afinal o bombom achocolatado “brigadeiro”, surgira pouco antes como homenagem ao Brigadeiro Eduardo Gomes, um dos heróis sobreviventes do Levante do Forte de Copacabana, de 1922, os cultuados bravos tenentes de “Os Dezoito do Forte”.
O Brigadeiro Eduardo Gomes, patrono da Aviação Pátria, eterno candidato à Presidência da República tinha por seu jingle de campanha a tola rima, por udenista: “Brigadeiro, brigadeiro, é bonito e é solteiro”.
Homem sério, digno e probo, des-elegeu-se duas vezes e tantas quantas fossem, porque dele disseram não querer os “votos dos marmiteiros!”, o Zé povinho de então. “Os trabalhadores do Basil-sil-sil”, bem ecoados por Gêgê, Getúlio Vargas.
Do Brigadeiro, restou a frase por ele repetida do orador irlandês, John Philpot Curran, e também de Thomas Jefferson; “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.
Mas o Brasil, como dizia Tom Jobim. “O Brasil não é para principiantes!”
Estaria o maestro a dizer que o Brasil seria sö para os escolados? Ou para os malandros dos sambas de Moreira da Silva, aquele que sonhara conferindo que o “mata-sete era de jogar confete e de fritar bolinhos” ganhando o milhar, sem precisar mais trabalhar e que acordou depois de matar o bandido, mas herdando sua mulher.
Matar o Mata-sete herdando a mulher do bandido?
E o que diríamos se: “Malandro é malandro e Mané é Mané?
E também, por que não: “Perdeu, ó Mané”!
Não perdemos todos sempre? Sendo chacota no mundo inteiro?
Outro dia não éramos para o povo de Israel um gigante paspalhão, simples “anão diplomático”!
Para Stefan Zweig, em escolha para morrer no azul paradisíaco, “O Brasil era o país do futuro”.
Título que ficou como sina terrível: “Brasil, o eterno país do futuro!”
Isso, segundo o mesmo De Gaulle, em citação de Éric Zemmour, escritor e ensaísta, ácido, mas realisticamente proficiente.
E sem verem que a França de ambos está a virar um país do passado; um Estado Europeu confederado, simplesmente!
Que o diga Donald Trump desafiando-os a se reinventarem!
Isso em prévias de africanização continuada, e a se tornarem países sem passado!
Mas o Brasil é um eterno desafio à sua interna barbarização.
Em desapreço ao que pressinto, leio agora uma manchete no jornal paulista, retrato vivo de Brasil nosso, bem brasileiro e altaneiro: “Juízes do trabalho receberam no ano passado R$1 bilhão acima do teto”.
Se somos nós que os remuneramos para que estabelecer teto?