Renúncia e ação

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O deputado suplente Luiz Mittidieri (PSDB) provavelmente vai adiar a posse na cadeira deixada pelo titular Gilmar Carvalho (PSB). Estava tudo pronto para ontem, mas a bancada do governo não deu quorum para a leitura da renuncia que o parlamentar protocolou na Presidência da Casa, às 11 horas da quinta-feira passada. A oposição uniu-se em favor do deputado radialista e está se mobilizando para encontrar a melhor saída para que o deputado João da Graça retire o requerimento em que pede a abertura da investigação sobre a participação de Gilmar Carvalho em incêndio de um carro tipo Chevett, próximo ao Palácio dos Despachos, em manifestação promovida por taxistas. A acusação de que fora Gilmar quem comprou o carro para atear fogo, em sinal de protesto, partiu do reporte Anselmo Tavares, que teria provas da participação direta do parlamentar, segundo informação de três deputados, um deles de oposição.

 

Quem levou o requerimento do deputado estadual Gilmar Carvalho pedindo a exoneração do cargo foi o líder da oposição Belivaldo Chagas (PSB), ao lado de um assessor do parlamentar que se afastava. Durante toda a manhã, Chagas tentou convencer a Carvalho a não entregar o documento. Até o prefeito Marcelo Déda (PT), que se encontrava em Brasília, também conversou com o deputado por telefone, para evitar que ele renunciasse. O fez tarde, o pedido já havia sido protocolado. Gilmar desconfiava que na quinta-feira a bancada da situação estaria lotando o plenário com esse objetivo. Equivocou-se duas vezes: na primeira data e ontem, quando mais uma vez, por uma manobra da oposição, não houve deputado suficiente em plenário para a leitura da renuncia. Desde o início deste mês que Gilmar fora informado de uma movimentação para coloca-lo no Conselho de Ética, com o objetivo de cassar-lhe o mandato. O requerimento seria lido de surpresa. Mas, através de um pedido do parlamentar, a entrada do documento, no final da tarde de quarta-feira, chegou imediatamente aos seus ouvidos, o que lhe fez tomar a medida de renunciar para poder tentar retornar à Assembléia Legislativa em 2007.

 

Ontem os deputados da oposição entraram em ação. Primeiro foi Francisco Gualberto (PT) que conversou por telefone com João da Graça, marcando um encontro para hoje. Depois foi o líder da oposição Belivaldo Chagas que também teve uma conversa com o parlamentar. João não criou problema e concordou com uma reunião a portas fechadas. Ele e Belivaldo, a quem declara ter excelente relacionamento. Quanto a manter ou retirar vai depender da conversa, disse João da Graça, ao considerar que a apuração no Conselho de Ética será para fazer uma investigação e ver se as denuncias são verdadeiras ou mentirosas. Mas, não será assim fácil, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Antônio Passos (PFL), disse ontem à noite, enquanto ouvia uma palestra, que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”. Para ele são fatos absolutamente diferentes, pois a retirada do requerimento pedindo uma investigação da Comissão de Ética sobre a participação do parlamentar na questão do incêndio do carro, não implica na anulação do pedido de renuncia. Foi objetivo: “a casa vai ler o pedido de renuncia protocolada pelo parlamentar e publicá-lo no Diário Oficial”. Diante da insistência de que poderia haver um entendimento, Passos foi rápido: “não quero me manifestar sobre esse assunto”.

 

Mesmo que não tenha nada definido, os deputados vão à sessão de hoje e inevitavelmente o pedido de renuncia será comunicado a Casa, seguindo o ritmo normal do que determina o artigo 104 do Regimento Interno, seguido de publicação. Só depois de todo esse protocolo é que o suplente Luis Mitidieri poderá assumir com tranqüilidade. Gilmar já avisou que vai fazer política na rua, mas está preocupado com a segurança pessoal, o que é natural. Ontem o presidente da Casa, atendendo apelo de vários membros da oposição, disse que faria alguma coisa para não entregar Gilmar às feras, mas será o máximo que poderá fazer.

 

Um deputado da situação, com influência na bancada, confidenciou que a uma altura dessa seria difícil retroagir, primeiro porque Gilmar entregara a carta renuncia e, segundo, a maioria dos deputados, até mesmo da oposição, tem algum problema pessoal com ele.

