POSIÇÃO E COINCIDÊNCIA

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Existe alguma coisa que se encaixa de tal forma, a ponto de oferecer oportunidade para uma análise mais objetiva, em relação aos últimos acontecimentos que registraram a possibilidade do ex-governador Albano Franco e seu grupo estarem aterrissando no campo aberto do Partido Liberal. É preciso começar da Câmara Federal, que instalou a comissão especial que vai estudar a PEC da Verticalização. O objetivo é acabar com a obrigatoriedade de alianças eleitorais. Pelas regras atuais da verticalização, definidas em 2002 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos com candidatos à Presidência da República são obrigados a repetir a mesma aliança nos estados, municípios e no distrito federal. A proposta analisada pela comissão assegura aos partidos autonomia para suas coligações eleitorais. Assim, o PMDB e o PT poderiam, por exemplo, lançar um candidato único à Presidência e também se coligarem a outras legendas nos estados.

A Reforma Política em discussão no Congresso Nacional foi o principal tema da reunião realizada pelo Partido dos Trabalhadores no início dessa semana. Os parlamentares confirmaram apoio à proposta de manutenção da verticalização eleitoral para as candidaturas nacionais, estaduais, distritais e municipais. Isso provocou surpresa aos demais partidos políticos, porque o PT se posicionava contrário à continuidade da verticalização. Na visão analítica de alguns parlamentares petistas, a obrigatoriedade de verticalização é fundamental para que os partidos mantenham a coerência de seus programas e o respeito para com o eleitor. “Em 2002, o PFL e o PMDB, na ânsia de derrubar o Lula, exigiram a verticalização pensando que iria prejudicar. Não prejudicou. O PT se aliou ao PL, ao PCdoB e ao PMN, e ganhamos a eleição”, lembrou um deles. “Agora eles, desesperadamente, acham que acabando com a verticalização vão derrotar o governo Lula. Está na hora desses deputados pensarem em uma lei duradoura e não em uma que mude a cada eleição”, complementou.

O pensamento é “politicamente correto”, como ensinava a cartilha petista. Foi através da segurança de que o governo vai exigir que o bloco que o apóia aprove a continuidade da verticalização no Congresso, que se pode constatar a necessidade do ex-governador Albano Franco trocar o PSDB pelo Partido Liberal. Há fortes indícios, levantados por um membro importante do bloco da oposição em Sergipe, que a posição eventualmente adotada pelo grupo que dá ordens no ninho tucano no estado, em se transferir para o Partido Liberal, teria saído da demorada conversa que o prefeito Marcelo Déda e o ex-governador Albano Franco tiveram no feriado de quinta-feira, 26 de maio. A dedução é de que o prefeito já tinha conhecimento da posição do PT favorável à continuidade da verticalização e o teria aconselhado a arrumar as malas e filiar-se a uma legenda que integrasse o bloco que o apóia. Albano Franco vinha sendo assediado pela cúpula liberal, principalmente o vice-presidente José Alencar, desde quando ficou sem mandato e principalmente agora, quando a direção do PSDB trabalhou a transferência do comando petista para o senador José Almeida Lima.

Uma parte considerável do grupo liderado pelo governador Albano Franco quer se acomodar no bloco de apoio a Marcelo Déda, muito mais por ser adversário do governador João Alves Filho (PFL), do que por convicção ideológica. Como a verticalização deve ser mantida e dificulta ao atual grupo tucano apoiar o PT aqui e votar no candidato a presidente do PSDB, o correto é abrir perspectivas de ingressar no Partido Liberal, dentro de um entendimento com o deputado federal Heleno Silva. E é possível que assim seja feito, mas lá para o mês de setembro, só para ter o gostinho de não dá tempo ao senador Almeida Lima de montar o PSDB que ele deseja.

Embora todo o grupo liderado por Albano Franco negue que abandonará o ninho tucano, em Brasília a direção nacional do PL já comemora essa conquista.
Tanto que o presidente do partido, deputado Waldemar Costa, terá uma conversa com o seu colega Heleno Silva para tranqüiliza-lo em relação à chegada dos fies novos que receberão as bênçãos liberais.

PIRANHAS
Ao lado do governador João Alves Filho, o ministro do STJ Humberto Gomes de Barros viajou de helicóptero a Piranhas (AL), onde recebeu o título de cidadão daquela cidade. O ministro retornou a Aracaju no mesmo helicóptero, mas o governador veio por terra e inaugurou obras nas cidades de Monte Alegre e São Miguel o Aleixo.

ABERTURA
À noite, já em Aracaju, o governador João Alves Filho abriu a reunião de auxiliares do governo, que se realiza em um dos hotéis da orla de Atalaia. A reunião continua por todo o dia de hoje, descansa amanhã e continua na segunda feira, quando será feito um balanço de cada pasta.

PROJETO
Uma bem entrosada fonte de Brasília disse, ontem, que o projeto do senador Almeida Lima com o PSDB não vai dar certo. A mesma fonte adiantou que a partir de agora a situação de Almeida Lima deve se voltar para o PMDB.

SILÊNCIO
Na bancada sergipana se comenta que tanto do lado de Almeida Lima, quanto de Albano Franco, tem gente escondendo o jogo. Embora Albano insista em dizer que ficará no PSDB, ele está tomando o rumo do Partido Liberal, para poder integrar a composição com a oposição em Sergipe.

CONVERSA
Na realidade o senador José Almeida Lima tem conversado com a cúpula do PMDB e trata sobre a formação de uma coligação. O presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo, admite que isso vai depender da questão nacional, porque os dois partidos tendem a lançar candidatos a presidente.

