Vigilância verbal

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viveu momentos de euforia e fez calar a oposição, com o crescimento da economia. Embora ainda apareça como um balão de momento, fruto de um surto consumista pelas facilidades de financiamento, que promoveu um aumento produtivo imediato. Além da euforia nas exportações dos mais variados produtos brasileiros, a ponto do líder do Governo no Senador, Aluízio Mercadante, entrar em êxtase porque estava faltando containeres nos portos brasileiros. Realmente há uma melhora na imagem de um presidente que esteve com índices de rejeição altíssimos e que nenhum dos candidatos a prefeito o queria nos seus palanques, neste momento de campanha. Embora ainda não se possa determinar que se trata de um crescimento sustentável, a sinalização é que o Governo deve ter conseguido o prumo de uma economia resistente

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Mas se o presidente Lula cresceu com esse alívio na recuperação econômica, se engasgou nas palavras proferidas ao viajar para países pobres da África. Já se comprovou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem incontinência verbal e há necessidade de uma vigilância firme para segurar a sua boca, toda vez que ele vai fazer algum pronunciamento, ou uma graça, até mesmo nas pilhérias. Principalmente quando o descontrolado verbal busca o improviso. Ainda não caiu a ficha que ele é o presidente de um país das dimensões do Brasil e tem que preservar, a todo custo, a liturgia do cargo. Mesmo que tenha sido em tom de brincadeira (com essas coisas, sinceramente, não se brinca), Lula da Silva disse que foi ao Gabão aprender como um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição. Se foi aprender, logicamente, pretende aplicar.

 

O presidente a que Lula se referiu é Omar Bongo, que assumiu o poder em 1967, com a morte do seu titular, e nunca mais deixou o Governo. É um ditador sanguinário, que submete o povo aos seus caprichos e administra uma republiqueta de bananas com a constituição das baionetas agitadas. Sequer mereceria a visita de um presidente que se rotula de democrata, mas quer saber os truques de um ditador corrupto, que está no poder há 37 anos. Foi o suficiente para os meios de comunicação se indignar, com um presidente que surgiu das bases operárias, na luta contra um regime autoritário. Jamais deveria ter dito uma barbaridade dessas. Mas não ficou apenas aí: em Santo Domingo, capital da República Dominicana, o presidente cumprimentou jornalistas que faziam a cobertura de sua viagem, chamando-os de “um bando de covardes”, porque eles não haviam defendido a criação do Conselho Federal de Jornalismo, uma autarquia que o Governo pretende criar para fiscalizar jornalistas e órgãos de imprensa. Nem por piada ele poderia ter dito isso, porque corria o risco de levar uma resposta à altura, o que não deve ter ocorrido em razão dos seguranças que o rodeiam.

 

Evidente que o chamado Conselho de Jornalismo é um projeto da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), vinculada ao Partido dos Trabalhadores. Mesmo assim, é muito estranho que a Fenaj, sem ouvir os conselheiros do poder, os atingidos pelas reportagens e comentários que denunciavam a sujeira de quem está integrado em um projeto de Governo, tenha tentando um controle dos meios de comunicação por uma iniciativa própria. Há algo de podre por trás desse ato, porque nos Governos que antecederam a Lula, a entidade tinha um comportamento absolutamente diferente desse que está começando a esboçar, em um regime democrático, que tem à frente um cidadão que sempre contou com a simpatia dessa mesma voz, que ele hoje pretende controlar.

 

Evidente que a imprensa está precisando de um código de ética mais rígido. Alguns jornalistas – principalmente parte dos radialistas – se sentem donos do poder, se julgam juizes e promotores e se arvoram de pessoas que não cometem erros. Os donos absolutos da verdade. O jornalista e escritor Albert Dines, um dos mais completos homens de imprensa do país, diz que a força do jornalismo está, também, em reconhecer equívocos e erros. Sem isso não se faz um jornalismo sério e acreditado. O delegado Luciano Cardoso, de Aracaju, numa audiência jurídica com o colunista, fez uma declaração correta: “não existe arma mais mortal do que a imprensa”. E ele está certo, principalmente quando o sujeito não tem culpa. Mas esse cuidado com a imprensa deve partir de um conselho de jornalistas, consciente de que a imprensa não pode se curvar aos podres poderes e suas corrupções, malandragens, ilicitudes e autoritarismos.

