Possível precipitação

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O radialista e ex-deputado estadual Gilmar Carvalho (PSB) criou um fato político e movimentou a oposição em seu favor. Evidente que o gesto de renunciar foi o caminho que ele viu para se livrar de uma cassação, que o deixaria fora da vida pública por oito anos. Longo demais para quem faz política e tem necessidade de manter um mandato, até para fazer o seu estilo. É bom dar um basta na hipocrisia: mesmo alguns deputados que hoje estão tirando proveito do seu afastamento voluntário, torceram intimamente para que fosse lida imediatamente a carta renuncia. Gilmar sempre foi um calo no calcanhar de muita gente e, com certeza, continuará sendo através do seu programa de rádio, onde sempre esteve, até ter sido presenteado com um mandato parlamentar, através do ato de um magistrado que o deteve por algumas horas.

 

Até então Gilmar não pensara em ter mandato, o fez para adquirir imunidade e denunciar, com excessiva rispidez, tudo o que lhe parecia errado, ou controverso, ou fora da forma que ele pensava. Com muita coragem, Gilmar continuará sendo esse rebelde que polemiza, grita e faz um programa reconhecidamente alarmante.

 

Ontem, de Brasília, o deputado federal João Fontes (PDT) disse que conversou com vários parlamentares e a unanimidade era que ele havia se precipitado ao protocolar uma carta renuncia na Presidência da Casa. Na realidade essa é uma opinião esboçada até mesmo por parlamentares da base governista. A maioria acha que o ex-deputado deveria ter conversado com membros dos partidos da oposição, avaliado a situação, medido todas as possibilidades de condenação, para depois tomar a atitude radical da renuncia. Quem faz uma avaliação da causa, não entende a razão de tanta pressa no pedido de afastamento, se o acidente do carro, que foi incendiado próximo ao Palácio dos Despachos, sequer foi apurado pela Secretaria da Segurança. Além disso, algumas testemunhas surgiram negando a participação de Gilmar, embora o repórter Anselmo Tavares o tenha denunciado como a pessoa que adquiriu o carro e incentivou os taxistas a incendiá-lo. Havia garantias de provas, que até o momento não apareceram. Ontem, deputados de partidos do governo disseram que não votariam pela cassação de Gilmar em plenário ou no Conselho de Ética.

 

O então deputado estadual Gilmar Carvalho, na quinta-feira passada, já com a carta renuncia nas mãos, teve uma demorada conversa com o líder da oposição, Belivaldo Chagas (PSB), para ouvi-lo sobre a decisão. Foi desaconselhado, mas não o atendeu. Depois de muitas tentativas, cessaram os argumentos e o próprio Belivaldo fora protocolar o documento na Secretaria da Presidência. Aconteceu por volta das 11 horas, sob o compromisso de que não seria lida à tarde e absoluto sigilo para evitar divulgação pela imprensa. Já às 11:30 horas a notícia do pedido de renuncia chegou a Plenário, acompanhado do recomendação de manter silêncio sobre o assunto. Na quinta-feira à tarde, o documento de João da Graça pedindo apuração sobre o incêndio do carro próximo ao Palácio não foi lido por uma manobra da oposição. Imaginava-se que não abrindo o caso no Conselho de Ética, havia tempo de Gilmar Carvalho repensar e enfrentar as investigações, já que ele demonstrava convicção de que não tinha nada a ver com o problema.

 

Na realidade, Gilmar Carvalho foi informado da entrada do documento de João da Graça na quarta-feira e teria combinado com o presidente da Casa, Antônio Passos, que entregaria a carta renuncia, mas ela só seria lida depois que ele autorizasse. Os dois selaram compromisso de não dar divulgação, mas já na quinta-feira à noite o próprio Gilmar concedeu entrevista à TV-Sergipe anunciando a renuncia. Meia hora depois a mesma informação estava no noticiário da TV-Alese, foi manchete no Jornal da Cidade, saiu em Plenário e não deu mais para sustentar.

