PADRES E JUÍZES

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Há tempos que os políticos – principalmente aqueles que estão em disputa de mandato – falam que em nenhum momento deve-se brigar com padres e juízes. São pessoas que influenciam diretamente em uma eleição, quer através de pregações para suas ovelhas (no caso do padre), ou no comportamento de cada candidato junto ao eleitorado (em se tratando de juízes). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está entrando em conflito com um dos segmentos que tem muita força junto ao eleitorado. Nessa queda de braço é possível que Lula não consiga melhorar sua posição junto à sociedade, ainda vinculada à igreja. O presidente está em discussão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma poderosa entidade que está próxima às comunidades e tem força para modificar os caminhos de seus obedientes seguidores. A Igreja é o primeiro poder informal e sabe levar mensagens políticas aos cristãos, como se fossem as palavras de Deus.

Ontem, o presidente da entidade, dom Geraldo Majella Agnelo, ao lançar oficialmente a Campanha da Fraternidade na Bahia, elevou o tom das críticas ao governo do presidente Lula: “este governo gosta de fazer comparações com outras administrações. Mas não existe na história um governo tão submisso às condições impostas pelos credores do que este”. O cardeal primaz do Brasil lembrou: “eu ainda não vi um banco quebrar no governo Lula. Pelo Contrário, os banqueiros estão lucrando cada vez mais”. D. Geraldo Majella exagera ao reclamar por não ter visto nenhum banco ir à falência. Isso não é bom para o setor financeiro e nem para o país. Mas tem razão quando mostra que os bancos apresentam a cada ano lucros líquidos impressionantes. Para sentir como está a igreja com o presidente, quarta-feira passada o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, declarou que o Brasil é um “paraíso financeiro”. 

O Bolsa Família, um dos mais divulgados programas do governo federal, também foi duramente criticado pelo arcebispo Geraldo Majella: “o Bolsa Família é assistencialismo, não é promoção humana. Em alguns casos esse programa estimula as pessoas a não fazerem absolutamente nada, em troca de R$ 60 ou R$ 90 por mês. O que a CNBB quer é trabalho e educação para todos”. É verdade. A liberação de algum dinheiro para manter famílias sem trabalhar é um incentivo à ociosidade. Além disso, favorece à corrupção de políticos inescrupulosos, que registram pessoas da família para receberem salários razoavelmente altos, sem exercerem qualquer tipo de atividade. Antes de participar de um programa de televisão, onde daria entrevista, dom Geraldo Majella ainda alfinetou: “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem a visão do povo. O povo quer trabalho, o povo quer educação e não campanhas de carnaval”.

É possível que se referisse à publicidade de incentivo ao uso da camisinha durante o período carnavalesco, produzida pelo Ministério da Saúde.

Apesar das críticas, dom Geraldo diz que a CNBB não faz oposição ao governo: “queremos contribuir para melhorar o Brasil e vamos seguir com o nosso objetivo”. A Igreja Católica está preparando uma cartilha para orientar os brasileiro nas próximas eleições: “vamos distribuir o livro, que vai ajudar na formação dos eleitores, com as nossas recomendações para todas as comunidades”, anunciou dom Geraldo Majella, que também citou estatísticas para criticar o governo Lula: “os indicadores, nacionais e internacionais, mostram que um terço da população brasileira vive abaixo da linha da miséria. É isso que nos preocupa. Então eu pergunto: tem trabalho? Tem educação”?

D. Geraldo Majella finalizou observando que os “acordos políticos” feitos para impedir a punição de alguns parlamentares acusados de participação no suposto “mensalão” prejudicam a imagem do Brasil: “já está provado que a corrupção existe. Agora, protelar prazos para não punir os culpados é inaceitável. A gente vê que os acusados conseguem muitos hábeas corpus, não vão aos depoimentos, dizem que estão doentes. Isto não dá para aceitar”.
Nesse ponto, a Igreja está transmitindo exatamente o pensamento da maioria do povo brasileiro. Com certeza essa indignação virá através do voto…

 

MARKETING

O governador João Alves Filho (PFL) começou em São Paulo e vai terminar em Aracaju, aonde chegou ontem à tarde, uma análise ampla das eleições estaduais de outubro.

