ÚLTIMO DEBATE

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O debate agora é entre o eleitor e sua consciência. E o monólogo acontece com a urna, através do movimento com o indicativo para teclar o número do candidato que considerar melhor para o Brasil. Isso acontecerá domingo e, dentro de mais 48 horas, estarão todos conhecendo quem será o timoneiro que vai levar o barco por quatro anos. As pesquisas indicam que o país será mantido com o mesmo presidente, mas só a contagem de todas as urnas é que vai revelar a fotografia do eleito. Ontem, o Brasil parou para assistir o último confronto entre os dois candidatos, promovido pela TV-Globo, que inovou o velho e cansativo estilo que se assiste há muitos anos e que foi posto em prática pelas três emissoras anteriores.

A maior novidade, que deu certo, foi a participação popular. Pessoas identificadas pelo Ibope como indecisas, que fizeram perguntas diretamente relacionados aos seus problemas. E, como as dificuldades da população brasileira são semelhantes em todos os estados, as indagações aconteceram em torno da Saúde, Educação, Segurança, Habitação, Saneamento Básico, Desemprego e Corrupção. Incrível, a corrupção chegou a se transformar em uma questão corriqueira de governo, como se fosse uma prática absolutamente normal. Com a participação de pessoas do povo, o debate tornou-se mais democrático e real. As perguntas representavam o sentimento de cada um, que na realidade era o problema de milhões. Pode-se dizer que as respostas não foram tão convincentes, mas as questões mereceram maior direcionamento dos candidatos e mostraram que a realidade do Brasil não é aquela que os dois expuseram nos confrontos anteriores.

Uma pergunta que interessa aos eleitores: quem ganhou o debate? Para militantes e membros dos dois partidos, o vencedor foi o seu candidato. Mas, numa visão fria, é possível que a sociedade foi quem mais lucrou com um debate que levou alguma luz às suas dúvidas. Não se podem avaliar mudanças na intenção de votos, até porque em apenas 48 horas não dá o eleitor se convencer que o outro é melhor, mais competente, mais trabalhador e mais honesto. Um fato importante deixou passar: a civilidade entre os debatedores, quando um se dirigia para o outro sem um mínimo de constrangimento. Até mesmo os cumprimentos, foram mais espontâneos do que os anteriores. O fato de olhar olho no olho, de tocar no braço, de dar um tapinha amigo (mui amigo) entre um e outro foi uma demonstração que as posições políticas não atingem o relacionamento pessoal.

A cordialidade superou a grosseria, a má educação e as agressões naturais em confrontos eleitorais…

Mais uma vez o discurso dos candidatos foi repetitivo. Alckmin insistiu na questão de que o país cresceu apenas 2%, ganhando só para o Haiti. Enquanto Lula manteve o discurso de que o seu governo superou todos os outros na área econômica, na educação, na segurança e que não deixou nenhum caso de corrupção sem ser impune. O candidato tucano teve um dos seus melhores momentos no penúltimo bloco do debate. Alckmin ironizou o presidente Lula ao dizer que pensara que ele revelaria a origem do dinheiro arrecadado pelo PT para a compra do dossiê contra políticos da oposição. O candidato tucano voltou a contra-atacar quando disse que prendeu a quadrilha do PCC, mas que continua solta a quadrilha denunciada pelo procurador geral da República. A ironia sobre a questão do dinheiro levou ao riso até os indecisos escolhidos para fazer pergunta aos dois contendores.

O presidente Lula deixou a ironia de lado, mas não cumpriu a promessa de que não compararia mais o seu governo com o de Fernando Henrique Cardoso. Realmente não citou o nome, mas se referiu à “administração de vocês” (apontando para Alckmin). O programa terminou com as considerações de praxe e, se alterou alguma coisa em relação ao eleitor, não deu para notar. Alckmin se saiu bem, Lula relaxou um pouco.Acha-se eleito. Agora é esperar o resultado do pleito para ver até aonde os institutos de pesquisas bateram na diferença entre os dois. 

 

 

VIAGEM

O governador eleito Marcelo Déda (PT) viajou ontem à tarde ao Rio de Janeiro. Foi convocado pelo presidente Lula para acompanhar o debate de ontem dos estúdios da Globo.

Déda retorna hoje e amanhã vota às 9 horas no colégio Patrocínio São José. Depois fará visitas a algumas secções eleitorais.

 

EMPENHO

Marcelo Déda não parou depois do resultado que o elegeu. Manteve-se em campanha para reverter o quadro pouco favorável ao presidente Lula em Sergipe.

O comitê central, na avenida Barão de Maruim, ficará aberto até amanhã, funcionando como base estadual da campanha do PT.

 

CANCELA

O governador João Alves Filho (PFL) cancelou a viagem que faria ontem ao Rio de Janeiro, onde acompanharia o último confronto entre Lula e Alckmin, na Rede Globo.

João Alves teve compromissos nesta sexta-feira em Sergipe, o que o impediu de viajar. Assistiu o debate pela televisão.

 

JERÔNIMO

O deputado federal eleito Jerônimo Reis (PFL) disse que vai esperar o resultado das eleições de domingo, para saber qual a diferença em favor de Lula.

Acha que pode não ser a anunciada pelos institutos de pesquisas, “mas não será diferente porque não é possível que todos estejam errados”.

 

BRASÍLIA

Jerônimo Reis viaja a Brasília na próxima semana para cuidar da documentação exigida pela Câmara Federal e tratar sobre gabinetes.

Jerônimo vai permanecer na bancada do PFL e terá uma conversa com o governador João Alves Filho antes de assumir o mandato.

