Projeto de poder

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É inegável que a imprensa, principalmente os articulistas políticos, tem sido perversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Plenário, por exemplo, não tem lhe poupado críticas. Articulistas políticos de grandes jornais e analistas de emissoras de televisão até se excedem em suas avaliações, sobre um Governo que gerou perspectivas positivas a todos os segmentos da sociedade brasileira. Na realidade ninguém está contra Lula da Silva, mas frustrado pela mudança brusca do seu discurso e propostas de campanha. Jamais se imaginou um retrocesso numa administração petista, mas um avanço, a passos largos, na solução das distorções contra as quais o partido sempre se insurgiu. Ninguém imaginou esta reversão. A unanimidade acreditava em projetos audaciosos, de cunho absolutamente social, e um avanço no sistema autoritário e coronelista que se praticou até hoje. A sociedade assiste, meia incrédula, o continuísmo piorado e parece não acreditar nas cenas de um filme reprisado. Hoje se imagina que o nome ideal para promover mudanças reais no Brasil era o de Ciro Gomes, acomodado no Ministério da Integração Nacional. Numa análise fria, e dentro de uma ótica meramente política, o esquema que vem sendo colocado em prática, pelo ministros da Casa Civil, José (Golbery) Dirceu, está absolutamente correto. É uma estratégia para que o Partido dos Trabalhadores espalhe-se por toro o país, fazendo o maior número de prefeitos possível e preparando o meio campo para eleger um bom número de governadores. Só contando com a força dos Estados e do Congresso, é que o PT poderá fazer valer o seu projeto político, que poderá durar 30 anos, assim como se manteve o sistema conservador. Evidente que se trata de um Golpe Branco, mas a estratégia de José Dirceu não é deixar o Partido dos Trabalhadores ficar na dependência de legendas como PMDB e até mesmo PL, que nunca surfaram em sua praia. Essa preparação de poder, do PT, em todo o Brasil, obriga o presidente Lula a praticar todo tipo de arbítrio, empurrando goela adentro programas autoritários e reduzindo, drasticamente, os poderes dos atuais governadores. A grande maioria vai enfrentar candidatos do Partido dos Trabalhadores em 2006. Em se tratando de Sergipe, é bom admitir que o prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, integra todo esse projeto de esvaziamento dos governadores nos Estados. Ele não é candidato à reeleição, embora certamente deve disputar sua continuidade à frente da Prefeitura de Aracaju. Na realidade, Marcelo Deda está trabalhando para a sucessão estadual de 2006, onde possivelmente enfrentará o governador João Alves Filho, com um Estado em dificuldade pela pressão que virá do Planalto. Esse projeto pode massacrar as cidades e prejudicar as comunidades, mas terá o objetivo de lançar salvadores da pátria nos períodos eleitorais, sufocando aqueles que se insurgirem contra o barbudinho que anseia pelo comando geral da Nação. Para que isso aconteça é necessário, também, que todos esses projetos dêem certo, porque se a inflação disparar, o desemprego atingir níveis insuportáveis, o dólar explodir e a economia perder o prumo definitivo, não há como concretizar o sonho da dominação. Também não se pode subestimar os governadores que estão no comando dos Estados, porque ninguém é ingênuo para se deixar vencer com a facilidade que o aprendiz de bruxo, José Dirceu, está imaginando. O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, integra, defende e luta por seu projeto. Mesmo que os seus opositores o imaginem traindo o Estado, na realidade, dentro da estratégia traçada, ele está se projetando para o futuro, na certeza de que servirá a Sergipe mais adiante. Ninguém pode desconhecer que Marcelo Deda se transformou em um político que aprendeu a manusear as pedras e se preparou, sem pressa, para chegar ao Palácio dos Despachos. Tem absoluta certeza que é uma das bolas da vez e