Plenário – Diógenes Brayner Severino cai

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Em apenas sete meses e seis dias acaba, de forma triste, a ascensão do deputado federal Severino Cavalcanti (PP), acusado de receber propina para manter em funcionamento um restaurante na Câmara Federal. Como todos os outros acusados, o pernambucano Severino Cavalcanti negou sempre. Suportou todas as pressões da imprensa e dos políticos. Rebateu as acusações, desmentiu a assinatura e disse que desconhecia a palavra “renuncia”. Ontem a pronunciou de forma definitiva como dono de um mandato parlamentar que se renovava há 42 anos, desde quando iniciou a vida pública como prefeito de João Alfredo, no agreste sergipano. O seu discurso de despedida foi um relato de sua vida como homem que entra e sai pobre da política e denuncias que, se bem analisadas, relatam perseguição porque não se deixou cair na tentação de fazer publicidade da Câmara Federal.

 

Severino Cavalcanti foi eleito por um desses caprichos das disputas político-partidárias. Jamais ele chegaria ao terceiro posto mais importante do país, se não ocorresse uma dissidência dentro da base de apoio ao governo. Isso despertou a sua candidatura, que contou com o apoio do chamado baixo clero – um grupo grande de parlamentares que não circula no topo do poder – e de deputados que estão no centro das decisões, formam a elite do Congresso Nacional e optaram por um nome sabidamente despreparado para comandar a Câmara Federal, com objetivo de afastar um candidato do PT, como o do deputado pernambucano Virgílio Guimarães, que se transformaria em dissidência na base do governo e, naturalmente, faria um trabalho legislativo voltado para o “PT do Bem”. Logo depois de assumir a presidência, o deputado Severino foi expondo um pensamento que mostrava o perfil de um político conservador e de governo, sem qualquer sentimento ideológico: defendeu o emprego de parentes em todos os graus, fez a apologia do fisiologismo, e se aproximou do Planalto em busca de cargos, a ponto de tentar abafar o processo contra deputados acusados de corrupção.

 

Severino foi a pior representação da Câmara Federal. No seu discurso, entretanto, ele usou palavras do presidente Lula da Silva, seu conterrâneo e igualmente despreparado para ocupar a presidência da república. Culpou, inclusive, os deputados do chamado alto clero que o ajudaram a chegar ao poder: “A elitizinha, essa que não quer jamais largar o osso, insuflou contra mim seus cães de guerra – arregimentou forças na academia e na mídia e alimentou na opinião pública a versão caluniosa de um empresário, que precisava da mentira para encobrir as dívidas crescentes de seus restaurantes, que necessitava da extorsão para equilibrar a desastrosa administração de suas empresas.” Severino encerrou seu pronunciamento dizendo que voltará à Câmara. “Voltarei. O povo pernambucano, mais uma vez, não me faltará. Minha querida João Alfredo e os outros municípios de minha base não me faltarão.” E se foi pelas portas dos fundos, ouvindo gritos de protestos de estudantes que invadiram as galerias e entraram em confronto com os seguranças da Casa.

 

Evidente que a crise política que atinge o Planalto não termina com o afastamento de Severino. Ainda há muita coisa a fazer para punir culpados e, principalmente, chegar a quem liberou os recursos para o PT fazer os pagamentos de campanha e da conquista de parlamentares para fortalecer o grupo de apoio. A nação não está satisfeita com o fim de Severino, que se deixou corromper por uma ninharia, em se comparando com os altos valores que foram repassados a corruptos através da direção do PT, que manobrou o empresário Marcos Valério. É preciso chegar a toda essa gente, aos senhores que promoveram o maior estelionato político da história do Brasil. A sociedade está atenta e estarrecida, até porque nunca viu um volume tão grande de dinheiro ser transacionado nos podres porões dos poderes. A questão Severino é outra, porque ainda não se chegou aos verdadeiros assaltantes dos cofres públicos e àqueles que frustraram a esperança de um povo que acreditou na mentira e no engodo.

