Os Garcia Moreno de Sergipe – Uma saga a perquirir II.

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 Os Garcia Moreno de Sergipe – Uma saga a perquirir II.

 

I. Do Carvalho Carregosa ao Garcia Moreno via Padre Daltro.

 

Em Sergipe, o sobrenome Garcia Moreno não sequencia uma linhagem de família com raízes anteriores. É, portanto um nome novo, não descendendo de um tronco original assim nominado. Ele aparece, como um fato inusitado e despercebido, cartorialmente registrado, após o nascimento em 31 de outubro de 1880, de um menino chamado Pedro.

 

Pouco testemunhado, o menino nasceu, semi-escondido nas imediações de Lagarto e Simão Dias, em Sergipe, na anonimia de uma casinha erguida no entorno do Engenho Novo, fazenda também conhecida como Tanque Novo, propriedade dos familiares do Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro, então pároco da cidade do Lagarto.

 

A mãe, Clara Batista de Melo, uma jovem recém saída da adolescência, 16 anos talvez, filha de Firmino Custódio de Melo e Rosalina Maria da Conceição, gente simples e humilde, lavradores daquela região.

 

Das mães e dos pais vigia o brocardo latino, comparando certeza e dúvida, que ainda não se cotejava cientificamente, mediante testes de DNA, e era impensável a geração de bebês em proveta ou barriga de aluguel: “Mater semper certa est, pater autem incertus”, a mãe é sempre certa, o pai, porém, incerto.

 

Quanto aos pais, a incerteza era maior: “Is pater vero est, quem iustae nuptiae demonstrant”. Insegurança torturante que enlouquecera até Bentinho, o Dom Casmurro de Machado de Assis: “Pater is est, quem iustae nuptiae demonstrent, nisi evidentibus argumentis contrarium probatur”, a menos que se evidencie prova em contrário.

 

Mas, a falta de evidências contrárias, sempre se soube que o menino Pedro era filho do Padre João Batista de Carvalho Daltro, ou Padre “Data”, como o povo assim o chamava no Lagarto.

 

Neste tempo (1880), o Padre era um homem maduro com 52 anos de idade, possuindo grande destaque no Lagarto, terra de seu sacerdócio paroquial por 36 anos (1874-1910), importância que lhe daria, de 1890 a 1893, o título de Camareiro da Cidade, espécie de Prefeito, Intendente, como assim se chamara o 1º administrador daquele município.

 

II. Padre Daltro no Dicionário Biobliográfico Sergipano, de Armindo Guaraná.

 

Sobre o Padre Daltro, lê-se um alentado verbete no Dicionário de Armindo Guaraná, que é interessante destacar em sua integridade:

 

“João Batista de Carvalho Daltro, Monsenhor – Filho de Domingos José de Carvalho e D. Antonia Francisca de Jesus, nasceu a 23 de junho de 1828 em Simão Dias e faleceu a 2 de fevereiro de 1910 na fazenda Baixão, daquele município, sendo sepultado no dia seguinte na igreja matriz da cidade do Lagarto. Depois de ter estudado humanidades na Estância e no colégio Barroso em S. Cristóvão, matriculou-se a 22 de março de 1847 no seminário da Bahia, onda recebeu ordens sacras em 1853. Obrigado por moléstia a seguir para a Europa, logo depois de ordenado, fez nessa ocasião uma peregrinação à Palestina, em visita aos santos lugares. De volta de sua excursão celebrou missa nova em Simão Dias, tendo sido em seguida designado coadjutor do vigário da freguesia. Dada por esse tempo a invasão do cholera-morbus na província, o novo levita, inspirando-se nas lições do Evangelho, correu em auxílio dos infelizes atacados pela peste, levando-lhes com os recursos da medicina as frases consoladoras do verdadeiro apóstolo da caridade. Com a extinção da epidemia, exerceu o sacerdócio por algum tempo nas freguesias do Pilar e Riachão, até ser nomeado vigário da freguesia do Lagarto, onde passou a maior parte de sua longa e proveitosa existência, semeando o bem em torno de si pelo exemplo de suas virtudes, realçadas pela mais nobre dentre todas, do absoluto desprendimento dos seus haveres em favor dos desprotegidos da fortuna. Se, como sacerdote e pároco foi incansável na propaganda da fé e no combate às doutrinas condenadas pela Igreja, como cidadão muito contribuiu para o progresso daquela zona, promovendo a realização de melhoramentos materiais de incontestável utilidade. São frutos dos seus louváveis esforços junto aos governos da província a ponte entre Lagarto e Simão Dias no rio Caiçá, os tanques públicos do Riachão e Lagarto e a casa da Câmara Municipal deste último lugar. A matriz da freguesia, um dos mais imponentes templos do Estado, foi concluída sob sua administração, tendo construído quase à sua custa o cemitério da cidade e por conta própria o Hospital de Caridade, ao qual dotou com um pecúlio para garantia da seu custeio. Por tantos atos de benemerência prestados em nome da religião e da humanidade foi distinguido pelo arcebispo da Bahia com as nomeações de arcipreste, vigário geral e em 1898 com o título de monsenhor, tendo sido antes, em 1888 agraciado pela Princesa Imperial Regente com a comenda da Ordem de N. S. Jesus Cristo. Como orador sacro, já o disseram pela imprensa, foi verdadeiro paladino da doutrina do Evangelho; puro, sóbrio, genuíno, como quer S. Paulo.

