República das elites

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“Abaixo os Guabirus!” Era com esse slogan que Agassiz Almeida, escritor e professor, nascido em Campina Grande (PB) disputou as eleições para deputado estadual na Paraíba. Em 1058. Guabiru, no Nordeste, é rato de paiol, larápio, gatuno, ladrão. Elegeu-se levantando essa bandeira contra a corrupção e a bandalheira que grassava no país. Agassiz participou da fundação de ligas camponesas e de faculdades. Quando da instauração do Regime Militar, em 1964, teve o seu mandato cassado. Como um dos fundadores do MDB, voltou à Câmara Federal em 1979 e, na década seguinte, participou da Assembléia Nacional Constituinte e recebeu do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) nota de destaque por sua atuação política. No começo dos anos 90, deixou a vida pública e foi se dedicar a estudos e pesquisas. Escreveu os livros A nação e o impeachment, O país dos banqueiros e 500 anos do povo brasileiro. Agora, está mostrando A República das Elites, onde revela distorções históricas da política brasileira e faz um relato do comportamento da sociedade no atual momento político.

 

O escritor, professor e ex-deputado federal Agassiz Almeida monta em A República das Elites um poderoso painel onde, ao percorrer os mais de cinco séculos de história do Brasil, examina detalhadamente a controversa relação mantida entre as elites e os intelectuais. Segundo ele, as expressões artísticas e culturais presentes em nosso país sempre trabalharam – com raras exceções – a favor dos endinheirados. Para o autor, as elites negam a relevância e o talento do povo brasileiro. Ao repetir e disseminar bordões do tipo “o brasileiro é preguiçoso” e “só a polícia pode acabar com a marginalidade”, os formadores de opinião fixaram uma idéia que não poderia estar mais distante dos fatos.

 

A República das Elites mostra que os corruptos são os próprios poderosos, que compram dispendiosas mansões no exterior com o dinheiro roubado dos cofres públicos de um país em que uma enorme fatia da população é composta por miseráveis. Tal ideologia elitista remonta aos tempos da colonização portuguesa, quando a aristocracia assumiu o monopólio de extração do pau-brasil. No século XVI, grande parte das terras brasileiras já estava nas mãos de alguns poucos senhores de engenhos e barões do café que adoravam se vestir com tecidos importados. Fundamentando-se em pensadores como Marx e Marcuse, Agassiz explica que essa ideologia é cultivada por políticos e artistas – justamente aqueles que deveriam lutar contra ela.

 

Na sua visão, a participação da intelectualidade nos movimentos revolucionários ocorridos no Brasil foi de pouquíssima relevância. O autor ressalta que, ao contrário do que aconteceu em outros países, a literatura brasileira nunca manifestou qualquer repúdio aos donos de terra escravocratas e aos militares torturadores. Pelo contrário: em obras de autores renomados, entre eles Mário de Andrade e Monteiro Lobato, foi o povo que se viu ridicularizado nas figuras de “heróis sem nenhum caráter” (Macunaíma) e “piolhos-da-terra” (Jeca Tatu). Em suas próprias palavras, Agassiz Almeida enxerga a arte como o “ponto de partida para encontrar o homem no seu calejado ramerrão, e não como embalo para deleite e sensibilidade de uma pequena minoria”.

 

Agassiz (que combateu as ditaduras de Oliveira Salazar, em Portugal, e Augusto Pinochet, no Chile) lembra ainda que, no Brasil, avenidas e monumentos são sempre batizados em homenagem a monarcas e generais, enquanto os heróis que realmente batalharam pelo país – em ocasiões como a expulsão dos holandeses, a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana e a Coluna Prestes – foram praticamente excluídos da história oficial. Os nomes que hoje ganham destaque nos livros didáticos como grandes figuras do nosso passado são aqueles que sempre exploraram o povo e fizeram com que o Brasil se tornasse a nação com maior desigualdade social em todo o globo.

 

Sem soar academicista em momento algum, Agassiz Almeida faz de A República das Elites uma obra polêmica e esclarecedora. Como o teólogo José Comblin afirma no prefácio, o livro é “um panfleto revolucionário que passou pela exuberância nordestina: excessos de calor, excessos de seca, excessos de enchentes, um sol que tudo queima e a teimosia dos habitantes em desafiar uma natureza que os submete a uma provação constante”.