 

REFINARIA

O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse ontem, na Câmara Federal, que nunca teve conhecimento do pleito de Sergipe pela refinaria de petróleo.

Informou isso quando o deputado federal João Fontes (PDT) se queixou da falta de resposta da Petrobrás à proposta feita pelo governo de Sergipe para instalação da refinaria no estado.

 

ENTREGA

Segundo Fontes foi encaminhada à Petrobrás toda a documentação sobre o interesse de duas companhias estrangeiras em associar-se ao projeto apresentado por Sergipe.
Acrescentou que todo o projeto foi protocolado, junto ao ex-presidente José Eduardo Dutra, na presença de vários parlamentares e, inclusive, do prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT).

 

CONTATO

O deputado João Fontes comunicou o fato ao governador João Alves Filho imediatamente. João vai enviar-lhe todo o documento protocolado para que ele apresente na reunião de quarta-feira.
Segundo o parlamentar, João Alves lhe avisou que o ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, desaconselhou as empresas a fazer projetos com Sergipe.

 

EMENDA

O deputado estadual Gilmar Carvalho (PSB) deve apresentar projeto que reduz o recesso parlamentar de 90 dias para 30. Acha excessivo o período.

O líder do Governo, Venâncio Fonseca (PP), disse que apresentará emenda para que o deputado tenha 30 dias de recesso, mas dê expediente integral, com dedicação exclusiva ao mandato.

 

OBSERVAÇÕES

Venâncio se baseia nas outras profissões: “sou procurador, Belivaldo é defensor público, Ana Lúcia é professora e todos tiveram que optar pelo mandato e salário”.

Lembrou ainda que Gualberto é funcionário de uma estatal e também fez a mesma opção: “nada mais justo do que todos os parlamentares darem tempo integral ao mandato”, disse.

 

PARTIDO

O deputado federal Cleonâncio Fonseca (PP) avisou a Venâncio que o partido não vai lançar candidato a presidente da república e nem fazer coligação a nível nacional.

Mesmo assim, Venâncio Fonseca trocará o PP pelo PFL, porque a reforma política proíbe coligações: “além disso, ninguém sabe como ficará a verticalização”.

 

REELEIÇÃO

A Assembléia Legislativa deve votar, ainda esse semestre, projeto que proíbe a reeleição para presidente do Poder.

Os deputados já entraram em acordo sobre isso e concluíram que se a reeleição continuar fica difícil a alternância do cargo.

 

CONFUSÃO

O deputado João Fontes interferiu, ontem, na confusão em que o deputado Eduardo Valverde (PT) partiu de desde em riste para a senadora Heloisa Helena.

O deputado. A serviço do Planalto, acusou Heloisa de manter um relacionamento amoroso com o ex-senador Luiz Estevão. Aconteceu no depoimento de Celso Dantas na CPI.

 

LUCIANO

O empresário Luciano Barreto disse ontem, por telefone, que tenho conhecimento de candidatura. Apenas foi informado de que um grupo político iria lhe propor isso.

Luciano falou com Plenário a 10 quilômetros da entrada de Oslo, capital da Noruega, por volta das 19 horas (14 horas de Brasília), proveniente de Estocolmo.

 

RETORNO

Luciano Barreto foi avisado pelo genro Wagner Bravo lhe telefonou na terça-feira, sobre a intenção do grupo político em lança-lo ao Senado. “Ele só vai me revelar pessoalmente”, disse.

Luciano percorre todos os países escandinavos de carro, ao lado da mulher, Maria Celi, Na quinta-feira (29) ele estará em Aracaju.

 

RECEITA

O prefeito de Santa Roza do Lima, Valter Barreto revela que o governo federal diminuiu em 80% a segunda parcela do Fundo de Participação do Municípios (FPM) em agosto.

Segundo ele, “a maioria dos municípios brasileiros tem como 90% de sua receita, o FPM. Diminuir essa cota em 80% é pretender quebrá-los literalmente”.