 

Enfim foi quebrado compromissos, Gilmar está fora do legislativo e tudo demonstra que aconteceu por pura precipitação.

 

 

IRREDUTÍVEL

Na conversa que teve com o líder da oposição, Belivaldo Chagas (PSB), o deputado João da Graça ficou irredutível quanto à retirada do documento ao Conselho de Ética.

João da Graça alegou que há necessidade de apurar o incêndio do carro, mostrou ressentimentos pessoais com “tudo que Gilmar fez comigo e meu pai”, disse.

 

EQUÍVOCO

Por equívoco, o documento de renuncia do ex-deputado Gilmar Carvalho foi publicado ontem no Diário Oficial, mesmo sem ter sido lida.

Aconteceu porque a Mesa pensava que a renuncia seria lida segunda-feira.

Belivaldo pediu o arquivamento do documento, a republicação da renuncia e que a Secretaria de Segurança deixasse os deputados a par da apuração sobre o incêndio.

 

DITADURA

O prefeito Marcelo Déda (PT) classificou de “retorno à ditadura” o pedido de renuncia do deputado Gilmar Carvalho (PSB).

Déda diz que a renuncia foi uma cassação do mandato do parlamentar radialista, que estava sendo responsabilizado pelo incêndio de um carro próximo ao palácio.

 

CUIDADO

Marcelo Déda advertiu que todo cuidado é pouco, porque as ditaduras se formam lentamente, com atitudes como a que levou Gilmar Carvalho a pedir a cassação.

“Se grupos políticos têm divergências, disputem a preferência popular no voto: o mandato é sagrado e só o povo pode dá-lo, só o povo pode tirá-lo”, disse.

 

VENÂNCIO

O líder do Governo, deputado Venâncio Fonseca (PP) disse que “ninguém pede cassação”. Acrescentou que “Gilmar renunciou, num ato individual, de fórum íntimo”.

Segundo Venâncio, “cassação aconteceu com Jackson Barreto, quando prefeito em 86. Ele foi cassado com voto decisivo do então deputado Marcelo Déda (PT)”.

 

EXPULSO

Venâncio Fonseca disse, ainda, que não entende toda essa indignação do prefeito Marcelo Déda, com a renuncia de Gilmar Carvalho.

Lembra que indignado ficou o próprio Gilmar quando foi expulso do PT por ação de Marcelo Déda e José Eduardo Dutra.

 

GILMAR

O ex-deputado Gilmar Carvalho, que ontem à noite assistia aula na Faculdade de Direito, disse apenas que não foi surpresa e que vai redirecionar o seu caminho.

Na próxima sexta-feira, no auditório da ASI, haverá uma reunião da oposição para discutir estratégias de reação ao seu caso e a outros que podem acontecer.

 

ALBANO

O ex-governador Albano Franco (PSDB) declarou, ontem, que em nenhum momento procurou qualquer entendimento político com o PFL ou outro partido.

Acha que tudo depende da situação nacional, principalmente no caso da verticalização que ainda não foi definida pela Câmara.

 

LIDERANÇAS

Albano Franco acrescenta que vai ouvir as bases, lideranças do interior, para que seja feita uma coligação visando as eleições de 2006.

Confidencia que precisa de respaldo dos aliados e garante que alguns querem uma aliança com o PT e outros com o PFL.

 

DIVISÃO

Albano Franco preferiu não confirmar, mas o PSDB já fez um levantamento das tendências dos seus aliados e constatou que “tudo está bem dividido”.

Neste levantamento ficou bem clara: a maioria dos prefeitos tucanos defende composição com o PFL. Curiosamente, os prefeitos pefelistas também querem aliança com o PSDB.

 

LEMBRANÇA

Um membro importante do PSDB, que preferiu não entrar nesse fogo cruzado, acha que a sugestão de tucanos para vice na chapa de João pode ser um recado.

A mesma fonte lembrou que o nome do conselheiro do Tribunal de Constas, Antônio Manoel de Carvalho poderia ser interessante para o PSDB.