 

FOFOCA

O deputado federal Ivan Paixão (PPS) disse que se houver um racha para valer dentro do seu partido, ele fica com o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes.

Segundo Ivan Paixão, está havendo muita fofoca em relação a uma fusão do PPS com o PDT, para formação de um partido de esquerda.

 

ACORDO

Segundo Ivan Paixão, o presidente nacional do PDT declarou que deseja um entendimento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso afasta o deputado federal João Fontes do PDT, porque ele faz duras críticas ao Governo Federal. Também não aceita uma composição no estado.

 

ESTIAGEM

O prefeito de Poço Redondo, frei Enoque (PL) enviou ofício, quinta-feira, ao governador João Alves Filho (PFL), relatando a situação calamidade com a falta d’agua no município.

Frei Enoque pede uma ação imediata do estado, para reduzir os problemas provocados pela seca, que já atinge a alguns municípios do alto sertão.

 

HELENO

O deputado federal Heleno Silva (PL) disse que na próxima semana também vai cobrar uma ação do Ministério do Desenvolvimento Nacional.

Vai deixar clara que as águas acumuladas nas barragens, pelas chuvas de janeiro, não servem para consumo humano e nem para o plantio. É aproveitada pelos animais.

 

IZIANE

A prefeita eleita de Poço Redondo, médica Iziane Tenório, acompanhada do deputado Heleno Silva, teve uma longa conversa com o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT).

Iziane disse que fazia oposição ao Governo do Estado e que a ajuda de Marcelo Déda ao município era imprescindível.

 

VISITA

O prefeito eleito de Porto Velho (RO), Roberto Sobrinho (PT) está em Aracaju. Veio descansar e conhecer o trabalho realizado por Déda, que lhe rendeu tantos votos.

Ontem, Roberto Sobrinho acompanhou o prefeito Marcelo Déda em várias visitas a obras em andamento na capital.

 

SUCESSÃO

O deputado federal Jackson Barreto (PTB) defende que a chapa majoritária de 2006 seja formada por Marcelo Déda (PT) para governador e José Eduardo Dutra (PT) para o Senado.

A posição de Jackson não agrada às lideranças dos demais partidos que integram o bloco de oposição, que desejam representação na chapa majoritária.

 

CONVERSAS

Dentro da oposição algumas lideranças já começam a trocar idéia sobre a sucessão estadual e há uma tendência que defende apenas o Governo para o PT, caso o candidato seja Déda.

Esse pessoal acha que será imprescindível o apoio do ex-governador Albano Franco (PSDB) e só terão se ele for o candidato ao Senado. A formação da chapa não será fácil.

 

GILMAR

O deputado estadual Gilmar Carvalho cessou os seus contatos com o Partido Liberal. Sua filiação estava praticamente definida na legenda.

Gilmar Carvalho já confidenciou que deseja saber qual será sua posição dentro das oposições e de que forma poderá exercê-la.

 

FILIAÇÃO

O ex-prefeito de Estância, José Nelson, deixa o PPS e vai ingressar no PSB do senador Antônio Carlos Valadares.

José Nelson sentiu-se desprezado pelo partido, durante a campanha para retorno à Prefeitura daquela cidade.

 

VEÍCULO

A assessoria do ministro da Justiça, Marcio Tomaz Bastos, quase fica sem um veículo para ir ao aeroporto Santa Maria, a fim de embarcar para Salvador.

O ministro, depois da solenidade, seguiu viagem, mas o Palácio dos Despachos titubeou na hora de mandar os assessores, que foram num veículo da Prefeitura.

 

ELOGIOS

O secretário da Justiça, Emanuel Cacho, elogiou o empenho da superintendência da Polícia Federal em Sergipe, na campanha pelo desarmamento.

Propôs ao diretor geral da PF, Paulo Lacerda, que premie a superintendência sergipana, diante do sucesso obtido. Paulo vai estudar a proposta.

 

RODOVIA

O prefeito de Pedra Mole, Nilton Batista Carvalho (PFL) não compareceu à inauguração da rodovia que liga a BR-235 à sua cidade, com a presença do governador João Alves Filho.

