SERGIPE É PRÓDIGO NISSO

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As declarações prestadas pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em Brasília, dando conta do grande esquema de “caixa dois”, utilizado em todas as campanhas do partido nas eleições municipais de 2004, criaram uma situação no mínimo constrangedora para todos aqueles que participaram do pleito na condição de candidatos majoritários.

Delúbio Soares foi taxativo: “Todas as campanhas foram financiadas com caixa dois, menos a do presidente Lula”.

Ora, se essa afirmação for verdadeira, a situação do prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, candidato que fora à reeleição naquele ano, não foge à regra. E precisa ser devidamente esclarecida para que não pairem dúvidas sobre quem efetivamente bancou a sua modesta campanha na capital.

Não quero com isso levantar suspeita sobre o financiamento do Partido dos Trabalhadores em Sergipe. Muito pelo contrário. Sabemos da postura ética e séria do jovem prefeito de Aracaju até então. Mas sabemos também que o pipocar de denúncias envolvendo a alta cúpula petista em nível nacional traz sérias conseqüências para todos. Afinal, de nada adianta dizer que se é sério neste país. O homem público tem que, a todo instante, obrigatoriamente, provar que o é. Existe um velho ditado que expressa muito bem isso: “Não basta ser sério. Tem que parecer”.

Em Sergipe, muitas das vezes acontece exatamente o contrário. Por aqui, esse adágio sofreu uma profunda transformação: “Não precisa ser sério, basta parecer”. Muitos homens públicos sergipanos vivem hoje de aparência. Fingem ser probos, éticos, honestíssimos, mas, na prática, são verdadeiros cleptomaníacos do erário. Poucos resistiriam a uma investigação patrimonial detalhada. CPI nem pensar.

Aliás, basta apenas que se dê uma rápida olhada nas declarações de bens apresentadas por certos políticos ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), no início de suas carreiras, para se chegar a obvia conclusão de que realmente a vida lhes sorriu. Quem já não ouviu falar de empresas que da noite para o dia saem do vermelho e passam a ostentar balanços maravilhosos? Ou de grandes empresas que faturaram ainda mais durante determinado período?

Sergipe é pródigo nisso.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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