Tendências demográficas.

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Se as recentes tendências demográficas se mantiverem, a França metropolitana terá 73,6 milhões de habitantes em 1° de janeiro de 2060.

 

Segundo tal cálculo, realizado pelo INSEE (Institut National de La Statistique et des Études Économiques), nos próximos 50 anos haverá na França européia um acréscimo populacional de 11,8 milhões, comparados com o ano de 2007, data do último recenseamento francês.

 

O estudo, destacado pelo jornal Le Monde em sua edição de 27 de outubro, explicita sobremodo, não a ampliação da fertilidade da mulher gaulesa, mas a longevidade da sua população de idosos.

 

Segundo estes estudos conduzidos por Nathalie Blanpain e Olivier Chardon da Divisão de Pesquisa e Estudos do INSEE, divulgados em seu boletim Nº 1320 de outubro de 2010, o número de pessoas com idade acima de 60 anos (a minha faixa) aumentará nas próximas cinco décadas em mais de dez milhões.

 

Até 2035 haverá um progresso significativo dos sexagenários, quaisquer que sejam as hipóteses de ampliação de fecundidade, migrações ou mortalidade. Uma ampliação que é transitória e deverá sofrer um progressivo arrefecimento, já que deriva da passagem da geração baby-boom à senectude, ao lado da baixa natalidade acontecida neste mesmo tempo de procriação pós-bomba.

 

Mesmo assim, estima-se que em 2060, uma pessoa em três terá mais de sessenta anos. Uma projeção baseada num cenário, dito central, em que se supõe uma natalidade de 1,95 nascituros por mulher, um saldo migratório de 100.000 por ano, e a expectativa de vida progressiva segundo o ritmo já observado.  

 

Neste cenário “central” a população idosa aumentaria em 10,4 milhões de 2007 a 2060.

 

Em outros cenários o numero de sessentões atingiria 23,6 milhões neste mesmo tempo, uma elevação de 85% em relação ao cálculo anterior, no qual o numero de pessoas acima de 75 anos passaria de 5,2 a 11,9 milhões, o de acima de 85 anos de 1,3 para 5,4 milhões, enquanto que os de menos de vinte anos, com um crescimento arrefecido, passariam dos 25% em 2007 para 22% de toda a população em 2060; um resultado preocupante.

 

Em 2014, por exemplo, a população de jovens e adolescentes seria inferior a de sexagenários ou mais, e os compreendidos entre 20 e 59 anos oscilariam de 2014 a 2060 de 33,1 a 33,7 milhões, com os de 20 a 59 anos saindo de 54 para 46% e os de 20 a 64 anos de 59 para 51 % no mesmo período.

 

A perdurar a atual definição de idade produtiva francesa (20 a 60 anos) haverá uma forte redução de pessoas ativas frente às inativas. Em 2007, por exemplo, tal número era de 86 inativos para 100 em atividade. Já em 2035 serão 114 para 100, e em 2060, 118 para 100.

 

Tal perspectiva vai exigir que sejam mudadas as regras atuais que definem a idade ativa. Para se manter a realidade de 2007 será preciso em 2060 que os limites da idade ativa alcancem os 68 anos no lugar dos 60 atuais.

 

O trabalho divulgado vem reforçar as atuais medidas que o Governo Sarkozy deseja implantar e que estão produzindo maciça oposição de jovens e trabalhadores.

 

Se o cenário francês é esse, no Brasil poderá ser diferente?

 

Neste particular os dois candidatos à Presidência da República nada têm a debater. Preferem falar de aborto, do caso Erenice e Paulo Preto, ou então de uma sustentabilidade romântica em cenário azul e conservação de florestas, temendo um discutível aquecimento de oceanos.

 

O aquecimento, porém, é de outro tipo, falam os pesquisadores Blanpain e Chardon, algo muito lindo com milhões de velhinhos centenários sendo carregados e alimentados por jovens cada vez mais escassos.

 

É preciso discutir o problema, com urgência, porque a medicação é amarga. E assim eis a França em pé de guerra, algo que o Brasil poderá imitar amanhã.

 

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O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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