PSDB e governo

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O ex-governador Albano Franco, do PSDB, e o secretário geral do partido em Sergipe, deputado Ulices Andrade, estiveram ontem com o presidente nacional, senador Tasso Jereissati, para relatar a situação política da legenda, com vistas às eleições gerais do próximo ano. Há um conflito de posicionamento entre os tucanos de Sergipe e os que detêm mandato na Câmara e no Congresso. Em Brasília, PSDB e PFL se entendem, mas em Sergipe existem barreiras que os mantêm à distância. Há até o contraditório: os tucanos sergipanos pousam com tranqüilidade em mesas dos partidos de oposição no estado e da situação em Brasília. Entretanto, através do artifício da verticalização, uma composição em Sergipe com o PT e seus aliados se coloca fora de cogitação, mesmo que fosse esse o desejo absoluto do tucanato no estado.

 

O ex-governador Albano Franco ouviu do senador Jereissati, seu velho amigo e colega, o mesmo que lhe vem dizendo há alguns meses: “candidate-se ao governo do estado e fortaleça o partido em Sergipe”. A opinião de Tasso é a mesma de outros membros da direção nacional e de uma boa maioria de correligionários em Sergipe. Mas Albano não demonstra interesse em retornar ao Palácio dos Despachos. A cabeça está voltada para Brasília, preferencialmente o Senado Federal, mesmo que não abandone a idéia da Câmara Federal, caso seja necessário ao partido. A verticalização deixa o partido com pouca opção, mas nomes como o deputado federal Bosco Costa, Ulices Andrade, Jorge Araújo, Fabiano Azevedo e tantas outras lideranças fortes do interior acham que o PSDB tem que ser cabeça de chapa e quem quiser que o acompanhe. Como Albano não tem pressa, está jogando linha para fisgar o melhor peixe.

 

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB), que já fez ousados projetos de arquitetura política, trabalha para que o ex-governador Albano Franco se mantenha na oposição ao governo, aliando-se ao projeto para eleger o prefeito Marcelo Déda governador. Albano e Déda, inclusive, se entendem bem e até são vistos juntos em procissões de festas de padroeiras nas cidades do interior. Albano sempre está com Jackson Barreto e muito freqüentemente com Valadares, constantemente procurando encontrar a melhor forma para uma composição. Mas isso é difícil em muitos sentidos, principalmente porque o PSDB é o principal adversário do PT a nível nacional e vai lutar para derrotá-lo nas eleições nacionais de 2006. Para enfrentar Lula vai se unir ao PFL, que será o principal adversário do PT em Sergipe. É uma equação muito complicada, porque alguns petistas de muitas lutas mantêm um sectarismo ultrapassado e não aceitam compor com os tucanos. Já declararam que não votarão em Albano Franco. É exatamente essa posição que deixa muito tucano de bico aberto.

 

O PFL ensaia uma aproximação com o PSDB e algumas conversas entre articuladores políticos avançaram para a consolidação de um entendimento. Mesmo que os dois partidos estejam unidos na esfera federal, há imensos obstáculos para uma aliança em Sergipe, apesar de votarem no mesmo nome para presidente. Albano quer participar da chapa majoritária do PFL como candidato ao Senado, mas a senadora Maria do Carmo Alves já avisou que vai disputar a reeleição. As pesquisas a colocam em posição privilegiada. Alguns tucanos, como Jorge Araújo e Bosco Costa, dão boas bicoradas nos pefelistas e esse clima anima a oposição, embora lá também não é fácil encontrar um bom espaço para Albano. Nessa brecha entra o filho do ex-governador, empresário Ricardo Franco, que coloca o nome à disposição para ser o vice de João e o pai candidato a deputado federal. Nada definido, nem mesmo a posição dos filiados do PSDB, que se dividem entre Déda e João. Segundo Albano, a maioria dos prefeitos prefere retornar a um entendimento com o PFL.

 

De qualquer forma o PSDB terá que se decidir e já começa a enxergar que encontrará dificuldades com um ou com outro. Albano já disse que pode ser candidato independente ao Senado, formar uma boa chapa proporcional e liberar todos para votarem a governador da forma que for mais conveniente a cada um.

Ontem, por exemplo, apareceu outra opção: Ricardo Franco topa disputar o governo pelo PSDB e já colocou seu nome à disposição do partido: “para ganhar ou para perder”.

 

 

RICARDO-1

O empresário Ricardo Franco (PSDB) disse ontem que poderá colocar o seu nome à disposição para disputar o governo do estado, caso seja essa a decisão do seu partido.

Acrescentou que em janeiro vai retomar um trabalho político. Ricardo mantém a proposta anterior, de ser o vice na chapa encabeçada pelo governador João Alves Filho (PFL).

 

RICARDO-2

Ricardo Franco deixa claro que não quer fazer carreira política: “o que quero é contribuir com o Sergipe e com o país como cidadão”.

O empresário se dispõe a disputar mandato ao executivo e vai expor suas idéias ao partido: “estou para perder ou ganhar. O que não podemos é ter medo de disputar”, disse.

 

EMPRÉSTIMO

A Secretaria do Tesouro Nacional pode indeferir os empréstimos solicitados pelo estado. O Tesouro hoje analisa poder por poder e em Sergipe o executivo e o judiciário não têm problemas.

O grande problema está no Legislativo. O tesouro constata que este poder em Sergipe está gastando acima do que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

RETALIAÇÃO

Para um parlamentar aliado a João Alves, que participou de reunião do Tesouro e pediu para não revelar o nome, isso é uma retaliação do governo federal ao governador do estado.

Lembrou que Sergipe tem poder de endividamento e o Executivo não pode interferir nos gastos praticados pelo legislativo.

