Ser bom é tão bom…

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Imagine voltar para a casa e encontrar todos os seus: cônjuge, filhos, pais e irmãos de braços abertos, felizes em tê-lo de volta. É muito gostoso, não?

 

Pense como é gratificante constatar que a sua presença ilumina o ambiente, agrada a todos, é desejada.

 

Em contrapartida, imagine que, ao ouvir os seus passos na chegada, as pessoas se sintam incomodadas e preocupadas.

 

Lá vem aquele chato! Acabou a nossa paz.

 

Em mais de meio século de existência, já me deparei com diversas situações que retratam exatamente o que estou expondo.

 

Tanto a de receber, com o coração transbordando de alegria, uma pessoa querida, amada, desejada como, ao contrário, ser forçado a fazer mesura a outras com quem, se fosse possível, sequer manteria contato.

 

Criaturas, que sugam as nossas energias, escurecem os nossos ambientes. As suas presenças, em vez de elevar a nossa alma, sufocam-na, colocando-nos na defensiva para justificar, quase sempre, o injustificável, criando, por conseqüência, aquele clima de insegurança, de expectativa e de terror.

 

Recebia, e certamente tanto eu quanto você seremos compelidos a receber, ainda, e muitas vezes, pessoas assim; pois, infelizmente a convivência e a conveniência social remetem ao sacrifício de nos relacionarmos com estes “espécimes” de indivíduos; não por prazer, é claro, mas por obrigação, pena ou caridade. Se nos fosse dado optar, certamente os evitaríamos.

 

Ser bem recebido, ser bem aceito, ser querido é, ou deveria ser, o sonho de todos. É uma coisa tão boa para nós, enquanto ser social, que deveríamos nos esforçar ao máximo na busca desta realização.

 

A boa vontade abre as portas; a má vontade fecha-as; as boas maneiras adoçam os relacionamentos; as grosserias azedam as amizades; a polidez pavimenta os caminhos, a indelicadeza cria barreira.

 

As pessoas que agem assim há muito tempo poderão transformar-se em criaturas mais dóceis, educadas, gentis?

 

Acredito que sim. Já vi muitas mudanças radicais, verdadeiras metamorfoses. Lamentavelmente, em sua grande maioria, aquelas mudanças só acontecem nas adversidades, nas tragédias, nas desgraças: era rico e ficou pobre; nos acidentes violentos que deixaram seqüelas profundas; nas doenças graves que transformam a pessoa em sobrevivente etc.

 

O que quero dizer é que esta grande maioria paga muito caro para aprender uma coisa tão simples. É necessário que a natureza o puna severamente para entender o óbvio. Ser bom é tão bom

 

Ou, por outra, pagam caro para ter aquilo que poderia sair de graça. Estas infelizes criaturas investem dinheiro para usufruir de um bom atendimento, de uma boa companhia e, às vezes, até de um amigo.

 

Só que esta é uma “mercadoria” que, se comprada, além de muito cara, não tem sabor. É “fria” e sem emoção.

Não devemos nos olvidar. Nós só recebemos aquilo que nos dispomos a dar também. E, então, por que esta dificuldade imensurável de entender e praticar algo tão simples?

 

Qual o grande óbice para que essa situação de paz, alegria e prazer, tão desejada por todos, aconteça? 

 

Alguém saberia apontar o tal empecilho que nos impede de sermos felizes, de sermos queridos e desejados nos ambientes em que vivemos? 

 

Não. Ninguém sabe? Pois eu sei. E vou passar para os que não sabem.

 

O grande embaraço a esta paz reside na falta de amor das pessoas. Na nossa, inclusive. Esta falta de amor não é só com o outro, não. É, sobretudo, com nós mesmos. Nós não nos amamos o suficiente para construir em nossa volta um mundo amorável, de paz e concórdia. Por isso vivemos num mundo tão sombrio. Tão mesquinho.

 

PENSEMOS NISSO

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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