 

 

 

ATENÇÃO!

O deputado João da Graça terá uma conversa hoje, às 14 horas, com o líder da oposição, deputado Belivaldo Chagas (PSB).

João da Graça disse que não poderia deixar de atender ao amigo Belivaldo e acrescentou: dependendo da conversa pode retirar o envio de Gilmar ao Conselho de Ética.

 

RAZÕES

João da Graça disse que está fazendo isso porque existe uma denuncia que envolve o deputado Gilmar Carvalho no incêndio de um carro próximo ao Palácio dos Despachos.

“Estamos querendo apenas uma apuração para ver se é verdade ou mentira. Isso não quer dizer que Gilmar seja o culpado”, disse.

 

REUNIÃO

Prefeito Marcelo Déda, senador Valadares, deputado Jackson Barreto e bancada da oposição na Assembléia legislativa tiveram longa reunião com o presidente da Casa, Antônio Passos (PFL).

Foram falar sobre a segurança pessoal de Gilmar Carvalho. Passos disse que ia encontrar uma forma, para que o ex-deputado não fosse entregue às feras.

 

SUSPENSÃO

O deputado Francisco Gualberto (PT) perguntou se o documento do pedido de demissão não poderia deixar de ser lido na sessão plenária de ontem.

Foi o próprio Gilmar Carvalho que recusou isso, porque não acredita que conseguirá ser absolvido na Comissão de Ética.

 

SEM LEITURA

Ontem à tarde, quando iniciava à sessão, o deputado Francisco Gualberto pediu uma questão de ordem e solicitou que o pedido de renuncia de Gilmar não fosse lido.

O presidente Antônio Passos não atendeu e insistiu na leitura, quando houve uma manobra da oposição para evitar quorum. Faltava apenas um da bancada de apoio ao governo.

 

REGIMENTO

O deputado estadual Jorge Araújo (PSDB) disse que o artigo 104 do Regimento Interno reconhece a renuncia depois de lido em plenário e publicado no Diário Oficial.

Segundo Jorge, foi por isso que os deputados da oposição saíram do plenário e ainda vão tentar reverter este quadro.

 

REUNIÃO

Sábado pela manha foi realizada uma reunião na casa do senador Valadares (PSB) para fazer uma avaliação do quadro, com a renuncia de Gilmar Carvalho.

Na próxima semana todos os partidos de oposição já marcaram um encontro, para tomar uma posição em relação ao caso Gilmar Carvalho.

 

SENADO

O deputado estadual Fabiano Oliveira (PSDB) defende a candidatura do ex-governador Albano Franco ao Senado Federal.

Caso isso não seja possível, Fabiano acha que Albano pode até disputar a Câmara Federal, mas indicando o candidato a vice-governador.

 

EQUIVOCADA

Quem informou ao Blog do Noblat que houve uma briga de faixas em Aracaju não falou a verdade. Em nenhum momento o PFL pressionou a Prefeitura para retirar as faixas expostas pelo deputado estadual Jorge Araújo (PSDB) saudando o futuro presidente do Brasil, na recepção a Geraldo Alckmin e José Serra do (PSDB).

 

MOTIVOS

Por vários motivos Noblat deu uma notícia incorreta: O PFL em Sergipe sabia que não seria atendido pela Prefeitura do PT. O candidato do PSDB a presidente da República é o mesmo que o PFL defende. As faixas continuam expostas da mesma forma. E João Alves Filho já não é tão inimigo político de Albano Franco como era antes.

 

ALCKMIN

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin permaneceu em Aracaju e participou da abertura da Cúpula Nacional da Família+1, ao lado do governador João Alves Filho.

À noite jantou com deputados estaduais em um restaurante próximo à casa do ex-governador Albano Franco. Viajou às 5 horas domingo pela manhã em vôo comercial.

 

JORGE

O deputado estadual Jorge Araújo disse que a imprensa se equivocou, nas entrevistas, ao perguntar com que o PSDB iria se coligar.

A pergunta certa, segundo Jorge, que é do PSDB, seria procurar saber “quem iria se coligar com a gente. E lembrou: “temos candidato a presidente e bom nome para governador do estado”.

