80 anos de Zé Peixe – Parabéns!

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Para finalizar a série de reportagens sobre Zé Peixe, que publicamos ao longo desta semana, colhemos alguns depoimentos de pessoas que admiram este homem e prático. Estes nomes são uma pequena amostragem de todos aqueles que gostariam de parabenizá-lo no dia de hoje, quando completa 80 anos.

“Eu conheço Zé Peixe desde 1972 quando ele pilotou as lanchas que eu utilizava para ir de Aracaju até as plataformas da Petrobras. Freqüentemente a gente chegava no meio do caminho  entre os bancos de areia e o alto mar e o mar ficava tão bravo que a gente precisava voltar para Aracaju. Todo mundo ficava em péssimas condições devido ao balanço do mar, só Zé Peixe que ficava tranqüilo como um esquilo.

Peter John ao lado de Zé
Eu também lembro que ele sentava em cima da bóia de navegação por horas esperando os rebocadouros que entravam e saiam do rio Sergipe para guiar pro alto mar.
Em 2003 eu velejei com dois amigos alemães de Aracaju para Salvador em um veleiro e Zé Peixe guiou a gente de Aracaju até o alto mar. Quando estávamos seguros ele pulou e voltou para a costa nadando, como estava acostumado a fazer. Depois quando voltei da viagem perguntei a ele quanto tempo demorou para chegar na costa e ele me disse que passou quatro horas nadando sem parar e na época ele tinha apenas 76 aninhos! Posso contar muito mais histórias sobre Zé Peixe, mas por hora basta desejar um feliz aniversario de 80 anos para esse lendário homem” –  Peter John Ellice, engenheiro direcional de petróleo (aposentado) – trabalhou com Zé e é seu amigo.

Luciana Shunk
“Ele foi nosso avô, já que o meu não esteve presente em nossa criação. Ele ocupou a parte de educar e de lazer dos seus sobrinhos. Nós tivemos uma infância singular e especial. Ele nos ensinou a nadar. Em geral, ele jogava um de nós no rio e se não conseguisse ficar em cima d’água ele se lançava ao mar, caso contrário ele iniciava o treinamento e jogava dois cocos vazios amarrados em um cordão para que pudéssemos nos apoiar, mas ao mesmo tempo fazendo com que ficássemos com o corpo dentro d’água. Fazíamos pescaria, atravessávamos o rio e por vezes nos levava para conhecer a cidade de ônibus mostrando os lugares e contando histórias. Eram programas alternativos. Foi uma infância rica a partir da simplicidade dele. Ele nos passou o orgulho de ser aracajuano e nós compreendemos este valor” – sobrinha-neta e afilhada de Zé Peixe, Luciana Shunk.

Edvaldo Nogueira
“Zé Peixe é uma das figuras mais importantes de Aracaju. Ele representa a leveza e a suavidade, mas também é símbolo da garra e da luta do povo sergipano. O homem é uma espécie de farol que coloca os navios em alto mar e direciona-os. Ele tem a doçura e a força do rio Sergipe – onde aprendeu a nadar e mergulha até hoje.” – prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira

“Tudo bem que ninguém é igual a ninguém. Mas Zé Peixe é completamente diferenciado de tudo. Não existe nada sequer semelhante em matéria de personalidade, de caráter, porque é uma pessoa de um caráter íntegro, cristalino, é uma personalidade ‘bizarra’, vamos dizer assim, porque é uma pessoa que fugiu completamente das normas e dos padrões não só da época como do futuro, porque até hoje, dentro do leque de filhos e netos que ele tem, nenhum se assemelha sequer ao Zé. 

Ilma Fontes
Então, essa coisa do Zé já estar aposentado e continuar trabalhando, ele justifica que continua recebendo dinheiro da Marinha então ele tem que continuar prestando serviço, é uma vida inteiramente dedicada a uma função que não deixa substituto. Porém as coisas mudaram, o porto hoje já está do outro lado, aquela necessidade de guiar os navios de maiores calados para entrar com esses bancos de areia não existe mais. Mas isso não desmerece o trabalho que ele continua prestando, às vezes nada várias horas para ficar esperando durante outras muitas horas naquela bóia e com todos os perigos que o mar oferece, não só de peixes, mas até para um homem de 80 anos um mal-estar súbito, uma baixa de pressão.
Mas, como ele é um ser iluminado, e como ele tem Deus, eu acho que se cada ser humano tem uma porção de Deus, eu acho que a porção dele foi mais generosa que a nossa. Então como ele é um ser de uma pureza enorme, portanto de um componente divino muito forte, acho que ele conta também com essas proteções.
Teve um salvamento quando eu era criança, me lembro que estávamos jantando quando deu no rádio, o locutor Cinzano, se eu não me engano, no maior estardalhaço de que um navio tinha naufragado e Zé Peixe que foi salvar. Eu me lembro que a gente veio para a porta, todos os carros foram esperar Zé Peixe, que o salvamento já tinha sido feito mas ele só saiu na Atalaia, e os carros foram para iluminar. Então meu pai pegou o carro e nós fomos ajudar a iluminar os caminhos, as águas para ver Zé Peixe chegar, aquela emoção toda.
Então, Zé Peixe é esse herói que serve de símbolo, orgulho de ser sergipano, para mim seria o cidadão sergipano do século, e essa ponte que foi inaugurada seria Zé Peixe. A gente tem que marcar o nome de Zé em coisas ligadas a esporte, a saúde, a solidariedade, e enfim, projetar essa imagem do Zé como uma imagem de sergipano, um exemplo de sergipanidade pro mundo. Seríamos muito felizes se em cada 
Cleomar Brandi
geração tivesse um Zé Peixe, não exatamente voltado para o mar, se tivéssemos em todas as áreas alguém aí protegendo os animais, num século tão difícil como esse século XXI em que decide o futuro da humanidade. Então vamos enaltecer a imagem do Zé Peixe para ver se a gente fomenta exemplos” – historiadora Ilma Fontes.