Tem que ser um conselho a favor do direito de expressão total, mas com responsabilidade.

Sem covardia e sem medo…

 

APROVAÇÃO

Apesar da presença maciça dos servidores, a Assembléia aprovou, ontem, a reforma do estado, projetada pela Fundação Dom Cabral. Dos aliados do Governo, votaram contra ao projeto os deputados Luiz Garibalde (PDT) e Susana Azevedo (PPS), candidata a prefeita de Aracaju.

 

EXPLICAÇÃO

O líder do Governo, deputado Venâncio Fonseca (PP), disse que desde o começo vem pedindo um relatório aos funcionários, sobre as perdas que eles teriam. Até ontem nada havia sido apresentado e, segundo Venâncio, os servidores simplesmente não queriam aceitar a mudança sugerida no projeto.

 

TEMERIDADE

O deputado Francisco Gualberto (PT) considerou uma “temeridade” a aprovação da reforma administrativa proposta pelo governador João Alves Filho (PFL). Para Gualberto isso “trata-se de um crime querer desmantelar as empresas. É um abuso, uma temeridade”.

 

MURAL

Os funcionários levaram um mural para as galerias e ficaram anotando o nome dos deputados que votaram a favor da reforma administrativa. O objetivo era, futuramente, denunciar os parlamentares que ficaram contra os servidores das empresas públicas.

 

GARIBALDE

O deputado Luiz Garibalde disse que votou a favor do PEC, porque não podia cercear o direito do Governo fazer reformas. Mas desde cedo disse que votava pelo servidor. Garibalde disse que ouviu os servidores de todas as empresas e eles disseram que o projeto era prejudicial à categoria: “então seguir os servidores”.

 

TUCANO

Luiz Garibalde disse que até o momento não conversou com o senador Almeida Lima (PDT), sobre essa história do PSDB. “Deixa primeiro Almeida Lima resolver os problemas, para depois a gente conversar. Por enquanto me sinto muito bem no PDT”.

 

MUDANÇAS

A TV Sergipe reduziu o número de diretores: foram afastados Evando Ferreira Santos e José Nilton, que há varias anos integravam a direção da empresa. Agora haverá apenas duas diretorias, que serão ocupadas pela a ex-primeira dama Leonor Franco e a cunhada Lourdes Franco, viúva do empresário César Franco.

 

ALBANO

O ex-governador Albano Franco (PSDB) viajou com o vice-presidente José Alencar até Brasília e garantiu que não se conversou em sua filiação ao PFL. No mesmo avião iam os deputados federais Sandro Mabel e Heleno Silva. Todos tomaram scoth, apenas o pastor Heleno preferiu um vinho seco.

 

POLÍTICA

O ex-governador Albano Franco disse que está fora da política, neste momento, e não pensa em se filiar a outra legenda. Vai esperar mais um pouco. Albano Estava no gabinete de Bosco Costa e à tarde viajou a São Paulo, para participar de reunião da Rede Globo de Televisão.

 

CORRUPÇÃO

Um candidato a prefeito do interior vai denunciar, em ampla entrevista, uma proposta de corrupção no valor de R$ 2 milhões, para retirada de candidatura. Garante que vai revelar tudo em duas páginas de jornal, dando os nomes aos bois e, inclusive, mostrando como funciona o sistema de pesquisa no Estado.

 

FONTES

O deputado federal João Fontes (Psol) disse, ontem, que a distribuição de verbas da Saúde para a Prefeitura de Aracaju “é algo muito escandaloso”. Ontem ele estava numa reunião sobre o assunto e está comprovado que os recursos não foram desviados apenas para Aracaju, mas para outras Prefeituras do PT.

 

DOCUMENTO

O secretário de Governo, Oliveira Junior, esclareceu que o secretário de Saúde já mostrou que não tem recebimentos de ordem orçamentária, mas do Plano Nacional de Saúde. Há apenas uma coincidência de valores: a Prefeitura de Aracaju recebeu realmente R$ 1,150 milhão, que coincide que o montante que deveria ter sido enviado para Tocantins.

