VENCER, UMA NECESSIDADE HUMANA

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Vencer é uma necessidade do ser humano. Desde o descobrimento do valor das coisas, lá nos primórdios das eras, existe a competição.

Competição. Talvez tenha sido esta a coisa mais importante que o homem inventou.

Competir é da natureza intrínseca do humano. Vencer, então, é uma das suas maiores realizações. A competição é responsável por tudo o que temos em forma de desenvolvimento. Imaginemos como seria se não fosse através da competitividade, da busca para vencer as limitações que a natureza impõe? O que seria da humanidade, se não houvesse os vencedores, que com criatividade e sacrifícios nos legaram tudo o que hoje manejamos para o nosso conforto e desenvolvimento?

Se não fosse a persistência daqueles que com coragem fizeram sempre mais e melhor que os outros?

Querer vencer é querer crescer. É querer ir além do lugar comum. É querer fazer mais, melhor, e com menos. Isto é muito bom e deverá ser estimulado, e não censurado, como sói acontece.

No entanto, parece natural que, sobretudo perdedores contumazes, não queiram que outros vençam e, se puderem até colocam obstáculos para que isto não ocorra. Ao que parece, sentem-se ofendidos com a vitória alheia. Mas não têm a coragem de perseguir os seus sonhos e vencer a sua inércia. É muito natural encontrarmos estórias, sobretudo de artifícios, subornos, roubalheiras, ou trapaças para justificar o sucesso de um vencedor.

É comum escutarmos comentários de que fulano progrediu porque sonegou muito imposto, ateou fogo na loja, requereu uma falência fraudulenta, lesou o sócio, ou outras no mesmo tom. Tudo, quase sempre, inventado para desvalorizar a vitória do vencedor. Repito: vencer, buscar vitória, crescer, ter sucesso, ser rico… É da essência do ser humano. Ele busca por isso durante toda a sua existência.

A luta que, a princípio, era apenas pela simples sobrevivência transcendeu, extrapolou e, na atualidade, abraça todo o caminhar da humanidade: temos que vencer a inércia, a preguiça, a imanência, a concorrência… Tudo. Tudo é uma questão de ultrapassar, tornar-se mais, ser mais, ir além, dar o passo extra, ir em frente, vencer…

Indaga-se, então. Será absolutamente necessário vencer o outro? Será essencial que para cada vencedor exista em contrapartida um perdedor? O vencedor para conseguir atingir os seus objetivos, alguém terá, obrigatoriamente, que perder? Só existirão vencedores se, em contrapartida, houver também perdedores?


Creio que, por este motivo, é que as expressões: vencer, ter sucesso, ser bem sucedido, ser rico, são, entre nós, tão abominadas. Não pairam dúvidas de que esta pecha que recai sobre querer ser um vencedor, querer ser rico, soa sempre como algo que não é correto porque só se vê por este lado do problema. Quer ser rico por quê? Vai roubar de quem?

Riqueza gera riqueza, pobreza gera mais pobreza. Querer ser rico, querer ter sucesso, querer ser um vencedor é, antes de tudo, o melhor a que podemos aspirar.

O ranço que gera naqueles que torcem o nariz ao escutar alguém dizendo que quer ser grande só pode ser gerado por três motivos: pela ignorância, pela preguiça ou pela inveja.

Não consta que os grandes vencedores nas artes, nas ciências, na indústria, no comércio e demais atividades, deixaram atrás de si um exército de vencidos.

Quando há competição nestas áreas é apenas para estimular que cada um faça o melhor.

Nas competições está a busca pela satisfação das necessidades biológicas da sobrevivência, pelas satisfações psicológicas das compensações sociais, e pelas realizações humanas e econômicas.

Não seria correto dizer que Santos Dumont, um vencedor, pois legou-nos o melhor meio de transporte que há, tenha passado por cima de outros para vencer o invencível paradigma de que o homem jamais poderia voar.

Não é crível afirmar que Osvaldo Cruz, Alberto Sabin, Luiz Pasteur, entre muitos outros benfeitores da humanidade, tenham vencido alguém a não ser as doenças para as quais criaram suas vacinas.

O mundo necessita de vencedores, carece de riqueza e não de perdedores nem de pobreza.

Os perdedores têm que se transformar em vencedores, e a pobreza deverá, obrigatoriamente, ser vencida para dar lugar à riqueza. Esta é a luta a ser estimulada.

Quando falo que a pobreza tem de ser vencida não quero dizer vencer o pobre, pois nós, pobres, somos as vítimas. Vencendo a pobreza, não teremos mais pobres, logo, está claro que não é contra o pobre que devemos lutar, e sim contra a pobreza.

Dizeres como: “sou pobre, graças a Deus”, “sou pobre, mas não sou ladrão” ou, a sua outra forma de se manifestar: “sou pobre, mas sou honesto”. Ou, pior ainda, a tão alardeada citação bíblica que diz: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu”… Que se transformaram numa boa base para justificar a miséria, a pobreza, falta de iniciativa e, sobretudo, a preguiça.

Estas ladainhas criaram uma cultura contrária à fortuna, à riqueza, ao vencedor, ao sucesso. Em nações outras é exatamente oposto, portanto, não é de se estranhar que sejamos ainda uma nação tão atrasada.

Na verdade, o que separa um homem de sucesso de um fracassado? Ou, qual a diferença entre um vencedor e um perdedor? Quase nenhuma. O que os separa é apenas a coragem. O homem de sucesso (vencedor), foi e fez, teve a coragem e a disposição para enfrentar todos os desafios.

As vitórias, quase sempre, não são muito fáceis. Para atingi-las é necessário antes fazer, persistir, lutar, construir.

Vencer, em suma, é sonhar e ir além do sonho, colocando em cima deste sonho a ação. Somente fazendo, se arriscando, se esforçando, acertando e errando é que se chega à vitória.

Ao contrário, o perdedor (fracassado), às vezes, sonha. Mas, acha muito difícil, dá muito trabalho, é muito perigoso, há muito risco de não dar certo e, por fim, acha melhor nem tentar. Quer dizer, sonha pouco e o pouco que sonha não tenta realizar. Por isto, jamais chegará ao sucesso, à vitória.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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