 

CICERONE

O empresário Adierson Monteiro, diretor da TV-Cidade, foi quem ciceroneou o passeio do governador Geraldo Alckmin por um dos choppings de Aracaju.

Foi quem tomou a frente na hora de pagar um cafezinho para uma extensa comitiva que cumprimentava pessoas que passavam indiferente à comitiva.

 

OPINIÃO

Segundo o site Congressoemfoco, que colheu várias opiniões sobre a cassação de José Dirceu (PT), ocorrida na sexta-feira passada.

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), disse o seguinte: “é o tipo do episódio que não se comenta. Enxugam-se as lágrimas e segue-se adiante”.

 

 

Notas

 

PROJETOS

O governador João Alves relatou o trabalho desenvolvido pelo governo para a melhoria da qualidade de vida da população, relatando projetos importantes como geração de empregos, importação de tecnologias de ponta, erradicação do analfabetismo e projetos contra a miserabilidade do povo mais desfavorecido.

João Alves ainda falou na Cúpula Mundial da Família, informando que cerca de 170 delegações estrangeiras estão em Sergipe para definir um plano de desenvolvimento os participantes, que deve ser cumprido até 2015.

 

VOTAÇÃO

A votação da PEC da Verticalização deve ser votada hoje na Câmara Federal, de acordo com entendimentos de líderes. A verticalização obriga os partidos a repetir alianças nacionais nas coligações estaduais. Segundo opinião da maioria dos deputados, hoje existe uma pressão do PT e PSDB para manter as alianças.

O deputado Pauderney Avelino (PFL-AM), relator da PEC na comissão especial, acha que a queda da verticalização é a melhor forma de garantir a liberdade de o partido definir suas coligações, como pensa a maioria.

 

PARENTES
A pauta do plenário inclui ainda a PEC 106/99, do ex-deputado Leur Lomanto, que muda as regras de elegibilidade dos cônjuges e parentes do presidente da república, governadores e prefeitos. O relator na comissão especial, deputado André de Paula (PFL-PE), apresentou substitutivo que altera o texto original.
Atualmente, a Constituição Federal torna inelegíveis, no mesmo território de jurisdição, o cônjuge e os parentes. A exceção, entretanto, é apenas para aqueles que já têm mandatos eletivos e são candidatos à reeleição.

 

É fogo

 

Deputados da situação acham que Gilmar Carvalho (PSB) se precipitou em renunciar ao mandato, porque não havia intenção de cassa-lo.

 

Entretanto, há informação de que a oposição fez uma manobra na quinta-feira passada, para evitar que o requerimento fosse lido em plenário.

 

O líder da oposição, deputado Belivaldo Chagas (PSB), pediu a dois colegas da situação que não entrassem em plenário. Foi atendido.

 

O deputado estadual Luiz Mittidieri (PSDB) assume hoje o mandato, vago desde a semana passada, com a renuncia de Gilmar.

 

Luiz Mittidieri foi eleito pelo PFL nas eleições de 2002, passando para o PSDB neste período de mudança de partido. Retorna à Assembléia depois de alguns anos de fastio.

 

O deputado Augusto Bezerra (PFL) lembrou que Gilmar já enfrentou o Conselho de Ética e foi absolvido, quando teria chamado os parlamentares de corja.

 

Quem enviou Gilmar à Comissão de Ética da vez anterior, foi o mesmo que o fez neste momento, João da Graça, que já recebeu punição do Conselho com 30 dias de suspensão.

 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, jantou no sábado à noite com deputados do PSDB, em um restaurante próximo à residência do ex-governador Albano Franco.

 

Domingo à noite houve festa de inauguração de nova parte da orla de Atalaia, com uma festa que foi até a madrugada.

 

A estrutura para o Pré-Caju começa a ser montada dia 19 de dezembro, a exatos 30 dias da realização da prévia carnavalesca.

 

A Varig anunciou a implantação de um programa de redução de custos com a aquisição de materiais e serviços.

 

A proposta de criação da Receita Federal do Brasil, conhecida como Super-Receita do Brasil, volta a tramitar na Câmara por meio de projeto do Poder Executivo.

 

brayner@infonet.com.br 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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