CHAPÃO
Os candidatos a mandatos proporcionais do Partido dos Trabalhadores estão defendendo um chapão em todos os níveis. Acha que a melhor opção é a formação de uma coligação ampla, pra que o grupo faça o maior número de representantes na Assembléia e na Câmara.

TRABALHA
O governador João Alves Filho (PFL) já deu o chute inicial nos entendimentos para disputa eleitoral de 2006. Ele disputa a reeleição. João está se aproximando de algumas pessoas importantes ligada à oposição. Até setembro sra mostrado esse trabalho silencioso que vem sendo realizado.

MUDANÇAS
A chapa para a reeleição teria outro vice para a disputa. Marília sairia e o seu marido, César Mandarino, seria candidato a deputado estadual. Para que a candidatura de Mandarino aconteça, o secretário de Governo, Nicodemos Falcão, não tentaria retornar à Assembléia Legislativa.

SEGURANÇA
O prefeito de Nossa Senhora do Socorro, José Franco (PPS), reconheceu ontem que um dos maiores problemas do país, neste momento, é a segurança. José Franco, que é presidente da Associação dos Prefeitos do Vale do Cotinguiba, reuniu-se ontem com colegas, em Carmópolis, e o assunto foi a falta de segurança no interior.

DESCUIDO
Um vereador de uma cidade do agreste falava exaltado em uma mesa, numa churrascaria tipo rodízio, queixando-se ao prefeito da falta de atendimento do governo. De repente o vexame: a prótese dentária saltou e caiu no prato do prefeito. O vereador meteu a mão, pegou a prótese e colocou no lugar. O prefeito fez outro prato..

BLOCO
O deputado federal José Carlo Machado (PFL) integrou o bloco de parlamentares que esteve quinta-feira com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Foi negociar com Aécio a criação de um bloco parlamentar para pressionar o governo federa a cancelar o projeto de transposição do ro São Francisco.

MINAS
Machado disse a Aécio Neves que ele tinha toda as condições de liderar esse movimento, em razão da força política de Minas Gerais. Os deputados aproveitaram e lançaram a frente parlamentar “Salve o São Francisco”, que já conta com 40 deputados e pretende reunir 120 parlamentares.

OBSESSÃO
Os deputados mostraram que a transposição das águas do São Francisco se tornou uma obsessão do presidente Lula, porque ele pensa que ganhará votos. Entretanto, quando o presidente perceber que deixará de ser votado na região se fizer a transposição vai desistir dela. É isso que a Frente também quer mostrar.

Notas 

VEREADORES
O ex-governador Albano Franco fez várias ligações, ontem, para suplentes de vereadores, avisando que esteve em Brasília e conversou sobre a PEC que derruba a resolução do TSE, em que reduz o número de membros das Câmaras Municipais, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Albano Franco tomou conhecimento de que a PEC será colocada em pauta ainda este mês e animou os vereadores considerando que há um clima que favorece à manutenção do número anterior de membros nas câmaras.

ECONOMIA
A redução do número de vereadores, ocorrida este ano através de resolução do TSE, tinha o objetivo de reduzir gastos e fazer uma economia para o país. Não adiantou de nada, porque não houve redução do duodécimo e as Câmaras Municipais passaram a ficar abarrotadas de dinheiro ampliaram os seus gastos. É baseado exatamente nessa razão que alguns ministros não enxergam motivo para manter a resolução, além da questão constitucional que a PEC arroga. Casos os suplentes assuam, devem receber os salários que perderam.

TUCANOS
A paz ainda não chegou ao ninho tucano. E, se depender do senador José Almeida Lima (PSDB), não chegará, porque ele insiste que não ficará ao lado do ex-governador Albano Franco. Almeida bate firme no grupo liderado pelo senador, por considerar que o pessoal está querendo se vincular ao PT. Albano Franco não fala nesse assunto, mas demonstra boa convivência com o Partido dos Trabalhadores, através de Marcelo Déda. Isso, aliás, é uma das coisas que Almeida critica, porque contraria a posição tucana..

É fogo

Reacendeu a discussão sobre a convivência do ex-governador Albano Franco e do senador José Almeida Lima no PSDB.

O senador Valadares também se pronunciou nas homenagens à cantora Fafá de Belém, quinta-feira, no Senado.

Preocupado em barrar a CPMI dos Correios, o Governo Federal está esquecendo de administrar o país.

Nos bastidores, alguns políticos começaram a se movimentar com o objetivo de trocar de partido, visando melhor condição em outra legenda.

O prefeito de Areia Branca, Ascendino Souza, animado com a perspectiva de um bom festejo junino este ano.

O prefeito Ivan Leite, de Estância, também está disposto a refazer o São João naquela cidade, para manter a tradição.

O ex-prefeito de Capela, Manoel Messias dos Santos (Sukita) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para reaver o mandato.

Caso Sukita não consiga reverter a situação no STE, ele estará impedido de disputar uma nova eleição para escolha do seu sucessor.

O deputado Venâncio Fonseca (PP), líder do Governo na Assembléia Legislativa, diz que votará contra qualquer projeto que acabe com a taxa de esgoto.

O deputado estadual Ulices Andrade (PSDB) diz que o senador Almeida Lima não participou do programa do partido porque não quis.

Os servidores públicos federais deflagraram uma greve geral, por tempo indeterminado, para protestar principalmente contra o reajuste de 1% concedido pelo governo federal.

O Baco Central estuda passar a compilar também os dados de instituições não financeiras que fornecem micro crédito para poder, assim, ter um retrato mais fiel dessa modalidade de empréstimo.

brayner@infonet.com.br

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