Quem não tem colírio

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Um dos maiores sustos do ano foi a volta dos óculos espelhados. De uma hora para outra, o item parecia ser a aposta mais promissora do verão e, como não poderia deixar de ser, só se falava da “novidade” vinda dos anos exagerados anos 80. Antes deles, mas ainda neste ano, o tópico da vez era os óculos gatinho e também houve disposição para os incrivelmente redondos. É, tem sido um ano agitado. E nos últimos tempos, todo mundo parece ter uma coleção de óculos de sol exposta sobre uma bandeja de prata nalgum canto do quarto.

Modelo clássico Ray.Ban numa versão repaginada (foto: divulgação)

É preciso admitir que poucas coisas na história da humanidade tem o poder de conferir tanto charme a alguém quanto um belo par de óculos. Mas também existem inconveniências. Quando uma pessoa usa um par que não lhe cai bem, a incongruência é gritante. Também acho muito desconfortável conversar com quem mantém o olhar oculto por lentes escuras ou espelhadas. E preciso admitir que estranho quando me bato com pessoas de ares blasé e óculos intransponíveis às 6h30 da manhã quando, repare bem, o sol mal levantou. De qualquer forma, não é como se acessórios fossem usados por mera necessidade.

Tudo isso me fez lembrar uma matéria publicada ainda em 1949 no jornal Folha da Manhã, conhecido hoje como Folha de São Paulo. Aparentemente, os óculos escuros representavam o último capricho da moda naqueles tempos e de tão comum, tal uso já estava se “convertendo em abuso”. Para validar a matéria, profissionais dos mais variados ramos foram selecionados. Prestou depoimento um sociólogo, um oftalmologista, um psicólogo e, acredite, até um médico legista.

Houve quem atribuísse o uso de óculos escuros para propósitos de dissimulação, outro encarava tudo aquilo como um fenômeno social e ressaltava o valor estético da questão. Em determinado momento, afirmaram que o aspecto psicológico do uso das lentes escuras era digno de ser estudado. Construído como já não se faz mais nos dias de hoje, o texto é no mínimo interessante, tanto pelo seu estilo quanto pelos depoimentos articulados em tom quase científico e filosófico que, em alguns casos, soam hilários. A matéria encontra-se disponível aqui.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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