A rodovia leva o nome do ex-prefeito José Lavres, pai do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro José Arnaldo de Lavres.

 

PROBLEMA

Nilton Batista Carvalho queria um outro nome para a rodovia e, como não conseguiu seu objetivo, viajou e foi o grande ausente da solenidade em Pedra Mole.

Quinta-feira, os secretários para Assuntos Parlamentares, Nicodemos Falcão, e de Articulação com os Municípios, estiveram com o prefeito, que ameaça deixar o PFL.

 

 

Notas

 

PAIXÃO

O deputado Ivan Paixão (PPS) denunciou a atitude da Agência Nacional de Saúde (ANS) diante da negociação entre operadoras de planos de saúde e entidades médicas. Com essa postura, a ANS se nega a estabelecer valor determinado para cada um dos procedimentos médicos, o que dificulta o entendimento.

“É a única categoria de profissionais liberais no Brasil aonde o valor do seu trabalho é determinado por aquele atravessador que vende, que mercantiliza juntamente aos seus usuários, aos associados desse plano”, disse Ivan.

 

LAGARTO

O presidente da Câmara Municipal de Lagarto, vereador Manoel Messias de Souza, assumiu a Prefeitura de sua cidade, em lugar de Zezé Rocha (PTB), reeleito em outubro, que pediu afastamento do cargo por um período de 30 dias. No atual mandato, o prefeito Zezé Rocha não tem vice-prefeito.

Messias assume a Prefeitura pela primeira vez em 36 meses de mandato de Zezé Rocha, que era o vice de Jerônimo Reis e ficou no cargo porque o titular se desincompatibilizou para disputar uma vaga no Congresso Nacional em 2002.

 

SECRETÁRIO

O secretário de Segurança Pública, Luiz Mendonça, estava animado na quinta-feira. Ele viajou ao lado do ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, para Salvador, a fim de presidir a reunião do Conselho de Segurança Pública do Nordeste, que aconteceu ontem naquela cidade, onde se discutiu medidas contra a violência.

Luiz Mendonça é o vice-presidente da entidade e comandou o encontro diante do titular do Conselho. A questão da segurança está sendo discutida em todo o país, para tentar uma redução nos índices alarmantes.

 

É fogo

 

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, dedicou todo o dia de ontem a visitas a obras da Prefeitura em alguns bairros de Aracaju.

 

Mulheres dos candidatos eleitos, em Itabaianinha, para prefeito, vice e vereador viajaram em ônibus fretados para Belo Horizonte, a fim de comprar as roupas de posse dos maridos.

 

O deputado Augusto Bezerra está se mantendo sem partido e assim ficará por mais alguns meses. Ainda não definiu a sua nova legenda.

 

O ex-governador Albano Franco chegou a reservar um terreno para construção de um prédio onde funcionária o novo jornal. Ainda não iniciou os alicerces.

 

O prefeito Marcelo Déda deve viajar à Holanda ainda este mês, onde participará de compromissos sobre a reciclagem do lixo.

 

Ascendino Souza (PSB), prefeito eleito de Areia Branca, planeja o que fará para recuperar o município. Acha que tem muito que fazer pela frente.

 

O deputado estadual Marcos Franco (PMDB) mostra que o seu partido teve uma excelente atuação em todo o país, elegendo 1.050 prefeitos.

 

O deputado Arnaldo Bispo (PMDB) também considera que o seu partido saiu-se bem nacionalmente nas eleições deste ano.

 

O prefeito de Pirambu, André Moura, ainda pode realizar o Pirambrega como despedida do seu mandato de oito anos.

 

A dona de casa deve ficar atenta aos preços de botijões de gás. O valor da unidade de 13 kg deve subir 6,7% ainda este mês.

 

As centrais sindicais querem que o governo revogue a portaria que proíbe que as entidades cobrem contribuição confederativa de trabalhadores não sindicalizados.

 

A Vasp deu novo calote na Infraero: pagou apenas R$ 154 mil de R$ 1,154 milhão que deveria ter entrado na conta da estatal até o sábado passado.

 

brayner@infonet.com.br

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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