João Alves mantém conversas com um experimentado marketeiro, para avaliação do seu trabalho e o que deve ser levado para a campanha eleitoral.

 

TRABALHO

A partir de agora, o governador vai iniciar o trabalho para a reeleição, inclusive com disposição para abrir os caminhos das composições.

Está disposto a conversar com todos os segmentos, incluindo o PSDB. Ontem, em Aracaju, ele promoveu um encontro entre o marketeiro e o pessoal da área política.

 

CACHO

O advogado Emanoel Cacho ainda ocupa a Secretaria da Justiça, mas vai deixá-la com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara Federal.

Apesar da disposição, disse que se for convocado pelo governador João Alves Filho para qualquer outra missão não vai recusar.

 

ANIMADO

Emanoel Cacho está animado com o longo período em que não se registra fugas nas penitenciárias do Estado, fruto de um projeto de sua Pasta.

Lembrou que Sergipe está gastando 30 milhões de reais no Sistema Penitenciário, enquanto o Governo Federal reservou recursos de R$ 26 milhões para todo o Brasil.

 

PARENTESCO

Deu no JB: na avaliação do ministro do STJ e corregedor do CNJ, Antônio de Pádua Ribeiro, outra pedra no caminho da norma antinepotismo é o novo Código Civil.

Pelo Código em vigor, o parentesco por segundo grau só vai até o filho do irmão, mas não abrange os chamados sobrinhos “tortos” (filhos do irmão da mulher ou do marido).

 

DÉDA

Apesar de participar ativamente do carnaval, na segunda-feira o prefeito Marcelo Déda (PT) deu uma pausa para tratar sobre política.

Na casa do senador Valadares (PSB) o Marcelo Déda almoçou com prefeitos, vereadores e lideranças políticas de algumas cidades. Depois dei um passeio de barco…

 

TRANSIÇÃO

Marcelo Déda disse ontem que a partir de agora as coisas estão começando a afunilar para que seja feita a transição até 31 de março (a data é triste).

Até dia 15 de março, Déda pretende resolver com Edvaldo Nogueira (PCdoB) alguma coisa mais estratégica, como a liberação das Secretarias Municipais de Finanças e Saúde.

 

CANDIDATOS

Os secretários de Finanças, Nilson Lima, e o de Saúde, Rogério Carvalho são candidatos a deputado federal e estadual respectivamente.

As duas pastas, consideradas importantes, devem ser colocadas à disposição para que Edvaldo Nogueira indique seus substitutos imediatamente.

 

BRASÍLIA

Também antes do dia 15 Marcelo Déda vai a Brasília, porque está muito próximo da visita do presidente Lula a Aracaju e outras cidades do estado.

Déda disse que já foi contatado pelo gabinete do presidente sobre os motivos da vinda de Lula. O prefeito ainda mantém a causa em sigilo.

 

CONVERSA

“Acabada a folia, a hora é de conversar muito”, é o que pensa o deputado Fabiano Oliveira (PSDB), que acompanhou Albano Franco (PSDB) no carnaval de Pirambu e Simão Dias.

Reconhece que este é o momento do ex-governador Albano Franco conversar diretamente com João Alves Filho (PFL) ou Marcelo Déda (PT).

 

SENADO

Fabiano Oliveira entende que para candidatar-se a deputado federal Albano não precisa fazer coligação: “aliança só para o Senado e isso quem tem é o PFL”.

Setores do PFL acham que se Albano for candidato ao Senado tem que indicar um vice para que ele se empenhe na disputa pelo segundo turno.

