TREINAMENTO COM PESOS E FLEXIBILIDADE

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Os trabalhos longitudinais, nos quais a flexibilidade é medida antes e depois de um período de treinamento com pesos, mostra que essa qualidade pode aumentar ou não mudar, mas nunca diminui. O aumento é observado quando a pessoa não tem boa flexibilidade no início do estudo, como é o caso dos sedentários e muitos idosos. Nesses casos, os exercícios com pesos forçam os limites da amplitude, promovendo rápido ganho de flexibilidade. Quando a pessoa já tem boa flexibilidade no início do programa, como é o caso da maioria das pessoas jovens, a amplitude do movimento só não aumenta porque os exercícios não forçam os seus limites. Por outro lado, trabalhos experimentais demonstraram que durante a hipertrofia ocorre proliferação de tecido conjuntivo muscular, com aumento da elasticidade do tecido: músculos hipertrofiados alongam mais do que músculos não treinados. Além disso, o grau de contração muscular em repouso não aumenta em função da musculação, sendo a consistência mais firme dos músculos treinados explicada pelo acúmulo de glicogênio e maior hidratação e não por hipertonia.

 

Trabalhos transversais são aqueles em que a flexibilidade é avaliada em um dado momento, sem se saber como era antes e como ficará depois. Alguns mostraram que os levantadores olímpicos têm flexibilidade acima da média de outros atletas e que levantadores basistas, têm abaixo. Musculadores (bodybuilders) parecem apresentar flexibilidade variada, com extremos para mais e para menos. A melhor hipótese para apresentar esses resultados é a seleção de biótipos para as diversas modalidades. Levantadores olímpicos parecem ser favorecidos por boa flexibilidade e os basistas por fortes ligamentos, que podem limitar as amplitudes articulares. No caso dos musculadores  a flexibilidade não parece influenciar o desempenho, sendo possível encontrar atletas muito flexíveis e outros com amplitudes articulares limitadas.

 

Quando se observa diminuição da flexibilidade durante o treinamento com pesos a única explicação é o destreinamento específico. Pessoas que treinavam a flexibilidade e ao iniciar a musculação deixam de fazê-lo ou passam a treinar menos, podem notar redução das amplitudes articulares. Certamente contribui para impressão de que a flexibilidade diminui na musculação a atitude de alguns atletas que passam a caminhar como se estivessem posando.

 

A situação atual do conhecimento é simples: a musculação aumenta a flexibilidade dos sedentários e idosos mas não costuma afetar a dos jovens. Diminuição de flexibilidade somente pode ser atribuída a destreinamento. Não existe encurtamento nem hipertonia de repouso induzida pelo treinamento e, portanto, não existem exercícios que possam diminuir a flexibilidade. Apenas a falta de exercícios tem esse efeito. Diante desses fatos, como ficam as condutas de correções posturais apoiadas em alongar alguns músculos e hipertrofiar outros?Provavelmente o que produz resultados corretivos é o alongamento e não a hipertrofia que, na realidade, implica em alongamento também.

 

Por outro lado, como ficam as propostas de sempre incluir exercícios de alongamento nas sessões de musculação? A única justificativa é a possibilidade de realizar um bom aquecimento, contribuindo para evitar lesões. No entanto, um bom aquecimento pode ser feito sem incluir exercícios específicos de alongamento, apenas utilizando exercícios com pesos mais leves (a contração excêntrica dos exercícios com pesos consiste em alongamento muscular).

 

Não se justifica incluir alongamento em uma sessão de musculação pelo receio de perder flexibilidade. Para aumentar essa qualidade de aptidão, além dos níveis induzidos pela própria musculação, será necessário treinamento específico que, no entanto, deve ser realizado logo após o treino com pesos, para evitar contraturas e distensões. Para efeito de aptidão para o trabalho e para a vida diária, os graus de flexibilidade promovidos pela musculação são mais do que suficientes.

 

Por Dr. José Maria Santarém (Diretor Científico de Federação Paulista de Musculação; Diretor do Centro de Estudos HC-FMUSP; Coordenador do CECAFI- Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física da Faculdade de Medicina da USP)

 

* Araujinho Qualificação: Instrutor Técnico registrado pelo Confef – Conselho Federal de Educação Física – nº 000072/T-SE, CREF – Conselho Regional de Educação Física – e pela FSCMF – Federação Sergipana de Culturismo Musculação e Fitness – reconhecida pelo COB – Conselho Olímpico Brasileiro e filiada a IFBB – International Federetaion Of Body Building -; árbitro de Culturismo e Fitness da FSCMF; vice-campeão sergipano de Musculação, Técnico em musculação pela NABA, Federação Paulista de Musculação, Consultor Fitness em exercícios resistidos e acadêmico do curso de Educação Física pela Universidade Tiradentes – Unit – e ex-acadêmico da Universidade Federal de Sergipe – UFS.

 

Dúvidas e Sugestões: araujinhopersonal@infonet.com.br / (0xx79) 9978-6799.

 

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