Sobre André Moura e Laércio Oliveira

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O site australiano ‘News’ classificou o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), como “o político mais repulsivo do mundo”. As declarações de Bolsonaro defendendo atos de violência sexual contra as mulheres ou as de conteúdo homofóbico, além da homenagem que prestou dentro do Plenário da Câmara a um conhecido torturador do período de Ditadura Militar no país, certamente o qualificam como uma das figuras públicas mais abjetas da política mundial.

Mas tão perigosos para a democracia e os direitos sociais e trabalhistas quanto o midiático Bolsonaro são dois outros deputados federais, ambos de Sergipe, que não têm tantos holofotes quanto o deputado carioca: André Moura (PSC) e Laércio Oliveira (Partido Solidariedade).

Sobre o primeiro, escrevi na última semana o artigo “Desconstruindo André Moura”, em que listava uma série de processos de corrupção em que Moura está envolvido, o que o coloca como um legítimo colecionador de processos judiciais. De imediato, um dos seus assessores – o jornalista David Leite – escreveu, em resposta ao meu artigo, o texto “O choro é livre”, em que qualifica as minhas críticas ao seu assessorado como de um “militonto”, com discurso “eivado de ódio desmedido”.

Pois bem. Na última semana, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre investigação da Procuradoria Geral da República na Operação Lava Jato. Um dos investigados por crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro? André Moura, adjetivado pelo impresso paulista como parte da “tropa de choque” de Eduardo Cunha, que acabou de ter o seu mandato suspenso por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal. Pergunto a David Leite: as denúncias da Folha de S. Paulo são também de “militontos” e eivadas de “ódio desmedido”?

Capaz de sorrir largamente e comemorar como um gol do seu time a aprovação de uma matéria que objetiva apenas criminalizar a juventude brasileira, como a redução da idade penal, André Moura está, sem dúvidas, entre os parlamentares mais envolvidos em esquemas de corrupção do país. Foi isso o que mostrou a Folha de S. Paulo, foi isso o que já havia mostrado o jornal O Globo e o que eu tentei mostrar em texto recente publicado nesta mesma coluna.

Já Laércio Oliveira, menos “midiático” ainda que Moura, não se cansa de apresentar e defender projetos que têm um único propósito: legalizar o trabalho indigno e quase escravo no Brasil. A mais recente do deputado é uma proposta que altera a Consolidação das Leis Trabalhistas para descontar da jornada de trabalho o tempo que os trabalhadores gastam com troca de uniforme, pequenas refeições (como café e lanche) e idas ao banheiro. Pela proposta, em análise em comissões da Câmara, o tempo de deslocamento usado pelos trabalhadores entre a portaria e o ambiente de trabalho também não devem ser computados como parte da jornada.

Vice-Presidente da Federação Nacional do Comércio e dono de empresas de serviços terceirizados como a MultServ e a MultSeg, Laércio tem sido um dos principais defensores do PL 4330, que expande a terceirização para todas as áreas produtivas. Pelo projeto, ficam permitidas as subcontratações sem limite, os concursos públicos ficam ameaçados e ampliam-se as pressões, chantagens, práticas antissindicais e a precarização no mundo do trabalho.

Apenas a título de acréscimo, importante lembrar que André Moura e Laércio Oliveira são também aliados de todas as horas de Eduardo Cunha e favoráveis ao golpe contra o mandato da Presidenta Dilma. Moura é comumente visto ao lado de Cunha quando este concede entrevistas à imprensa. Já Laércio é do mesmo partido de Paulinho da Força Sindical, entidade que ontem – quando da suspensão do mandato de Cunha – postou cartazes com os dizeres: “Presidente Cunha, maior número de projetos aprovado em prol dos trabalhadores”.

Por tudo isso, assim como Bolsonaro, André Moura e Laércio Oliveira também merecem o repúdio e denúncia constantes, afinal – ainda que de outra ordem e com outras características – são tão abomináveis quanto o “político mais repulsivo do mundo”.

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