Advogada denuncia agressão da polícia contra adolescente

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SSP confirma que adolescente foi algemado (Foto: Arquivo Portal Infonet)

A advogada Sulamita Vieira quer que a Secretaria de Estado da Segurança Pública investigue, imparcialmente, as denúncias de suposto espancamento e humilhação praticados por policiais contra o filho dela, um adolescente com 17 anos. Ela já prestou queixa em Boletim de Ocorrência na Corregedoria da Polícia Civil e também já acionou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Sergipe, que ouviu a manifestação da advogado por meio da Comissão de Direitos Humanos, segundo revelou a própria advogada em entrevista ao Portal Infonet.

A advogada estranha os procedimentos adotados pela polícia civil após a confusão envolvendo o filho dela e um policial do Corpo de Bombeiros na noite do dia 22 de junho no espaço onde estava sendo realizado o Forró Caju. Na ótica da advogada, houve prevaricação para proteger um bombeiro militar, também envolvido na confusão, e que teria dado o primeiro tapa no adolescente. Mas, segundo Sulamita, apeas o adolescente foi detido pela Guarda Municipal. Ela narra que o filho esbarrou em uma mulher naquela noite no Forró Caju e acabou recebendo um tapa do bombeiro militar. O adolescente teria reagido aplicando um soco no policial e ocorreu novo revide do PM. "Até aí vias de fato, tudo bem. O problema é que só algemaram meu filho, o agrediram e só devolveram meu filho por volta das 6 horas e 15 minutos da manhã na porta da minha casa, todo lesionado e molhado", informa a advogada.

Versão da polícia

A assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que a Corregedoria de Polícia Civil instaurou procedimento administrativo para apurar as denúncias de maus tratos supostamente cometidos por policiais contra aquele adolescente. A assessoria da SSP informou que o procedimento será destinado à apuração da ocorrência com o objetivo de identificar se efetivamente ocorreu excesso na ação durante os procedimentos adotados pelos policiais na confusão envolvendo o adolescente e o bombeiro militar.

A assessoria da SSP confirma que a advogada Sulamita Vieira prestou queixa em Boletim de Ocorrência na Corregedoria da Polícia Civil cobrando providências contra os policiais que teriam cometido excessos contra o adolescente. A assessoria de imprensa da SSP confirma a apreensão do adolescente, nega agressões físicas, mas admite que os policiais o algemaram, alegando que a medida teria sido necessária porque o adolescente estaria exaltado.

Desacato e agressão

Segundo a assessoria, o adolescente estava desacompanhado no espaço do Forró Caju, sob efeito de bebidas alcoólicas e teria assediado a esposa de um policial militar. O PM teria reclamado e o adolescente teria se afastado, mas, conforme informações da SSP, teria voltado e aplicado um soco nas costas do policial. A mãe do adolescente garante que o garoto estava na companhia de irmãs maiores de idade e que teria saído para falar com um amigo, não retornando posteriormente.

De acordo com a versão do adolescente, ele teria topado na mulher de forma espontânea, sem a intenção de assediá-la e que o soco teria sido consequência das agressões que teria sofrido com a reação do policial, que seria companheiro da mulher que ele teria topado quando andava no espaço da festa.

De acordo com a versão da SSP, a equipe da Guarda Municipal teria sido acionada e acabou fazendo a apreensão do adolescente, encaminhando-o para o complexo da SSP, onde foi lavrado Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) contra o adolescente apreendido, acusado por agressão e importunação ao pudor. Segundo a assessoria da SSP, também pesa contra o adolescente desacato a autoridade por ele ter se dirigido com palavras de baixo calão à escrivã que lavrava o BOC.

Mas a advogada não aceita a versão da SSP. "Quero que eles provem que houve desacato. Quero medir o desacato. Meu filho foi tratado como vagabundo na delegacia e ele apenas pediu respeito porque não é vagabundo. Isso não é desacato, é direito à palavra", comenta a advogada.

Por Cássia Santana

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