PRAZO FATAL DO GOVERNO

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Apesar do tom cáustico dos artigos escritos ao longo da última semana, quero aproveitar a oportunidade para esclarecer, aos mais de mil leitores desta coluna diária, que não sou daqueles que se deliciam com o caos… Que torcem pela desgraça dos outros. Muito pelo contrário. Faço parte de uma geração de jornalistas, da qual muito me orgulho, que sempre primou e ainda prima pela ética no jornalismo acima de tudo. Sempre convivi – no eixo Aracaju/Brasília – com profissionais do quilate de Alexandre Garcia (TV Globo), Luiz Cláudio Cunha (Istoé), Weiller Diniz (Istoé), Luiz Gonzaga Mineiro (Record), Marta Salomon (Folha), Afonso Cozzolino (TV Globo), Denise Maduenõ (Estadão), Carlos Chagas (Manchete), José Carlos de Andrade (TV Sergipe), Sérgio Guttemberg (TV Atalaia, de saudosa  memória), entre tantos outros. E tive a grande felicidade de aprender com essas feras, no dia-a-dia das redações, que o repórter deve simplesmente acompanhar, analisar (com o devido cuidado) e divulgar os fatos, sem segundas intenções escamoteadas no texto. Um desses jornalistas, costumeiramente me dizia: “André, toda crítica ou elogio recorrente na imprensa tem por trás interesses outros que não a notícia”. E essa é uma grande verdade. São os chamados interesses inconfessáveis dos veículos de comunicação ou dos próprios profissionais de imprensa, que usam e abusam do “quarto poder” em certas ocasiões. Mas esse será tema de um outro artigo no futuro.

Faço essa observação – ou reflexão, como queira – porque, infelizmente, as criticas ao governo estadual tornaram-se recorrentes nas últimas semanas. Recebemos diversos e-mails com diferentes posicionamentos e denúncias. E, portanto, era hora de parar para analisar com todo cuidado se injustiças não estariam sendo cometidas contra a atual administração de Dr. João Alves Filho, por quem sempre guardei um grande respeito e admiração como homem público.

No entanto, ao revirar os fatos pelo avesso, à medida em que eram analisados, percebemos que este terceiro mandato de Dr. João Alves poderá estar, sim, fadado a um desfecho surpreendente, até então inconcebível por parte do grupo por ele liderado: poderá ser uma administração de despedida, desse grande político que transformou Sergipe em gestões anteriores.

Diante do que se observa hoje no Estado – insegurança, desemprego, caos na Saúde Pública, Educação em frangalhos, servidores revoltados – dificilmente, haverá espaço para um quarto mandato. Será surpreendente vê-lo convencer à população de que houve um erro de cálculo, e que a tal reciclagem (base do discurso de campanha em 2002) vai precisar de mais quatro anos para ser concluída.

A voracidade de certos auxiliares com o Orçamento Público é outro indício marcante de que o governo tem prazo marcado para terminar. Assim como a ponte Aracaju-Barra, que será inaugurada, salvo engano, em 26 de agosto de 2006, integrantes do núcleo duro do governo (o termo é bem apropriado e está na moda) correm contra o tempo e “trabalham” os seus interesses em silêncio, com um prazo fatal na cabeça: 31 de dezembro de 2006.

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