está trabalhando incessantemente para isso. Evidente que a sua administração merece críticas setoriais, mas na soma dos prós e contras, o saldo é positivo. A cidade está organizada, os pagamentos rigorosamente em dia e até o momento não se registrou nenhum sinal de corrupção, mesmo com os rompimentos que poderiam suscitar denuncias. Tudo isso leva o prefeito a uma boa condição, embora ele tenha modificado sua postura simplista e se vestido de vaidade. As eleições estaduais de 2006 poderão encontrar um Deda fortalecido pelo êxito do Governo federal, ou abatido pelo fracasso de um projeto de poder, que pode decepcionar a sociedade. BATALHA O governador João Alves Filho (PFL) já vai começar a preparar estratégia para o seu novo campo de luta: o Senado Federal. João Alves não ficou nada satisfeito com a reforma tributária e sabe que dificilmente os oito destaques serão aprovados. CESTA A federalização do ICMS tira toda a força dos governadores dos Estados em trabalhar sobre o que arrecada. Na Câmara alguns deputados consideravam que, no próximo ano, o Planalto terá que elaborar um programa de “Cestas Básicas” para os governadores, que ficarão a pão e água. MACHADO O deputado federal José Carlos Machado disse, ontem, que fica difícil analisar a posição de cada deputado na hora da votação do projeto. “Se me perguntarem que Jorge Alberto tem compromissos com Sergipe, respondo que sim. Mas ele é vice-lider do PMDB, que fechou com o Governo”, disse. BAHIA Uma das perspectivas para o Senado é que o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) está contra a reforma tributária. Como os interesses da Bahia coincidem com os de Sergipe, é possível que essa união de forças dê bons resultados. CONVERSA O ex-governador Albano Franco (PSDB) tem conversado pouco sobre política, embora venha mantendo encontros com lideranças do partido. Albano tem se reunido com o deputado Ulices Andrade (presidente em exercício do PMDB) e com o deputado federal Bosco Costa. COMITÊ O prefeito de Feira Nova, Jônatas Oliveira, informou, ontem, que a eleição do Comitê Gestor do Fome Zero foi realizada da forma como a Ação Social orientou. Disse que alguns insatisfeitos com a eleição denunciaram a forma como ela fora feita e Brasília enviou o pessoal da Fome Zero para uma reunião, mas ninguém compareceu. PREJUDICADO Segundo Jônatas Oliveira, neste momento quem está prejudicado não é o prefeito, mas as famílias de Feira Nova, que até hoje não receberam nada. O prefeito garante que o cadastro único, exigido pelo Programa Fome Zero, já está pronto há mais de ano. ROLA José Ribeiro (Rola), figura folclórica da política sergipana, que surpreendeu com a votação para deputado federal, quer disputar a Prefeitura de Aracaju. Rola não entende que sua votação foi fruto de um eleitorado anarquista, que não vai entregar uma Prefeitura ao seu comando. BELIVALDO O deputado estadual Belivaldo Chagas (PSB) reconheceu que alguns setores da sociedade acharam pequena a pena de 30 dias de suspensão para João das Graças. “Em outros tempos – disse o deputado – um caso desse tipo jamais seria julgado pela Assembléia Legislativa. Acontecia e pronto…” AVANÇO De qualquer forma a Comissão de Ética da Assembléia Legislativa foi um avanço, porque inibe a ação de alguns parlamentares, cobertos pela imunidade. A punição de 30 dias é a máxima prevista pela Comissão de Ética. Depois só a cassação. O deputado perde todos os seus direitos neste período. ADVERTÊNCIA Durante a decisão da punição para João da Graça, houve algum momento que prevalecia apenas uma advertência verbal ao parlamentar. O pessoal levava em consideração que se tratava de uma briga de família, onde já houve casos idênticos em outras ocasiões. SEGURANÇA O deputado Gilmar Carvalho está avaliando com seriedade se pedirá segurança a Polícia Federal, porque não acredita no aparelho policial do Estado. Esta posição de Gilmar é pela falta de punição à banda podre da polícia, denunciada exaustivamente pela