 

PERGUNTA

“O quê pretende o Governo Lula com o enfraquecimento dos municípios? Será que isso lhe daria facilidade em uma reeleição”? Pergunta Valter.

Valter lembra que “a queda em sua popularidade, por conta dos escândalos do mensalão, ou seria sua vingança contra o povo que o elegeu para governar a nação”?  

 

SEVERINO

Segundo um aliado do presidente regional do PT, Severino Bispo, na próxima semana ele terá informações fortes, que denunciam irregularidades no pleito.

Segundo a mesma fonte, “o presidente Severino está ordenando as provas, que não deixarão dúvidas quanto o abuso inclusive de recursos”.

 

Nota

 

REFORMA

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania decidiu ontem que o projeto de lei do Senado, que estabelece regras mais rígidas para reduzir os custos de campanhas e coibir o uso de caixa dois, terá que ser votado pelo plenário. A comissão respondeu a consulta feita pelada Mesa Diretora da Câmara Federal.
A intenção da Mesa era agilizar a tramitação, para que as regras já valessem para as eleições de 2006. Para que mudanças já sejam aplicadas no próximo ano, as novas regras precisam ser aprovadas até o dia 30 deste mês.

 

JERÔNIMO

O ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PTB), continua chateado com as insinuações de que tenha passado a integrar o grupo político do governador João Alves Filho (PFL) por cargos ou outros benefícios. Disse que se fosse por isso não sairia da oposição. O que o fez mudar é a certeza de obras para o município.

Jerônimo diz que Lagarto não recebeu nada do Governo Federal neste período e o prefeito Zezé Rocha não poderia deixar de responder à população as razões de sua reeleição. Também não gostou de ter perdido um núcleo da UFS.

 

ESTRAGO

A Verticalização, que deve ser mantida, vai promover um estrago de políticos de peso eleitoral dos partidos de pequeno porte, como PPS, PTB e até PCdoB, um dos mais antigos do Brasil. Dificilmente qualquer reforma seja votada até o dia 30 e o pessoal começa a se movimentar em busca de legendas mais firmes.

O grande problema é o coeficiente eleitoral e a chamada clausula de barreira, que os partidos pequenos terão dificuldade em oferecer para eleger representantes ou permanecer ativo. A partir da próxima semana será uma correria.

 

 

É fogo

 

O governador João Alves Filho (PFL) está começando a receber lideranças políticas para tratar sobre filiação partidária.

 

Há muita indecisão em relação aos partidos políticos e novas filiações, porque ainda não se tem uma noção concreta de como será a reforma política.

 

A maioria dos parlamentares acha que não dá tempo para votação de emendas, em razão do tumulto em que se encontra o Congresso.

 

Deputados federais, inclusive que apoiam Tomaz Nonô para presidente da Câmara Federal, acham que é dar muita força a Alagoas deixar o Congresso nas mãos daquele Estado.

 

Armando Batalha teve reunião, em Maceió. No final de semana, com o presidente do PV, Hermano Penna.

O ex-governador Albano Franco (PSDB) não pretende disputar o governo do estado. Sua disposição maior é pelo Senado.

 

O ex-deputado federal Sérgio Reis (sem partido) ainda não definiu se aceita a Secretaria da Agricultura. Diz que faz política em grupo.

 

O secretário do Esporte e Lazer tem procurado parceria com a iniciativa privada para incentivar o esporte no Estado e oferecer melhores condições aos atletas.

 

“Design com diferencial competitivo no setor do turismo” será tem de palestra para interessados no turismo na rota Aracaju/Xingó.

 

A Petrobrás não cumprirá seu orçamento de investimentos neste ano, de R$ 29 bilhões, em razão do atraso em alguns projetos, especialmente de plataformas.

 

Apesar do avanço da tecnologia, promovido pelas operadoras de celular, fica difícil impedir a clonagem de aparelhos.

 

O Bradesco lançou uma linha de crédito diferenciada de pagamento para compra de imóveis com valores de avaliação que vão de R$ 40 a R$ 120 mil.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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