Escreveu:

– Sermões, que ficaram inéditos, como comumente se dá. Os seus traços biográficos reproduzidos em resumo na presente notícia foram publicados no “Estado de Sergipe”, de 20 de fevereiro e no “Jornal de Sergipe” de 18 de março de 1910.

– Missão ao Riachão. No “Correio Sergipense” de 7 de janeiro de 1864.”

 

III. Da ancestralidade do Padre Daltro

 

De acordo com o site http://genforum.genealogy.com/carvalho/messages/69.html, da família Carvalho Carregosa tem-se que:

 

 “Pouco antes de 1750 chegaram a Sergipe, Brasil, Manoel de Carvalho Carregosa (nascido em 1719 e falecido em 1789) e Antônio de Mattos Freire*, supõe-se que vindos de Portugal. Pois não ha confirmação se já estavam em alguma outra localidade no Brasil.

Casaram-se com residentes do estado de Sergipe e seus descendentes casaram-se por sua vez entre eles. Muitos dos nossos familiares ainda hoje mantém alguns hábitos que levam a crer que somos descendentes de Cristãos Novos ou Mouros, ou seja, Hebreus ou Árabes. Daqueles Judeus ou Árabes perseguidos pela temida Inquisição.”

 

IV. Manoel de Carvalho Carregosa I na nossa historiografia.

 

Manuel de Carvalho Carregosa I, (o primeiro, daí o I para diferenciá-lo de um seu bisneto homônimo, o segundo, II), é citado por FELISBELLO FREIRE, e posteriormente por EMANOEL FRANCO (A Colonização da Capitania de Sergipe D’El- Rei, pg 242), por ter recebido um alvará de sesmaria em 27 de julho de 1751 de uma área de “uma légua de largo e três de comprido ou 13.068 hectares, 43.200 tarefas sergipanas, em Sergipe d’EL_REI, Vila do Lagarto, entre o rumo das testadas dos Siqueira e Araújo e a do Coronel José Pacheco Paes do riacho Timbó para cima começando do riacho para o norte, pelo taboleiro da Estância encostado ao rumo dos Siqueiras e Araújo até o marco que está à beira da estrada real, correndo para leste até as terras de Sebastião F. Carvalho e daí correndo até a testada do dito Coronel com todas as águas”.

 

Este Manuel de Carvalho Carregosa I é a origem mais remota da família, tendo sua morada na cidade do Lagarto – Sergipe, proprietário do engenho de açúcar Moendas.

 

Acredita-se que Manoel de Carvalho Carregosa I (1719-1789) chegou às imediações de Lagarto em 1750, juntamente com seu amigo Antônio de Mattos Freire*, ambos chegados de Portugal, porque sua presença em terras brasileiras não foi constatada anteriormente.

 

Os dois amigos casaram com moças da região, famílias que se misturaram, com uniões sucessivas entre primos e aparentados, numa endogamia familiar e cantonal.