imprensa. CANDIDATURA Na avaliação de alguns políticos, caso o secretário de Turismo, Pedrinho Valadares, seja mesmo o candidato a prefeito pelo PFL, o senador Almeida Lima não disputará as eleições. O pessoal acredita que Almeida Lima deseja o apoio total do Governo. Sem isso, ele poderá lançar o deputado estadual Luiz Garibaldi. TAXISTA A ação da Prefeitura para barrar a circulação dos táxis de Socorro e São Cristóvão, em Aracaju, é política. Em recente pesquisa junto aos taxistas de Aracaju, o prefeito Marcelo Deda perde e ainda tem um alto índice de rejeição. Notas NEGATIVO O deputado federal João Fontes (PT) considera que os fatores mais negativos para Sergipe, na aprovação da reforma tributária, foram a falta de unidade da bancada e o trabalho intenso do prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, em favor do projeto. “Deda esteve em plenário para influenciar na votação”. Fontes admite que não importa se hoje o governador é João Alves que está num partido de oposição. “Amanhã pode ser José, Maria, enfim o triste é que Sergipe vai perder cerca de R$ 300 milhões por ano com essa reforma”. AVALIAÇÃO O vereador Antônio Góis (PT) decidiu fazer uma avaliação completa dos Cargos em Comissão da Prefeitura de Aracaju, Câmara Municipal, Assembléia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Contas e outros segmentos do poder. O vereador vai apresentar projeto para definir esses cargos. Segundo Góis, “nossa juventude, que está se formando, em muitos casos pagando caro por seus estudos, não tem oportunidade de emprego. Não existe concurso público na instância dos poderes, porque a maioria ocupa os CCs”. PROPOSTA O ex-secretário de Segurança, Gilton Garcia, lembrou que o decreto do Executivo nº 22088 de 11.08.03, dispondo sobre o retorno dos policiais militares aos quartéis vem de encontro a uma proposta sua, feita quando erra titular da SSP. Doravante fica proibido, nos termos da lei, a cessão de soldados PM para órgãos públicos. Gilton Garcia também lembra que o policiamento de fronteira anunciado pelo governador João Alves Filho, também teve início durante sua gestão, quando foi criada a Polícia de Fronteira, extinta há três anos. É fogo O deputado federal Jackson Barreto (PTB) deixa bem claro que não vai seguir orientação do governador João Alves Filho (PFL). Jackson Barreto prefere ouvir do deputado José Carlos Machado o que foi decidida pela bancada. Mesmo assim vota por sua convicção. O governador João Alves Filho (PFL) ainda terá um papel muito importante na votação dos destaques da reforma Tributária. O deputado federal João Fontes certamente será decolado dia 11 de setembro, pela Executiva Nacional do PT. O deputado federal Jackson Barreto queria ir ao Chile, dia 11, para participar das solenidades pelos 30 anos do assassinato de Allende. Onze de setembro passou a ser uma data fatídica. Não apenas pelo assassinato de Allende, mas pela ação terrorista que derrubo as duas torres gêmeas de Nova Iorque. A senadora Maria do Carmo Alves retorna ao Congresso Nacional no dia 15 próximo. Seu irmão, José Alves Neto, já está preparado para assumir o cargo. O Banese registrou, no primeiro semestre de 2003, um lucro líquido de R$ 13.1 milhões, apresentando incremento de 61,7% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O deputado federal Jackson Barreto considerou que o problema da reforma tributária é muito complexo, porque os interesses dos Estados se conflitam. João Fontes estranhou que às 9 horas da manhã o deputado Jorge Alberto estava contra a reforma tributária, mas à noite votou a favor. Por que a mudança? Ainda não chegou na Assembléia Legislativa o projeto de lei que aumenta o número de desembargadores. Setores vinculados ao Governo já estão iniciando estratégias para colocar o secretário de Turismo, Pedrinho Valadares, na vitrine. Ele pode ser candidato a prefeito pelo PFL. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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