Segurança preocupa

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O governador João Alves Filho passou a noite do domingo preocupado com a crise que se alastra na Secretaria de Segurança Pública, envolvendo, principalmente o seu titular, Luiz Mendonça. Tudo é muito grave, desde a citação do seu nome na CPI que apura a pistolagem no Nordeste, que funciona na Câmara Federal, como envolvido na fuga e plano de assassinato de Floro Calheiros. Piora agora com o caso da garota de 15 anos, que residia em Carira. A Polícia Federal agiu nesse caso, atendendo a mandado do juiz da comarca, Pedro Nilton. O processo estaria pronto para ser entregue ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pascoal Nabuco. Ontem pela manhã, o governador João Alves Filho cancelou alguns compromissos importantes e agendou uma longa conversa com o secretário Luiz Mendonça, sobre tudo isso que vem ocorrendo na Secretaria de Segurança Pública. A informação de assessores do Governo é de que não haveria demissão e Luiz Mendonça permaneceria no comando da Segurança em Sergipe, com todo o prestígio. Entretanto, esses próprios assessores reconhecem que não há mais clima para Luiz Mendonça na Segurança, em razão da imagem que se formou dele na sociedade sergipana. Como procurador de Justiça e um cidadão que está sofrendo pressões de todos os lados, o melhor para Luiz seria retornar ao Ministério Público, onde sempre teve uma posição de muito respeito, sem sofrer as perseguições políticas que geralmente atingem o cargo que ocupa hoje. A questão em Carira, envolvendo uma menina que hoje tem 15 anos, está sendo interpretada como política. A imprensa sabe do fato, conhece como se procedeu ao inquérito, mas evitou grandes comentários, por considerar que se tratava de um caso pessoal. O juiz Pedro Nilson foi transferido para Carira recentemente, como punição por ter entrado em discussão com um promotor na cidade de Poço Verde. Sua ação teria sido uma espécie de revolta contra o Ministério Público, do qual Luiz Mendonça é um dos seus integrantes. Mas, na opinião de um advogado que exerce uma importante atividade pública, isso não pode ser levado em consideração, porque há um processo sobre o fato, mesmo que ele tenha ocorrido já há alguns anos. Durante a manhã de ontem, também circulou a informação de que o procurador Luiz Mendonça entregaria a Secretaria da Segurança Pública, retornando às suas atividades no Ministério Público. É possível que isso aconteça, mas quem conhece bem Luiz Mendonça, sabe que ele é um cidadão que também não cede sob pressão. Alguns nomes até já começaram a surgir para substituí-lo, mas são figurinhas carimbadas, já conhecidas da sociedade e que todos sabem sua história. Em caso de mudança, o governador João Alves Filho deve tentar um nome que não tenha arestas dentro da cúpula policial e que chegue com o poder de união, porque a cúpula administrativa da Polícia Civil segue a orientações políticas diversas. Ontem, por exemplo, um ilustre membro do Governo aconselhou que, em caso da nomeação de um novo secretário, que não se escute os ilustres cidadãos que sempre indicaram os titulares da Segurança. Aconselha que o nome saia de um consenso dos delegados, de um entendimento da estrutura policial e que não tenha arestas dentro da organização. Porque só agindo dessa forma é que se chegará a uma Polícia bem estruturada e trabalhando dentro do que espera o cidadão que paga seus impostos e tem direito à Segurança, Saúde, Educação e os demais serviços públicos obrigatórios. Que se pense bem, afinal, a marca do governador João Alves Filho sempre foi uma polícia eficiente e sem problemas de qualquer espécie. LUIZ FICA O secretário de Segurança Pública continua sendo o procurador de Justiça, Luiz Mendonça, depois de uma longa conversa com o governador João Alves Filho. Um dos bons nomes do Governo disse que “por enquanto ele fica”, acrescentando que nesse ponto o governador João Alves Filho não altera sua equipe. IMPRENSA A mesma fonte acrescenta que o governador está chateado com a situação e sente a necessidade de mudança, mas não a fará sob pressão da imprensa. Aliás, é um hábito dos governadores não demitir ninguém através de matérias publicadas nos jornais, para que não passe a impressão que houve influência em seu ato. ATUAÇÃO De qualquer forma, o secretário Luiz Mendonça vem sofrendo, dentro da Secretaria, um trabalho de bastidores realizado pelo grupo que lhe faz oposição. O grupo que ele afastou da coordenação executiva da Polícia Civil tem habilidade na conspiração e está desgastando a atual administração. UM NOME Sexta-feira passada, um assessor próximo ao governador confidenciou que ainda não houve mudança na Segurança, por falta de um outro nome. Acrescentou que o governador João Alves Filho gostaria de ter o superintendente da Polícia Federal, Kércio Pinto, que está se aposentando. MEXIDA Já um dos auxiliares do governador revelou, ontem, que haverá uma mexida ma equipe e confirmou que o “governador não age sob pressão”. Acrescentou que a situação na Secretaria de Segurança ficou tão insustentável que não dá mais para sustentar. A mudança deve acontecer em janeiro. INDICAÇÃO O mesmo auxiliar disse que o governador João Alves Filho dessa vez não pode mais indicar pessoas que sejam da preferência de uma cúpula que fabrica a impunidade no Estado e que toma conta da Secretaria de Segurança. Sugeriu que fosse uma pessoa que não tivesse nenhum vínculo com esse grupo, para