 

V. Dos Carvalho Carregosa aos Garcia Moreno.

 

Segundo o mesmo site da família Carvalho Carregosa, Carregoza, Carrigosa, Carrigoza, a sequência familiar iniciada com Manoel de Carvalho Carregosa I e Ana Francisca de Menezes possui a seguinte descendência cuja numeração no casal iniciada tenta explicitar a sequência cronológica de filiação:

 

1. Manoel de Carvalho Carregosa I (Portugal 1719- Lagarto 1789) c.c Ana Francisca de Meneses.

   1.01. Geraldo Jose de Carvalho c.c. Joaquina de Mattos Freire, filha de Antônio de Matos Freire*.

       1.01.01. Domingos Jose de Carvalho c.c. Antonia Francisca de Carvalho

                1.01.01.01. Manoel de Carvalho Carregosa II (1826-1882) c.c. Jovina de Matos Freire**.

                           1.01.01.01.01. Tito de Carvalho Carregosa (1870-1933) c.c. Maria Isabel Dortas de Carvalho

                           1.01.01.01.02. Ana Freire de Carvalho (Baronesa de Santa Rosa – Simão Dias – SE)

                           1.01.01.01.03. Pedro Freire de Carvalho (Governador de Sergipe 28/07 a 24/10/1914)

                           1.01.01.01.04. Constança Freire de Carvalho

                1.01.01.02. Antonio Manoel de Carvalho.

                1.01.01.03. Joaquim Januario de Carvalho,

                1.01.01.04. Francisco Antonio,

                1.01.01.05. Jose Zacharias de Carvalho (1825-1896),

                1.01.01.06. João Baptista de Carvalho Daltro (1828-1910). (Simão Dias – Sergipe)

                           1.01.01.06.01. Pedro Garcia Moreno (I.) *** (1880-1956)

                                       1.01.01.06.01.01. Eurianta Garcia Moreno Souza Leão (I.1.) ***

                                       1.01.01.06.01.02. Hieranto Garcia Moreno (I.2.) ***

                                       1.01.01.06.01.03. Anatólio Garcia Moreno (I.3.) ***

                                       1.01.01.06.01.04. João Batista Perez Garcia Moreno (I.4.) ***

                                       1.01.01.06.01.05. Canuto Garcia Moreno (I.5.) ***

                                       1.01.01.06.01.06. Paráclita Garcia Moreno (I.6.) ***

                                       1.01.01.06.01.07. Pedro Garcia Moreno Filho (I.7.) ***

                                       1.01.01.06.01.08. Aldjebran Garcia Moreno (I.8.) ***

       1.01.02. Jose de Mattos Freire de Carvalho.

       1.01.03 Felix Jose de Carvalho que não era filho de Joaquina de Mattos Freire.

   1.02. Bernardo José de Carvalho

 

VI. Uma descendência a merecer complementos.

 

Seguindo tal descendência da linha direta de Manoel de Carvalho Carregosa I, de seu filho Geraldo José de Carvalho, e do filho deste, Domingos José de Carvalho, alguns bisnetos se destacam pela prole daí surgida.

O Primeiro é o bisneto homônimo Manoel de Carvalho Carregosa II, de quem descendem a Baronesa de Santa Rosa, Ana Freire de Carvalho, e o Vice-Governador de Sergipe (1910-1914), Pedro Freire de Carvalho, depois Governador de 28/07 a 24/10/1914, na sucessão do General Siqueira de Meneses, entre outros.

 

Também constitui descendência de outro bisneto, Antonio Manoel de Carvalho, o Desembargador Gervásio Prata, o jurista Antônio Manoel de Carvalho Neto, e mais recentemente o Governador de Sergipe (1964-1966), Sebastião Celso de Carvalho, cujos parentescos se misturam nos sucessivos matrimônios entre primos.

 

Outro bisneto destacado, origem e razão deste trabalho, é João Batista de Carvalho Daltro, cujo filho Pedro não foi batizado com o sobrenome Carvalho, surgindo com ele uma nova família, nominada Garcia Moreno ***, cuja numeração recomeça com (I.), uma vertente da 6ª geração dos Carvalho Carregosa, parentesco nos quais se misturam as famílias Mattos, Dortas, Prata, Freire, vizinhanças do Caiçá, no Lagarto, em Simão Dias, Riachão do Dantas, Paripiranga e arredores.

Descendência muito ampla, a merecer estudos e complementos.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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