ODONTO FANTASY, EU FUI!

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Cartas do Apolônio

 Odonto Fantasy, eu fui!

 Lisboa, 26 de novembro de 2004

Caros amigos de Sergipe:

 Como os senhores sabem, a semana passada fui acometido de uma grave crise de criatividade que me fez praticar por três vezes seguidas, pasmem os senhores, o enfadonho papai e mamãe com a Sulamita, minha secretária bilíngüe e boazuda. Pois bem, para me recuperar do tal surto de burrice temporária, fui dar com os costados nas terras de João Muamba. E foi uma beleza!

Naturalmente fui disfarçado, não só para fugir do assédio de antigos credores (que mesmo após vinte anos de ausência, ainda teimam em levantar vetustas questiúnculas), mas principalmente, para testar a eficácia da fantasia que escolhi para ir à Odonto Fantasy, diga-se de passagem, o principal motivo da minha inesperada viagem. 

É que fui agraciado com um convite dos amigos Gustavo, Bruno e Edgar, os desorganizadores, digo organizadores da tal fantasiosa fuzarca. A passagem veio em anexo, naturalmente.

Para não carregar no tom folclórico e (por que não dizer?) dramático da viagem, dispensei a companhia de Zenóbia, minha patroa sexagenária que queria ir fantasiada de  ‘Swertlana, a rainha dos felinos’. A anciã tencionava levar Flodualdo, nosso leopardo de estimação para se submeter ao constrangimento de passar a noite toda ao seu lado, no meio de tantas gatinhas bem menos obesas.

Expliquei-lhe que já tem um maluco que todo ano leva bodes, galos e guinés para lhe acompanhar na festa. Seria, convenhamos, um mico pouco criativo. Melhor treinar um pouco de balé, arte à qual a beletrista tem se dedicado com afinco nos últimos dias.

Pois bem, chegando à festa deparei-me logo de cara com umas quinze maravilhosas drag queens, que insistentemente conferiam os meus documentos. Depois de certificarem-se de que o varão era de fato um português, as transviadas moçoilas liberaram-me a passagem, proporcionando-me a visão de um verdadeiro paraíso terreal.   

Incríveis Hulks, odaliscas molhadinhas, meninas super poderosas (aliás, quantas hein?!) e até, acreditem se quiser, casais fantasiados de Cones do Detran. Foi uma loucura!  Isso sem contar o Ricardo Douglas fantasiado de ‘Gilmar Carvalho pós operatório’.

Alguns rapazes em fantasias sumárias, quase ficam com as vergonhas à mostra, para deleite de alguns indecisos de plantão.

Infelizmente não se pode dizer o mesmo a respeito das meninas. Pelo menos não vi nenhuma fantasiada de Luz Del Fuego, que , diga-se de passagem, seria um traje extremamente econômico e portanto adequado aos tempos de vacas magras por que passa o país do barbudinho Palocci.

Me diverti a valer e ao final da noite ainda caí nos endiabrados braços da rapariga Laudicéia e seus voluptuosos (e grandes!) lábios de mel.

Quanto á minha fantasia, digo-lhes que, modéstia à parte, foi bastante original e corajosa.

Original, pois não é todo dia que alguém homenageia Portugal neste país tropical abençoado por Deus e corajosa porque tinha certeza que os meus credores jamais imaginariam que eu me fantasiaria (eureka!) de mim mesmo.

Santa inteligência portuguesa! Fui de ‘Apolônio Lisboa, o entomologista proxeneta’. E graças a Deus, ninguém me reconheceu, o pá!

 

Até a próxima fuzarca.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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