que quebrasse os vícios da Segurança. REUNIÕES O prefeito Marcelo Déda e seu grupo da bancada federal terão uma nova reunião com o coordenador da bancada de Sergipe, deputado José Carlos Machado (PFL). Querem chegar a um entendimento definitivo quanto as duas emendas para a Prefeitura de Aracaju. Déda acha que o acordo será possível, porque todos querem. NÚMERO O prefeito Marcelo Déda disse que se realmente forem 18 emendas, o entendimento sairá com tranqüilidade. Se ficar apenas 15 emendas, haverá uma redução de espaço. É que o orçamento, este ano, tem vários problemas. É bom lembrar que o prazo para apresentação das emendas termina na próxima sexta-feira. PRIORIDADE Marcelo Déda entende que não adianta colocar emendas bem feitas e bonitas, porque se não tiver na prioridade do Governo Federal pode ser aprovada, mas o dinheiro não vai sair. Aconselha que se veja o projeto do Planalto para o próximo ano e que as emendas sejam inseridas dentro do que for priorizado. DEBANDADA Dezenas de prefeitos de Sergipe debandam, hoje, para Brasília, a fim de reunir-se com a bancada federal, para conseguir emendas aos municípios. Isso acontece todos os anos e há necessidade da união de todos para que as regiões consigam emendas especificas, que beneficiem a todos, de forma indiscriminada. JERÔNIMO O ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PTB) também vai acompanhar os prefeitos na viagem à Brasília, para ajudar na conquista de emendas pelos municípios. Disse que as três associações municipais devem exigir emendas para cada uma delas, porque se não for assim, ninguém vai receber nada. BRASÍLIA O governador João Alves Filho embarcou, ontem à tarde, para Brasília. Vai iniciar os contatos com a bancada sob as emendas orçamentárias. Estes dias serão de muita conversa para aprovação das indicações de emendas que favoreçam oposição e situação. CAMPANHA Está esquentando a campanha pela presidência da OAB em Sergipe. O advogado Eduardo Ribeiro trabalha pesado para eleger-se. O advogado Gilton Garcia, que é um dos conselheiros da chapa, diz que é preciso renovar a OAB. Lembra que ela está há 15 anos nas mãos dos Brittos. Notas IMPUNIDADE O presidente da CPI da Pistolagem, deputado Bosco Costa (PMDB) está assustado com o índice de violência e impunidade em Pernambuco, Paraíba, Bahia e Sergipe: “todas as pessoas ouvidas até hoje registram uma gritante omissão e, o que é lamentável, participação dos poderes públicos vinculados à Segurança”, disse. Bosco acha que é preciso uma ação emergencial dos governadores da região, para colocar um ponto final nesta atuação de integrantes de órgãos de Segurança na criminalidade. Esse pessoal pratica a violência e vive na impunidade. SEM DATA Sobre Sergipe, o deputado federal Bosco Costa disse que o secretário da Segurança, Luiz Mendonça, será ouvido pela CPI da Pistolagem. Não sabe ainda a data, porque a comissão solicitou os documentos sobre grupos de extermínio em Sergipe: “só depois que o Ministério enviar os documentos é que o dia será marcado”. Bosco Costa acredita que Luiz Mendonça vai atender ao convite, porque foi citado pela delegada Meire Belfort: “se não vier, será convocado”, Disse. Luiz deve ir porque terá oportunidade de se defende e até provar o contrário. EM SERGIPE A coisa está tão complicada e Sergipe tão em evidência na CPI da Pistolagem, que os deputados estão pensando, seriamente, em instalar a Comissão no Estado pelo período de uma semana, para ouvir as pessoas citadas. Ainda falta ouvir muita gente para que se chegue à conclusão sobre a violência em Sergipe. Estão na relação para ser ouvido pela CPI da Pistolagem: delegados Sérgio Ricardo, Marcos Passos, Teonice, Arquimedes, João Eloy e o superintendente da Polícia Federal, Kércio Pinto. Vai dar muito que falar. É fogo O coordenador da bancada para as emendas do orçamento, José Carlos Machado (PFL), acha que os interesses de Sergipe vão unir os parlamentares. O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, acha que as duas emendas que deseja para Aracaju vão passar com facilidade. A viúva do ex-deputado Joaldo Barbosa, médica Edla do Amaral, deverá disputar a sucessão municipal de Salgado. A médica Edla Barbosa tem uma clientela cativa e faz um trabalho social abrangente no município. Esta será uma semana de grande correria em Brasília, para apresentação de emendas individuais e coletivas. Os vereadores Marcélio Bomfim e Antônio Samarone, além do deputado Luiz Garibalde (PDT) estão à disposição para disputar a sucessão municipal. O advogado Gilton Garcia anima por ter fundado 64 diretórios do PTN em Sergipe. Vai disputar vagas nas Câmeras Municipais e quer fazer um bom número de vereadores. A ex-secretária Miriam Ribeiro (PSDB) pode ser candidata a uma vaga na Câmara Municipal. O deputado federal Bosco Costa (PSDB) disse que aceitou ser o presidente regional do partido em Sergipe. O deputado federal João Fontes passou o final de semana em Belo Horizonte. Participou de movimento dos radicais. O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, diz que só vai falar sobre sucessão municipal depois do carnaval, como sempre aconteceu. As lojas já estão começando a receber decoração natalina e os comerciantes esperam boas vendas neste final de ano. Já há expectativa para a próxima semana, quando será paga a primeira parcela do 13º Salário aos trabalhadores. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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