Uma reflexão sobre o livro e a escola

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Ainda sobre a temática abordada na semana passada, que se referiu ao “HOMEM-LIVRO” e sua paixão pela leitura. Constato, com muito pesar, a grande distancia ainda existente entre o nosso povo e os livros, entre o povo e a leitura e, sobretudo entre o povo e a escola. A qual, convenhamos, também é motivo para lamentarmos muito.

A qualidade e a quantidade Destas casas do saber estão muito aquém daquilo que deveríamos ter. Há poucas escolas e de qualidade muito ruim. De quem será a culpa? Sei lá! Todos culpam os governos, melhor dizendo, as administrações. Têm lá as suas razões. Pois a educação, assim como a segurança, a saúde e a infra-estrutura são socializadas no Brasil, de responsabilidade, portanto, do Estado e, como sabemos, não funcionam. Não temos uma educação de qualidade, como não temos esgotos, estradas, segurança e nem saúde. E ainda tem gente que diz que o socialismo é que é bom.

O Estado arrecada muito, mas seus gestores afirmam em uníssono, que este muito coletado é pouco para fazer o que deve ser feito. E não adianta falar do presidente “A”, do governador “B” ou do prefeito “C”, todos são incrivelmente iguais. As únicas coisas que mudam são as datas e os mandatos. Olhando assim descobrimos que não são somente os políticos que são ruins são as políticas públicas da nossa nação que miseravelmente estão muito aquém do que, repito, necessitamos e merecemos.

No campo educacional, como sói acontecer em outras áreas, alguns esforços são feitos, boas e más incitativas são tomadas, pelos governos, porém, ainda são tímidas tendo em vista, no caso da educação, o valor que a escola, a leitura e o livro têm. Fica difícil legislar sobre um assunto tão delicado como a educação, levando-se em conta as nossas leis, (cipoal de leis) e a nossa cultura da comodidade. Educar, acredito, deveria ser um caso de amor e não de lei. Ler tem que ser um ato de amor e não uma obrigação.

Porém, dizer o que não é, é muito fácil. O difícil é oferecer uma alternativa. O complicado é quando chega a hora do fazer, a hora em que as coisas se mostram de verdade, aí parece que toda boa intenção, todo o discurso é cooptado pelo “deixa pra lá”, é assim mesmo, aqui sempre tudo acaba em nada, deixa quieto o povo é que se arrebente. O povo tem coro grosso, aguaenta.

Necessitamos de um choque, mas, quem tem coragem de dar este choque? Quem dispõe de energia e puder para eletrocutar esse marasmo? Foi, assim que outras nações acordaram e fizeram e, em fazendo fizeram uma tremenda diferença. Como exemplo, poderíamos citar a Coréia do Sul, um país um pouquinho maior que o Estado de Pernambuco, recém saído de uma guerra civil, (a guerra terminou em 1953), depois de acertos e erros implantou, na década de sessenta, um sistema de ensino no qual o aluno teria que estudar, no mínimo, oito horas por dia, podendo chegar, em algumas escolas, a dezesseis horas de presença, estudo e exercícios escolares, (ainda hoje o aluno estuda oito horas por dia). Este sistema foi duramente criticado, pois muitos achavam desumano o esforço impingido às crianças. É natural este tipo de insatisfação.

Compreendo que obrigar uma criança estudar dezesseis horas por dia, é um absurdo.  Porém, o resultado foi e está sendo ótimo, tanto para o povo coreano como para a própria Coréia; um país que nos anos 50 estava, como já visto, estava destruído pela já citada guerra fratricida, que deixou um milhão de mortos e a maior parte da população na miséria. Após aquela desgraça o povo arrasado apenas um em cada três coreanos era alfabetizado; hoje, cinquenta anos depois, oito em cada dez chegam à universidade.

Mas, eu sei. Tudo isso, que representa muito esforço e obrigação, e que pode até ser considerado “desumano”, não agrada. Sair da zona de conforto incomoda, fazer um pouco mais, nem pensar, se esforçar pra quê, assim está bom demais…  E, aí com certeza, alguém vai dizer: será que valeu a pena o que o povo coreano fez? O que você acha, pode responder. Eu, particularmente posso assegurar que valeu. O esforço e a persistência sempre são e serão recompensados.

Ponderemos: um minúsculo país, (100.032 km²), repito, um pouco maior que o Estado de Pernambuco, (98.311 km²), que na década de cinquenta foi destruído por uma guerra civil, dividido, ao meio, ficou com a menor parte, que no final dos anos 1990 e começo do seculo XXI, ultrapassou gigantes tecnológicos como Japão e Taiwan, dominando internacionalmente o setor de semicondutores e tecnologia da informação. Um  pequeno lugar onde ser professor é uma honra, pois além do respeito que a eles é dispensado, ganham em média o equivalente a R$ 12.000,00 por mês; onde oito entre dez alunos cursam uma faculdade; onde os professores do ensino infantil têm doutorado, a menor nota permitida é oito e se o aluno não avança nos estudos é o professor quem é reprovado e não o aluno; um país onde ensino básico é realmente prioridade os recursos são concentrados nos primeiros oito anos de estudo: obrigatórios e gratuitos. O ensino médio tem 50% de escolas privadas e as faculdades são todas pagas, mesmo as públicas. Bons alunos têm bolsa de estudos e o governo incentiva pesquisas estratégicas. Convenhamos, estamos muito distantes deles e, cá pra nós, como seria bom que os imitássemos. Só que até imitação, aqui no Brasil está dando errado, pois falta o compromisso, a continuidade e a seriedade. Lamentável.

Desculpem o desabafo, normalmente não faço isso no que escrevo eu gosto mais de falar sobre o sucesso, que seja de pessoas, estados ou nações. Por isso muito me agrada ler sobre a Coréia, os coreanos e sobre o meu amigo Evando Santos, o “Homem-Livro”. Ele está fazendo muito bem a sua parte, pouco se preocupando com o que dizem e o que falam, leva a mensagem, fala do livro, da leitura da necessidade se ler mais. Planta a semente e vai em frente.

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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