ACI alerta sobre prejuízos causados pelas associações pró-construção

Anderson Ramos, presidente da ACI/SE

Crescente nos últimos anos, as associações pró-construção têm afetado o mercado imobiliário sergipano de várias formas. O alerta é do presidente da Associação de Corretores de Imóveis de Sergipe, Anderson Ramos. Segundo ele, elas surgem como uma alternativa simples e econômica para a compra de imóveis, mas podem trazer riscos que afetam todo o ecossistema do mercado imobiliário.

“Apesar de serem divulgadas como um facilitador para compra e venda de imóveis, com valores mais baixos, e tentar diminuir o déficit habitacional, as associações excluem os corretores do processo e podem causar uma dor de cabeça futura para os clientes”, destacou o presidente da ACI.

Para os corretores de imóveis, o crescimento das associações pró-construção representa uma ameaça financeira porque com menos negociações ocorrendo através deles, há o risco de perda de empregos e redução de renda para esses profissionais. Os prejuízos também podem recair para os compradores, já que eles são cotistas dos empreendimentos e respondem por qualquer custo adicional, seja estrutural ou trabalhista.

“As associações pró-construção exercem uma concorrência desleal tanto com as construtoras, como com os corretores de imóveis, que são os profissionais treinados e capacitados com o conhecimento específico do mercado imobiliário. Sem um corretor, pode haver falta de transparência, informações incorretas e práticas duvidosas na negociação. Além disso, quando não há um corretor envolvido, os compradores podem adquirir imóveis com problemas estruturais ocultos, com falta de clareza sobre documentação legal, projetos e licenças aprovadas pelos órgãos competentes, individualização das unidades, questões relacionadas à validade das transações, entre diversos outros riscos”, explicou Anderson Ramos.

Ainda de acordo com ele, a busca ‘’ pelo preço de custo ‘’ e sem a intermediação do banco, pode interferir diretamente na qualidade dos imóveis entregues.

“Com menos supervisão externa e regulamentação, os imóveis podem ter baixa qualidade ou defeitos estruturais, representando um sério risco tanto para os compradores quanto para a reputação do setor imobiliário como um todo”, pontuou o presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Sergipe.

Propaganda enganosa

Com um papel essencial na obtenção de transparência e legalidade das transações imobiliárias, os corretores de imóveis também oferecem orientação especializada e proteção jurídica aos compradores.

“As associações estão usando o marketing para atrair os compradores com preço de custo, excluindo o corretor da negociação. Sem esse suporte, os clientes podem se encontrar vulneráveis, informações enganosas e negociações desfavoráveis. A ausência da expertise do corretor para saber se o cliente comprador está fazendo ou não um bom negócio, tanto pelo valor inicial quanto pelo valor que ele vai pagar do tempo da obra. O comprador acha que está economizando, mas pode acabar tendo uma dor de cabeça depois já que muitos desses empreendimentos são divulgados para venda antes mesmos de ter os projetos, licenças com os laudos viabilizando a construção, e sem ter o registro de incorporação”, alertou Anderson.

Impacto sócio-econômico

Para o presidente da ACI, as associações pró-construção podem promover a especulação imobiliária desenfreada, incentivando investimentos intensivos no setor imobiliário sem considerar os impactos ambientais, econômicos e sociais a longo prazo. Isso pode levar a uma bolha imobiliária, onde os preços dos imóveis são inflacionados de forma insustentável, resultando em desequilíbrios no mercado e instabilidade financeira.

“Estimamos que cerca de mais de R$ 2 bilhões comercializados em empreendimentos não tiveram intermediação de um corretor. Isso, acarreta não só que o dinheiro não passa pela mão do corretor como impacta todo o ecossistema imobiliário. É um modelo que parece muito lucrativo, mas que é preciso ter uma concorrência legal, pois estamos vendo uma bagunça no mercado. Todos envolvidos precisam ter suas obrigações e seguir a legislação juntamente com o pagamento de todos os impostos”, pontou.

Além disso, as associações pró-construção também podem priorizar os interesses dos empreendedores em detrimento dos interesses da comunidade local.

“Isso pode levar a conflitos de interesse, falta de consideração pelos impactos sociais e falta de envolvimento significativo da comunidade no processo de tomada de decisão”, finalizou Anderson Ramos.

Sobre a ACI/SE

A Associação dos Corretores de Imóveis de Sergipe (ACI/SE) foi fundada em novembro de 2019 e atua na valorização dos profissionais do estado. Atualmente, a instituição conta com cerca de 200 corretores associados e mantém um calendário anual de ações voltado para a categoria e para comunidade em geral.

Fonte: ACI/SE

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