Audiência pública discute a situação dos matadouros sergipanos

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Protesto na frente da Assembleia (Foto: Infonet)
Representantes dos feirantes, marchantes, boiadeiros, fateiras e famílias (Foto: Infonet)

Representantes dos feirantes, marchantes, boiadeiros, fateiras, famílias e autoridades do poder público participaram de uma audiência pública, realizada na manhã desta terça-feira, 19, no Plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). O objetivo é entender as consequências e encontrar soluções em relação ao fechamento dos matadouros públicos do Estado, que já atinge dezenas de famílias.

Em cumprimento a uma ordem do Ministério Público do Estado de Sergipe (MP-SE), os matadouros do estado foram fechados, pois vinham funcionando de forma irregular, sem licenças de órgãos competentes, ocasionando em danos ambientais e comprometendo a saúde pública.

Com isso, os marchantes estão sem o seu sustento, o que vem gerando uma tensão social. Entendendo essa situação, motivado pelo protesto feito pela categoria na última quinta-feira, 14, o Deputado Estadual, Georgeo Passos, sugeriu essa audiência pública.

“Sugerimos que os manifestantes viessem a assembleia para que todos os 24 deputados tomem conhecimento do grave problema. Percebemos a ação do MP para o cumprimento de uma legislação e isso concordamos, mas não podemos de uma hora para outra deixar esses pais e mães de família sem o seu sustento. Vamos ouvir os marchantes, as fateiras e ao final fazer encaminhamentos e buscar soluções. É um problema grave, sério, de saúde pública, inclusive”, ressalto o deputado.

Famílias

Representante dos marchantes e boiadeiros de Itabaiana, Otacílio Goes (Foto: Infonet)

De acordo com o representante dos marchantes e boiadeiros de Itabaiana, Otacílio Goes, é precária a situação de algumas famílias que dependem dessa atividade. “Está uma calamidade pública, pois nessas situações tem que pensar no social também, pois tem gente que na vida só sabe tratar um boi. Muitas pessoas já estão passando fome. Esperamos que os deputados somem esforços com a gente na luta de uma solução, pois não podemos ficar sem nossa fonte de renda”, conta.

O município de Cedro de São João faz parte de um dos municípios mais afetados com o fechamento dos matadouros. Vindo de uma cultura hereditária, Renisson Oliveira, revela que não tem como sustentar sua família. “Eu preciso trabalhar! Se é necessário organizar, vamos sentar para que seja feita essa organização. Imagine eu com um filho de dois e outro de cinco anos para alimentar. Esse trabalho que eu faço veio do meu bisavô e avô e preciso do meu trabalho”.

Representante da Associação dos Feirantes de Aracaju, Etevaldo Teles (Foto: Infonet)

A capital sergipana já está sofrendo com a limitação de fornecimento de carne nas feiras livres. O representante da Associação dos Feirantes de Aracaju, Etevaldo Teles, diz que esse movimento é um apelo para que a situação não vire um caos. “As feiras de Aracaju, na semana passada, já sofreram o impacto da falta de carne, pois famílias que foram atrás do alimento não tinham nem 10% da carne que costuma ter, pois as feiras daqui necessitam”, conta.

Avanços

Segundo o Deputado Estadual Georgeo Passos, alguns municípios já avançaram na regularização dos frigoríficos, a exemplo de Itabaiana, que já reformou o local e falta pouco para conseguir as licenças. “A intenção é fazer essa interlocução com a assembleia e a categoria e órgãos de fiscalização verificando pendências que faltam para que dentro das normas e gente consiga avançar e assim dar a resposta que a sociedade precisa: carne de qualidade e empregos garantidos”, finaliza.

por Adson Santana

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