“Eu considero Zé Peixe o grande Netuno das águas que banham Sergipe. O que me impressiona nele é que ele sai de dentro de uma cidade e se revela para o país por si só, sem ajuda de ninguém e sempre mantendo sua simplicidade. Ele é uma figura simples, do povo que é intimo das águas e peixes. Fico a me perguntar se ele tem pêlos no corpo ou algas e guelras. Se sua pele tem cheiro de maresia? Pois ele para mim é uma figura encantada e lendária, por isso Zé Peixe seria facilmente um personagem de algum romance de Jorge Amado.” – jornalista

Luiz Antônio Barreto
Cleomar Brandi.


“A relação de Zé Peixe com o rio Sergipe e com a sua barra vai além do trabalho de prático, tradicional no estuário de Aracaju, desde os tempos de “Seu Bóia”, velho marinheiro que ajudava, nos primeiros tempos da cidade, a que navios de vários tipos e bandeiras entrassem e ancorassem na jovem capital sergipana.
Zé Peixe tem nas suas retinas todas as paisagens, desde a boca da barra, com suas mudanças, até o caminho que o rio toma, para o norte. E dentro da moldura, Aracaju, modernizada aos seus olhos, sem no entanto lhe tirar o leito do rio, por onde anda de braçadas, como um nauta atemporal, que conhece os segredos das águas, e com elas convive como um confidente”- historiador e colunista do Portal Infonet, Luiz Antônio Barreto.


Capitão-tenente Cosme

“Zé Peixe é uma pessoa próxima da marinha, ele é um profissional da praticagem, grande colaborador para a Capitania dos Portos. E mesmo com 79 anos continua exercendo sua função e é querido por todos daqui. Ele é muito humano e especial.
A sua fama na praticagem é internacional. Sem exagero. Aqui, é comum quando algum navio estrangeiro aporta e membros da tripulação querem conhecer o prático Zé Peixe” –  capitão-tenente Cosme, da Capitania dos Portos.

 

Marcelo Rangel
“Não existem projetos para mudar o nome da Ponte. Apenas criei uma comunidade no Orkut, que para minha surpresa, conseguiu vários adeptos. O intuito é apenas adotar o nome ‘Ponte Zé Peixe’ em vez de ‘Ponte Construtor João Alves’, do mesmo modo que o ‘Edifício Cidade Aracaju’ é desconhecido pela população, que denomina o local ‘Maria Feliciana’. Até se pensou em fazer uma petição, recolher assinaturas para mudar o nome, mas o próprio Zé Peixe, em sua imensa simplicidade, não concordou com a idéia.” – jornalista Marcelo Rangel

 

“Como repórter já fiz muitas entrevistas e reportagens com personalidades, estudiosos, políticos, mas nunca me senti tão pequena e vulnerável diante daquele homem pequeno e franzino. Já estive diante de diversas personalidades que não gostam de dar entrevistas e que têm ‘um pé atrás’ com jornalistas, mas ninguém nunca havia me deixado falando sozinha e sem argumentos. Ele não foi rude e nem grosseiro, mas alegou que aquele não era o momento de dar entrevistas, pois poderia ser chamado para o mar. Numa simplicidade enorme, Zé Peixe me recebeu na terceira tentativa e me falou de seus grandes feitos como se estivesse contando que foi à padaria comprar pão. Já havia escutado muito falar dele e até lido um pouco sobre sua história, mas percebi que mais impressionante do que o prático e seus feitos no mar é a sua pessoa. Eu fui fazer uma matéria e aprendi em três horas de entrevista mais do que meus nove anos de profissão. Obrigada Zé Peixe e Parabéns pelo seu aniversário!” – Raquel Almeida, jornalista do Portal Infonet e autora das matérias em homenagem aos 80 anos de Zé Peixe.

Quem não teve oportunidade de ler as matérias que foram publicadas na Infonet em comemoração aos 80 anos de Zé Peixe  poderá fazer agora:

Zé Peixe, mais do que uma lenda um grande homem

Prático – uma profissão de coragem

80 anos Zé Peixe – Uma vida pelo mar e pela família

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