 

POSIÇÃO

O secretário geral do PSDB em Sergipe, Ulices Andrade, disse que não pretende mais discutir sobre a transferência de Almeida Lima para o tucanato. Disse que primeiro vai deixar a Executiva Nacional se posicionar, para dizer alguma coisa. Por enquanto não há interesse do grupo em deixar o PSDB.

 

BENEDITO

O presidente regional do PSDB, Benedito Figueiredo, concorda que a campanha eleitoral continua fria. Há uma desmotivação geral. Benedito diz que não sabe se houve uma desesperança do eleitorado e admite que não vê paixão da sociedade por eleições: “só em Itabaiana é que o pessoal se manifesta”, diz ele.

 

EVERALDO

O secretário de Articulação com os Municípios, José Everaldo (PFL) disse ontem que o seu papel no interior é armonizador e não desarmonizador. Acrescentou que Em Simão Dias o candidato do governador, José Albérico (PMDB), tem como vice Denílson (PT). “Não promoveria a desarmonia entre os dois”, disse.

 

Notas

 

RECURSOS I

Um parlamentar por Sergipe enviou, ontem, de Brasília, provas que demonstram a transferência de recursos para a Prefeitura de Aracaju. O convenio 503075, celebrado em 30/06/04, no valor de R$ 956.050,00, com contra partida da Prefeitura no valor de R$ 95.605,00, com o valor empenhado de R$ 250 mil. A funcional programática (mostra origem do recurso), de nº 10.836.1216.0832.1452, mostra que foi empenhada de uma emenda parlamentar, no valor de R$ 250 mil, referente à primeira parcela, paga em 03/07/04.

 

RECURSOS II

Segundo ainda o parlamentar – pediu omissão de nome – o objeto do convênio transferido para a Prefeitura foi para construção de unidade de saúde e aquisição de equipamentos e material permanente, direcionado à Secretaria da Saúde do Município. “Essa obra já deveria ter sido iniciada”, disse ele. A mesma fonte considera que não há a menor dúvida que foi empenhada uma emenda parlamentar para a Prefeitura de Aracaju e existem mais cinco na mesma situação. As denuncias dominaram a Câmara ontem.

 

JANTAR

O senador José Almeida Lima (PDT) disse ontem que em nenhum momento jantou com o governador Albano Franco (PSDB), nestes dias que permaneceu em Sergipe. Almeida teve encontros com o deputado federal Bosco Costa, Embora tivesse agendado uma conversa com Albano, que até agora não aconteceu. Almeida contou que estava com mulher e filhos jantando em um restaurante da orla, quando, já depois de meia-noite, o ex-governador Albano Franco chegou com alguns amigos: “na saída, nos cumprimentamos”, disse.

 

É fogo

 

A candidata do PPS à Prefeitura, Susana Azevedo, tem mostrado que há muito que fazer na periferia pela Prefeitura de Aracaju.

 

A equipe de marketing de Susana mostrou um carro funeral que deixou um posto de saúde sem atestado de óbito.

 

O prefeito Marcelo Deda (PT) candidato à reeleição, tem exibido as suas obras e anunciando outras, desde que se mantenha à frente da Prefeitura.

 

Marcelo Deda é um perfeccionista na hora das gravações e olha os mínimos detalhes. Até o momento não fez nenhum ataque aos adversários.

 

O vice-presidente da República, José Alencar, disse que colocaria tapete vermelho para Albano ingressar no Partido Liberal.

 

Ulices Andrade justifica o título concedido a José Alencar: “por sua postura como empresário e político”.

 

Foi montado um esquema rígido de segurança para o presidente em exercício José Alencar, ontem, na Assembléia e no Centro de Convenções.

 

O presidente nacional do PT, José Genoino, está chegando em Aracaju para participar de uma carreata do candidato a prefeito Marcelo Deda.

 

Os funcionários de empresas que foram transformadas em autarquias fizeram uma manifestação em frente à Assembléia Legislativa.

 

A Receita Federal libera nesta semana três lotes residuais de declarações do Imposto de Renda – Pessoa Física – referentes aos anos base de 2002, 2001 e 2003.

 

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, afirmou que a crise financeira da Varig tem se ser equacionada, porque o país precisa de uma aviação comercial forte.

 

O candidato José Renato Sampaio (PPR) dedicou todo um programa de televisão a perseguições que sofre. Renato tem uma ação de resposta em julgamento no TRE.

 

Por Diógenes Brayner 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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