 

AMORIM

O presidente do PSC, José Amorim, disse ao radialista Fábio Henrique que o seu partido só indicará o vice na chapa de João Alves se “o governador quiser”.

Amorim considerou André Moura “um grande nome para vice, mas o partido tem outros, a exemplo da atual vice-governadora Marília Mandarino”.

 

ENCONTRO

O deputado federal João Fontes (PDT) teve encontro ontem com membros do Partido Verde para discutir composições.

Logo em seguida conversou longamente com o presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo. João tenta sair por uma terceira via, porque acha que há clima para mudança.

 

 

Notas

 

NEPOTISMO-1

O relator da PEC que acaba com o nepotismo nos três poderes, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), aposta que crise política e ano eleitoral ajudam a aprovar a proposta. “Modificações radicais como a que proíbe o nepotismo cruzado, terceirizado, triangular, só em momentos de crise e em ano eleitoral”, assinalou.

Para o relator, os que são contra a proposta não terão coragem de se expor. “E nós teremos a oportunidade de acabar de vez com o nepotismo em todos os Poderes da República nos níveis estadual, federal e municipal”.

NEPOTISMO-2
O deputado Faria de Sá não acredita que seja possível negociar a proposta, permitindo a criação de cotas para nomearem parentes, nem acordos entre membros dos três Poderes ou dos três níveis de governo. “Acho impossível haver cotas. Na hora em que você abrir uma brecha, você abre uma porteira”.

O parlamentar admite que não se pode abrir exceção em questão de nepotismo. A proposta de emenda à Constituição segue o exemplo do Conselho Nacional de Justiça, que proibiu o nepotismo no Poder Judiciário.

 

PORNOGRAFIA

Projeto de Lei do deputado Milton Monti (PL-SP), proíbe as bancas de revistas, livrarias e locadoras de vídeo de exporem ao público produtos com conteúdo pornográfico ou obsceno. Os estabelecimentos deverão criar locais reservados para vender revistas, fitas de vídeo, CDs ou outro material que tenha conteúdo erótico.
O parlamentar diz que a finalidade da proposta não é proibir a venda de produtos que apresentem cenas de sexo, mas sim evitar que sejam expostos ao público sem nenhum critério, inclusive em relação às crianças.

 

 

É fogo

 

Os cartões oferecidos pelos supermercados podem sair caro para os consumidores mais desatentos. De acordo com levantamento feito pela Pro Teste.

 

Dos 21 supermercados avaliados pela Pro Teste em todo o país, apenas dois oferecem o documento sem a cobrança de taxa, o Wal-Mart e o G.Barbosa.

 

O TSE esclareceu que o vice-governador que estiver ocupando interinamente o cargo de governador de estado nos seis meses antes do pleito, poderá concorrer à reeleição.

 

A cidade está voltando à normalidade, embora ainda seja visível a ressaca do carnaval. Só na segunda-feira é que tudo volta a funcionar para valer.

 

O senador Valadares (PSB) encontra-se descansando em sua casa de praia na Atalaia Nova, ao lado de amigos.

 

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) visitou poucos municípios durante o carnaval. Preferiu aproveitar para descansar.

 

O presidente Lula está trabalhando para evitar que o PMDB realize as prévias para escolha do candidato do partido a presidente da República.

 

O presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo, também defende candidatura própria a governador de Sergipe. Coloca seu nome à disposição.

 

O PSDB tem absoluta consciência de que será o fiel da balança nas eleições desse ano ao governo do estado de Sergipe.

 

A luta dos partidos pequenos hoje é ultrapassar a clausula de barreira, para poder terem vida no Congresso Nacional.

 

O Partido Verde não pretende fazer composições com legendas maiores apenas para servir de escada e eleger candidatos dos partidos aliados.

 

O bairro de Santos Dumont está começando a promover um carnaval de rua, que a cada ano aumenta o número de pessoas.

 

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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