 

ELBER

O PDT reuniu-se para discutir candidatura própria ao governo do estado. O ex-vereador Antônio Samarone acha que o PDT tem que fazer coligações.

Para Samarone o PDT pode se aliar com qualquer partido. O vereador Elber Filho rebate: “em caso de uma aliança com o governo, deixo o PDT na hora”.

 

VIAGEM

Elber Filho viaja ao Rio de Janeiro amanhã para participar de reunião dos pré-candidatos a governador dos estados. Acontecerá na Fundação Leonel Brizola.

Desse encontro também participa o senador Cristóvam Buarque, que quer disputar mandato de presidente. No sábado haverá reunião de Diretórios Estaduais e do Diretório Nacional.

 

 

Notas

 

NEGOCIAÇÃO

José Serra está tão certo de que será o candidato oficial do PSDB à presidência da República que já negocia com o PFL a vaga de vice em sua chapa. Comprometeu-se a aceitar o nome que o parceiro indicar. O mais cotado é José Agripino Maia (RN), líder do PFL no Senado.

A eleição para a escolha dos governadores será simultânea à de presidente. Jorge Bornhausen, presidente do PFL, atribui às composições estaduais a mesma importância que confere à escolha do candidato a vice-presidente.

 

PLEBISCITO

O senador Almeida Lima (PMDB) usou da tribuna, ontem, para informar que apresentou projeto de decreto legislativo para a realização de um plebiscito em 1º de outubro de 2006 consultando a população acerca da necessidade de elaboração de uma nova Constituição. Almeida defende mudanças.

Em seu decreto, Almeida diz que caso seja aprovada, a eleição dos parlamentares constituintes seria em 5 de outubro de 2008 e sua instalação em 1º de novembro do mesmo ano, encerrando seus trabalhos em 2010.

 

ORÇAMENTO

Líderes partidários não conseguiram chegara um acordo na Comissão de Orçamento e, com isso, foi adiada mais uma vez a votação de dezenas de pedidos de créditos adicionais feitos pelo presidente da República. Um deles, no valor de R$ 1,2 bilhão, destina-se a gastos com perícia médica do INSS.

O presidente da comissão, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), convocou os líderes para reunião amanhã à tarde quando se fará nova tentativa de acordo pelo menos sobre os créditos mais urgentes.

 

 

É fogo

 

O delegado de carreira, Rubem Paulo Carvalho assumiu, ontem, a superintendência da Polícia Federal em Sergipe.

 

Deixa a superintendência em Sergipe o delegado Kércio Pinto, que está sendo transferido para Manaus.

 

Kércio Pinto prestou importantes serviços a Sergipe, agindo com rigor contra o crime organizado e no combate ao tráfico de drogas.

 

A secretaria da Administração vai colocar em funcionamento o Serviço de Atendido ao Servidor (SAS) durante 24 horas.

 

O secretário da Administração, Mendonça Prado, dará entrevista sobre o assunto hoje pela manhã, na sede da Pasta.

 

Os vereadores de Nossa Senhora da Glória estão abrindo CPI para apurar gastos do prefeito com duas festas realizadas no município.

 

O governador João Alves Filho (PFL) está orgulhoso com a presença de representações mundiais em Sergipe.

 

O vice-presidente da República, José Alencar, até então intocável, também entrou no escândalo promovido pelo PT.

 

Apesar de todos os crimes praticados, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores continua livre, leve e solto.

 

O ex-senador Francisco Rollemberg pode disputar um mandato nas próximas eleições. É possível que vá tentar uma vaga na Assembléia Legislativa.

 

O secretário de Coordenação Política da Prefeitura, José Eduardo Dutra (PT) está em silêncio quanto sua candidatura no próximo ano.

 

As lojas dos shoppings de Aracaju estão fechadas mais tarde, para as vendas de final de ano. A expectativa dos lojistas é de bom volume de venda.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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