 

ALBANO

Quando desembarcou no Rio de Janeiro, ontem, para participar do debate, o candidato Geraldo Alckmin foi recebido por um grupo tucano, entre eles Albano Franco.

O deputado federal eleito Albano Franco viajou a Brasília no primeiro vôo de ontem para o Rio de Janeiro e lá se articulou com tucanos e pefelistas para receber Alckmin.

 

NO RIO

Albano Franco chegou na Globo ainda quando estava iniciando o Jornal Nacional e, de lá assistiu os programas de propaganda eleitoral de Lula e Alckmin.

Assistiu ao programa de Alckmin em silêncio, quando estava sendo exibido o de Lula ele fez um comentário: “Dá para comparar? Não dá”. (a informação é do Blog do Noblat)

 

NORDESTE

Lideranças do Nordeste, vinculadas ao PSDB e PFL, não deixarão de votar em Geraldo Alckmin para presidente, mas estão chateadas em relação ao seu programa.

É que o candidato tucano assinou a “Carta da Amazonas”, mas não fez o mesmo com a “Carta do Nordeste”, em que assumia uma série de propostas para a região.

 

ULICES

O deputado estadual Ulices Andrade (reeleito) é sempre citado como possível candidato a presidente da Assembléia Legislativa para os dois primeiros anos da nova legislatura.

Ontem Ulices considerou que o governador eleito Marcelo Déda é um político experiente: “não tenho dúvida que no momento certo ele vai deflagra esse processo”.

 

PRONTO

Ulices Andrade acrescentou que está pronto para isso, mas sem a procuração de se anteceder a um posicionamento de Marcelo Déda.

Acrescentou que é um político que segue orientação de uma liderança política e está pronto para votar ou ser votado.

 

ELEIÇÃO

O deputado Ulices Andrade disse que no primeiro turno obedeceu a determinação do seu partido, o PSDB, e votou em Geraldo Alckmin para presidente.

No segundo turno, durante jantar com Albano Franco (PSDB), revelou que votaria em Lula: “não posso ficar com um candidato a presidente que possa ser hostil a Déda”, disse.

 

CLÁUSULA

A cláusula de barreira tem provocado um recuo do pessoal que deixou e outros que estão deixando o PSDB. O bom senso indica que devem esperar até a ordenação partidária.

Alguns dos ex-tucanos já receberam convites para ingressar em outros partidos, principalmente do PSB, mas há um consenso de que a decisão deve ser tomada em grupo.

 

 

Notas

 

AMORIM

O presidente regional do PSC, deputado federal eleito Eduardo Amorim, disse ontem que o partido não decidiu nada em relação a qualquer tipo de apoio para o próximo ano e desmentiu que tivesse certo de aliar-se ao governador eleito Marcelo Déda (PT). Amorim diz que está tratando da fusão com o PV.

Amorim disse que ninguém está autorizado a falar em nome do partido: “essa é atribuição do presidente”. O deputado eleito acrescentou que o partido assinou uma proposta de intenções com o PV quinta-feira.

 

GASTOS

O processo eleitoral deste ano deverá custar R$ 600 milhões, isso é o que afirma o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sendo que R$ 500 milhões foram gastos no primeiro turno e R$ 50 milhões neste segundo. Esse valor inclui gastos com transporte, contratação de pessoal, equipamento eletrônico e material de divulgação.
No primeiro turno, segundo o TSE, o valor médio do voto foi de R$ 4,70. O custo da votação variou de um estado para outro. Em São Paulo o valor foi de R$ 1,16, em Mato Grosso ficou em R$ 4,32 e no Amazonas, R$ 7,00.

 

CRIME

A Câmara analisa o Projeto da CPMI da Reforma Agrária, que tipifica como terrorismo a invasão de propriedade alheia com o fim de pressionar o governo. A proposta altera a Lei de Segurança Nacional e prevê pena de reclusão, de três a dez anos, para quem saqueia, invade ou depreda propriedade alheia.

Estende também a quem mantém a pessoa que se encontra na propriedade em cárcere privado, com o fim de manifestar inconformismo político ou de pressionar o governo a fazer ou deixar de fazer alguma ação.

 

É fogo

 

Está em discussão a presidência da Assembléia Legislativa, apesar da distância que ainda falta para a realização das eleições.

 

Muita gente está se mobilizando e já começou a conversar com deputados eleitos e reeleitos para a formação de chapas.

 

Na Câmara Municipal a movimentação é a mesma para eleição do novo presidente. Pelo menos quatro candidatos estão trabalhando.

 

Ascendino Souza – prefeito de Areia Branca – diz que quer terminar o ano entregando obras de sua administração à comunidade.

 

O nome do presidente eleito do Brasil deverá ser conhecido por volta das 23 horas deste domingo. Apenas seis horas depois de concluído o pleito.

 

O presidente da Assembléia Legislativa, Antônio Passos (PFL) avisa que fará oposição ao Governo Déda, mas bem ao seu estilo: com moderação.

 

Aliás, moderação é a palavra de ordem entre parlamentares que se elegeram por partidos de oposição ao futuro governo.

 

O ex-prefeito de São Cristóvão, Armando Batalha (PV) poderá buscar outra legenda caso o PSC se funda com o seu partido e opte por apoiar Marcelo Déda.

 

O caso de Armando Batalha não é tanto o governador eleito, mas os problemas regionais de São Cristóvão. Lá não há espaço para Batalha e Zezinho da Everest.

 

O número de desemprego diminuiu no Brasil em setembro, mas o rendimento dos trabalhadores caiu em relação a agosto.

 

brayner@infonet.com.br

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