Pelas Ondas Hertz

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Mônica Porto Apenburg Trindade
Mestranda em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard

O rádio, nas primeiras décadas do século XX, configurou-se como o maior potencial socializador do mundo civilizado, graças a seu notável poder de alcance e persuasão, garantindo uma homogeneidade de cultura e valores, provocando uma democratização social graças à educação das massas. Através dele a população poderia usufruir de momentos de educação política e social, informes e toda sorte de notícias, de modo a entrelaçar diversos interesses da nação.

A utilização das ondas Hertz pelos ditadores da época e pelos aspirantes a ditador era algo que já estava no ar. Hitler e Mussolini davam exemplos de como empregar o novo meio de comunicação para dirigir e controlar a opinião pública.  Já durante o Estado Novo (1937-1945), Getúlio Vargas (1882-1954) também atribuiu grande importância ao rádio percebendo seu caráter facilitador e agregador. Influenciado pelo modelo nacionalista alemão de 1933, Vargas objetivava através do rádio, fazer propaganda de si mesmo, mostrando a finalidade de suas ações, no intuito de conseguir o máximo de “colaboradores cidadãos”.

Contudo, para alcançar tal façanha, o presidente estadonovista não instrumentalizou a utilização do rádio no sentido doutrinário. Havia o controle por meio da censura, mas a programação era diversificada e não só de divulgação de atos políticos. Surgia então, uma nova concepção de educação e de suas potencialidades. Educar, nesse sentido, diferiu de doutrinar, passou a ser toda transmissão de cultura, de uma cultura-política.

Logo, prontamente o governo varguista elaborou um projeto político-pedagógico destinado a educar as camadas populares, predominando a ideia de povo carente, necessitando de condução firme e de vozes que falassem por ele, exprimindo seus impulsos e anseios. O raciocínio foi construído da seguinte maneira: o povo era potencialmente rico em virtudes, mas para manifestar este aspecto positivo, precisava da intermediação das instâncias superiores.

Nesse sentido, o rádio serviu como uma espécie de porta-voz dentro desse projeto político-pedagógico. Através dele a nação escutava Vargas e este, ouvia a nação, causando assim, uma maior aproximação entre eles. Por isso, além da transmissão de discursos e palestras proferidos pelo próprio presidente, havia também programas voltados estritamente para a educação escolar (aulas, palestras, seminários) e de entretenimento (poesia, música, novelas), objetivando alcançar todas as idades, gênero e graus de instrução.

Assim, este importante meio de comunicação, sem dúvidas, cumpriu um papel fundamental nas primeiras décadas do século XX e principalmente durante o regime estadonovista. Por seu intermédio, reduziram-se distâncias, barreiras culturais e políticas foram rompidas, a educação ganhou uma conotação mais ampla, o conceito de transmissão de cultura.

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