 

SUKITA

Na diplomação do prefeito eleito de Capela, José Messias Sukita (PSB), estavam apenas o senador Valadares e o filho Antônio Carlos e André Moura ao lado da mãe, Lila Moura.

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT) chegou ao final da solenidade e passou alguns minutos na casa de Sukita.

 

AUDIÊNCIA

Sukita vai assumir no sábado, mas já anunciou nas rádios que vai agendar uma audiência administrativa com o governador João Alves Filho (PFL).

O prefeito eleito também avisou que terá compromissos políticos claros, em 2006, com quem ajudar diretamente a sua cidade.

 

PARTIDO

José Messias Sukita não nega que tem compromissos fechados com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB): “ele sempre esteve ao meu lado”.

Já está definido que para deputado federal o nome de Valadares Filho terá todo o apoio do prefeito eleito de Capela.

 

CANDIDATA

A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) disse ontem que não há motivo para ela deixar de candidatar-se à reeleição: “sou candidata sim”, confirmou.

Quanto aos entendimentos políticos que devem ser feitos com o seu partido, a senadora deixa claro que não participará de nenhum para abrir de sua reeleição.

 

CONVOCAÇÃO

Até o momento não há sinais para uma convocação extraordinária da Assembléia Legislativa, mas já tem parlamentar se movimentando para isso.

Caso haja a convocação será em janeiro para votar coisas de interesses do governo. Nenhum parlamentar rejeita.

 

PAIXÃO

O deputado federal Ivan Paixão (PPS) acha difícil que a Câmara Federal tenha mais tempo para votar a questão da verticalização.

Para Ivan, a votação só poderá acontecer com um quorum alto, “acima de 480 deputados”. Paixão confirma que os partidos estão divididos sobre queda e manutenção.

 

EDUARDO

O ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT), trabalha para ser candidato ao Senado Federal, embora ainda não tenha manifestado diretamente isso.

Eduardo tem mantido contatos com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e relatou a um amigo íntimo que, na opinião dela, ele disputaria o Senado.

 

VERDE

O Partido Verde realiza sexta-feira, na Assembléia Legislativa, o Encontro Estadual, que contará com a presença do presidente nacional, José Luiz Penna.

Penna vem percorrendo todo o Brasil, trabalhando para o PV para superar os 5% da cláusula de barreira para deputado estadual e 2% em nove estados.

 

CANDIDATOS

Presidido pelo ex-prefeito de São Cristóvão, Armando Batalha, o PV tem dois pré-candidatos a deputado federal: vereador Carlos Pinna Júnior e Reynaldo Nunes de Morais.

Segundo informação do partido, está praticamente certa a coligação com o PSL e PTN, podendo ser ampliada com outras legendas.

 

 

NOTAS

 

VERTICALIZA

O presidente do TSE, ministro Carlos Velloso, acha um retrocesso político o fim da verticalização para as eleições do próximo ano. A verticalização, para o ministro, além de moralizadora, fortalece os partidos políticos. O ministro participou, em Maceió, do encontro de presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Velloso condena a prática do caixa-2 nas campanhas. Ele informou que a Justiça Eleitoral propôs ao Congresso Nacional o aumento da pena (de 3 para 8 anos) e da multa (de R$ 270 mil para R$ 6,4 milhões) para quem cometer esse crime.

REFORMA

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) se mobiliza em favor do aumento de um ponto percentual no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que faz parte da reforma tributária. Os prefeitos iniciaram ontem a mobilização e vão cobrar dos deputados a votação da reforma, como admitiu Aldo Rebelo.

A reforma prevê o aumento do FPM de 22,5% para 23,5% da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Renda (IR). Com isso, as prefeituras conseguiriam um aumento de R$ 1,2 bilhão por ano.

FIM DO “JABÁ”

Já foi aprovado projeto do deputado Fernando Ferro (PT-PE), que tipifica como crime o ato de receber benefícios para executar músicas em emissoras de rádio e televisão. Pelo projeto, essa prática – conhecida como jabá – passa a ser suscetível de pena de detenção de um a dois anos, além de outras penalidades.
O relator da matéria, deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG), avalia que o jabá é “prejudicial ao ouvinte, na medida em que condiciona suas preferências”. A punição será um passo inicial para coibir essa prática.

 

 

É fogo

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já definiu todo o organograma para as eleições do próximo ano, que praticamente começa com as desincompatibilizações, de 30 abril.

 

5 de julho – último dia para a apresentação do requerimento de registro de candidatura aos cargos de presidente e vice-presidente da República e de governador, vice-governador, senador, deputado federal, estadual ou distrital.

 

6 de julho – começa a propaganda eleitoral e os candidatos, os partidos políticos e as coligações poderão realizar comícios.

 

19 de julho – último dia para os partidos políticos registrarem seus comitês financeiros perante a Justiça Eleitoral.

 

1º de agosto – é vedado às emissoras de rádio e televisão transmitir programa apresentado ou comentado por candidato escolhido em convenção.

 

15 de agosto – início do período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

 

16 de setembro – nenhum candidato poderá ser detido ou preso a partir desta data, salvo no caso de flagrante delito.

 

26 de setembro – A partir desta data e até 48 horas depois da eleição, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável.

 

28 de setembro – último dia para a divulgação da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, para a realização de debates e para propaganda política em comícios ou reuniões públicas.

 

30 de setembro – último dia para a propaganda eleitoral em alto-falantes e amplificadores de som ou para a promoção de carreata e para distribuição de material de propaganda política, inclusive volantes e outros impressos.

 

O ex-prefeito de Moita Bonita, Marco Antônio Costa, foi condenado a pagar R$ 67.608,27 pela não prestação de contas de verbas federais.

 

O mercado brasileiro de cartão de crédito deve terminar o ano com crescimento de 27,1% em relação ao exercício passado.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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